A cada ano a sétima arte nos presenteia com diversas produções vindas dos quatro cantos do mundo. Quando falamos no grande público, é de Hollywood que vem os produtos mais esperados dos fãs. Desde que o cinema entretenimento se consolidou como fábrica multimídia ainda na década de 70 (graças a Tubarão e Star Wars), os cinéfilos foram brindados com diversos filmes inesquecíveis, sempre citados por todos quando o assunto são os melhores longas da história. E logo de cara também, os estúdios viram o potencial das continuações. Afinal, se uma história deu muito certo, por que parar com ela? Sigamos em frente para uma nova jornada com personagens que todos aprenderam a amar.

Star Wars, Indiana Jones e tantas outras franquias (a mais recente sendo Velozes e Furiosos, por exemplo) mostraram que os fãs não se cansam de ver em tela os astros vivendo seus personagens icônicos em novas tramas. Porém, para cada acerto precisa existir um erro. E muitas vezes essas continuações resultam numa experiência verdadeiramente traumática para o espectador e, eventualmente para os envolvidos em sua produção. Embora muitos acreditem no termo “filme que não precisava de continuação”, a verdade é que se a sequência for feita com dedicação e empenho, resultando numa boa obra, terminamos aceitando-a no fim das contas.

Aqui, porém, nessa nova matéria, abordaremos justamente o oposto. A ganância de produtores que optaram pelo arriscado desafio de continuar uma história que parecia encerrada (o que se mostra um desafio para qualquer um) e entregaram uma sequência sem qualquer brilho ou empenho. Muitas aparentando já ter nascido “errado” sem qualquer energia. Essas são as 10 continuações dos anos 2000 que você preferia esquecer. Confira.

A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras



Indiscutivelmente, A Bruxa de Blair (1999) se tornou um terror revolucionário e se destacou por introduzir o subgênero “found footage” para os novos tempos. Era o início da internet e sua campanha de marketing misturava ficção com realidade documental na hora de vender seu produto. Sem saber exatamente ao que assistia, o público se viu fascinado em se assustar como nunca anteriormente. Um verdadeiro fenômeno. O que fazer a partir daí? Bem, o que podemos dizer é que o estúdio por trás da produção deu uma aula do que NÃO fazer! E isso foi: uma continuação lançada logo no ano seguinte que não apenas tira qualquer criatividade apresentada antes com um terror pra lá de genérico, como (pior ainda) nem sequer utiliza o estilo de filmagem que fez do original um sucesso.

A Máfia Volta ao Divã

Aproveite para assistir:

O ano de 1999 foi um dos mais especiais para a sétima arte. Nele tivemos por exemplo Matrix, Clube da Luta e A Bruxa de Blair. Foi dele que saiu também uma das comédias mais engraçadas da década: Máfia no Divã. No filme, Robert De Niro brinca com seus personagens mafiosos pela primeira vez fazendo humor. O filme mostra o que aconteceria se um gangster precisasse fazer terapia. O longa segue uma linha perfeita com começo, meio e fim, concluindo sua história da melhor maneira possível. Mas o que acontece em casos de filmes que se dão muito bem de crítica e bilheteria é que o estúdio cresce o olho e oferece uma bolada para os envolvidos voltarem numa continuação. Quem recusaria? O problema é que muitos filmes não deixam espaço para essa tal continuação, como foi o caso com este, que rendeu em 2002 uma das sequências mais sem graça e desnecessárias da história do cinema.

A Rainha dos Condenados



Esse filme é traumático em vários sentidos, infelizmente surgindo como uma verdadeira “maldição metalinguística”. Apesar de algumas polêmicas de bastidores, Entrevista com o Vampiro (1994) se tornou um grande sucesso para a Warner, conseguindo elevar os filmes de terror e de vampiros a um novo patamar, digamos, de maior prestígio. O longa é baseado numa série de livros da autora Anne Rice e por anos o estúdio visou tirar uma continuação do papel. Agora parece que finalmente o material vai se transformar numa série de TV, que esperamos que tenha qualidade. Porém, antes disso, embora desejemos esquecer, o filme com Tom Cruise e Brad Pitt teve uma continuação em 2002, chamada A Rainha dos Condenados. É claro que nenhum dos dois astros teve qualquer envolvimento. Mas não acaba aí, porque de forma trágica, esse filme de terror B marcaria o último trabalho da jovem cantora Aaliyah, que faleceu antes de finalizar sua participação.

