Indiscutivelmente, não existe outro estúdio mais bem sucedido financeiramente nos dias de hoje do que a Marvel, e isso inclui as outras franquias dentro da Disney. Sinônimo de grandes bilheterias, a empresa mescla com muita harmonia o sucesso de público com a rasgação de seda por parte dos críticos. A Marvel parece não ter como errar e mesmo quando o faz, seu deslize é sutil. Tanto que gerou uma receita: a chamada ‘fórmula Marvel’ que, convenhamos, vem sendo aprimorada com o passar dos anos.

Acima de qualquer outra coisa, a Marvel soube utilizar positivamente seu status como gigante da indústria do entretenimento para dar voz a artistas vindos do cenário independente, alguns bem representativos, vide Ryan Coogler (Pantera Negra), Chloé Zhao (do vindouro Os Eternos) e a recém-confirmada Nia DaCosta (que assumirá Capitã Marvel 2). Mas não se pode chegar ao nível de uma companhia multibilionária sem quebrar alguns ovos. Assim, como bom estrategista que é, Kevin Feige, o mega produtor que serve de rosto da Marvel para o público, tira do caminho tudo o que “não funcionou”, ou que não funcionou como se esperava, sejam atores, roteiros e, inclusive, realizadores.

Pensando nisso, decidimos relembrar 10 diretores que foram “excluídos” do MCU em prol do “bem maior” da empresa, tendo garantido o sucesso com seus filmes ou não. Confira abaixo.

Anna Boden e Ryan Fleck



Começamos com os mais recentes “cancelados” pela Marvel. A dupla de cineastas, casados na vida real, veio da cena independente e chamou atenção com obras elogiadas como Half Nelson – Encurralados (2006), Perseguindo um Sonho (2008) e Parceiros de Jogo (2015). Foi o suficiente para entrarem no radar da Marvel e serem contratados para o roteiro e direção de Capitã Marvel (2019), o primeiro filme de uma protagonista feminina da casa. Nada mais natural que no comando tivéssemos também uma mulher, a primeira cineasta na direção de um longa do MCU. Apesar de ter se tornado um dos maiores sucessos da empresa, sendo uma das 9 produções da casa a ultrapassarem a barreira de US$1 bilhão, o longa acabou dividindo parte do público e dos fãs. Sendo assim, a Marvel prontamente os substituiu para a sequência, a ser lançada ano que vem, contratando para a vaga a jovem Nia DaCosta (A Lenda de Candyman) e garantindo maior diversidade entre seus realizadores.

Scott Derrickson

Esse aqui foi ainda mais curioso. Saído do universo de filmes de terror (com obras como O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade), Scott Derrickson foi a escolha da Marvel para ocupar a cadeira de diretor em Doutor Estranho (2016). O filme não se mostrou um sucesso estrondoso como os demais da casa e os fãs reclamaram de certa ausência dos elementos místicos alucinógenos que sempre fizeram parte das histórias do personagem. O fato fez inclusive o público se questionar sobre a continuação do filme não ser do interesse da Marvel, antes da mesma ser confirmada. Com a sequência engatada, Derrickson foi pescado novamente na direção e chegou a aparecer em uma Comic Con para falar do longa Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, a ser lançado em março do ano que vem. Para a surpresa de todos, afirmando as famosas “divergências criativas”, Derrickson foi afastado do comando pouco tempo depois, abrindo espaço para ninguém menos que o grande Sam Raimi, há 9 anos sem dirigir um filme.

Kenneth Branagh



Até mesmo diretores de prestígio e currículo Shakespeariano como Kenneth Branagh, renomado com 5 indicações ao Oscar, podem “sambar” se for preciso. E o motivo muito bem pode ser uma agenda apertadíssima para cumprir a data de lançamento. Como todos sabem, Branagh foi o diretor do primeiro Thor (2011), o quarto filme do MCU, e que ajudou a cimentar o que temos hoje. Após ter lançado o