Halloween: Ressurreição

Se os anos 90 foram marcados por muitas obras criativas, como A Bruxa de Blair, Máfia no Divã e Entrevista com o Vampiro, podemos dizer que a década seguinte ficaria marcada pelas continuações ruins destes filmes – que sequer deveriam existir. Aqui chega mais uma. Halloween – A Noite do Terror (1978) teve inúmeras continuações esquecíveis em sua franquia. Mas uma conseguiu destaque, demonstrando grande criatividade em seu roteiro, em especial por se livrar de todas as continuações descartáveis e seguir diretamente após o segundo. Trata-se de Halloween H20 (lançada em 1998), que trouxe Jamie Lee Curtis de volta protagonizando. O final é perfeito e os filmes poderiam ter terminado aí. Mas você acha que eles deixariam? Em 2002 (oh aninho maldito!) sairia do papel o que é considerado por muitos “o” pior filme de Halloween, Ressurreição. O pior de tudo nem é a trama idiota e datada sobre um reality show dentro da casa de Michael Myers, mas sim o fato de desfazer tudo o que H20 havia se dedicado tanto a criar.

Blade Trinity

O que aconteceria se um astro de Hollywood detestasse tanto a sua participação num filme, que ficasse trancado o tempo todo em seu trailer fumando maconha, exigisse apenas ser chamado pelo nome do personagem e num acesso de fúria e loucura chegasse ao cúmulo de enforcar seu diretor. Bem, este clima caótico realmente existiu e se chama os bastidores de Blade Trinity. Após dois bons exemplares (em 1998 e 2002), o primeiro filme de um herói da Marvel que pavimentou o caminho para o que temos hoje, terminou sua trilogia desta forma deplorável, em 2004. O astro Wesley Snipes estava tomado no “Jiraya” durante as gravações frustrado com o roteiro e as formas que o filme tomava. Sobrou até para o coadjuvante Ryan Reynolds que, em início de carreira no cinema, ouviu de seu protagonista: “Fique quieto, assim você viverá mais”. Todo este caos é refletido no que vemos em tela, num filme que entre outras coisas traz uma caracterização meio “Alexandre Frota” do icônico Drácula.

Triplo X 2 – Estado de Emergência

O que fazer quando o astro de sua possível franquia se recusa a retornar para a continuação? Bem, se você tiver unicamente a ganância guiando sua vida profissional como os executivos de Hollywood, a resposta é simples: criar uma continuação sem ele, é claro, e ainda matá-lo sem cerimônia fora das telas. Vin Diesel se tornou um astro após protagonizar Velozes e Furiosos (2001) e Triplo X (2002), mas quando foi a hora de voltar para ambas as continuações, ele simplesmente disse não. Isso porque nesta época, Diesel acreditava que poderia ser um ator sério e seguir para trabalhos mais significativos. Assim, Tyrese o substituía na continuação + Velozes + Furiosos (2003) e quanto a Triplo X coube a Ice Cube entrar na vaga deixada pelo careca musculoso. O resultado, você pergunta? Bem, o filme desapareceu tão rápido que muitos de vocês sequer ouviram falar desta sequência.



A Lenda do Zorro

Herói da cultura Pulp, o mascarado Zorro caminha lado a lado com os primórdios do cinema. Isso porque o personagem, um dos primeiros heróis de todos os tempos, já existia antes do advento da sétima arte, em outras mídias. Assim, após o surgimento do audiovisual, Zorro esteve lá em produções que datavam de 1920, por exemplo. Ao longo das décadas vira e mexe o vigilante espadachim mexicano dava o ar de sua graça, mas seria em 1998 que Zorro ganharia uma superprodução lançada por um grande estúdio (a Columbia / Sony) e apadrinhada por ninguém menos que Steven Spielberg. A Máscara do Zorro (1998) é puro entretenimento de matinê, uma aventura à moda antiga que apresentou ao mundo a belíssima Catherine Zeta-Jones e trouxe Antonio Banderas num papel que ele parece ter nascido para viver. O problema aqui não foi tanto o filme ter rendido uma continuação, mas foi a demora com que a tiraram do papel, com quase 10 anos de intervalo – perdendo por completo o hype do original.

O Filho do Máskara

Mais uma vez temos na lista, um ótimo filme nascido dos anos 90, com uma continuação “fedorenta” lançada nos anos 2000. O Máskara (1994) foi um dos filmes do movimento que serviu para cimentar Jim Carrey como um dos grandes nomes de Hollywood na década de 1990. Além disso, revelou também a então modelo Cameron Diaz. Revolucionário, o longa foi uma espécie de Uma Cilada para Roger Rabbit (88) dos anos noventa, usando efeitos especiais jamais vistos e elevando o quesito técnico a outro patamar. Infelizmente sua continuação jogou tudo isso pelo ralo. A começar que Carrey se manteve bem longe do projeto, o que não impediu os produtores gananciosos de fazerem a continuação mesmo assim – sem qualquer nome relevante na frente ou atrás das câmeras. E se o filme original usava de bons efeitos para incrementar sua história, esta sequência mequetrefe, lançada onze anos depois, era um desenho animado com poucos vislumbres de atores reais.

Vovó… Zona 2


O comediante Martin Lawrence tem como ídolo o mestre Eddie Murphy, e dele pegou muito de seu próprio repertório. Lawrence inclusive realizou o sonho de trabalhar com o grande Murphy duas vezes na década de 90 – sendo o mais marcante Até que a Fuga os Separe (1999). Murphy, entre outras coisas, ficou marcado por desempenhar diversos personagens num único filme, como Um Príncipe em Nova York (1988) e depois O Professor Aloprado (1996), onde ficou enterrado sob quilos de maquiagem. Lawrence seguiu os passos do agora colega para criar a Vovó… Zona, um grande sucesso surpresa de 2000. Mas sabe aquela velha história da mesma piada contada duas vezes… pois bem, ela sempre vai perdendo a graça. Foi o que aconteceu com essa continuação, lançada seis anos depois. E o pior disso é que como se não bastasse, Lawrence colocaria o prego no caixão pela última vez ainda em 2011, quando estreou o terceiro Vovó… Zona, desta vez com seu filho se vestindo de mulher também.

Instinto Selvagem 2

O primeiro Instinto Selvagem (1992) é um filmaço de suspense que deu força ao subgênero dos thrillers eróticos dos anos 90, e mais proeminentemente foi responsável pela carreira da musa Sharon Stone, e por transformá-la em uma estrela de Hollywood. No período, quase todos os filmes da atriz exigiam dela um forte sex appeal e claro, muita nudez. Ela até foi bem sucedida, recebendo uma indicação ao Oscar por Cassino (1995), de Martin Scorsese, mas em seguida seus papeis mais dramáticos, fora de sua zona de conforto começaram a fazer sua carreira naufragar. Natural que a atriz quisesse que o filme que fez sua carreira, também fosse responsável por salvar sua carreira. E até que a premissa de trazer a Femme fatale Catherine Tramell, a escritora e amante de sadomasoquismo e picadores de gelo mais famosa do cinema de volta para um novo suspense não é das piores. Afinal, no primeiro filme Stone já mostrava frieza no papel mesmo aos 34 anos. Na continuação, ela havia se tornado uma “loba” (cougar), uma mulher madura aos 48 anos, e muito mais confiante. O grande problema aqui foi o roteiro enfadonho que não exibia um décimo do brilho do original e fez Stone apenas pagar um grande mico em sua carreira.

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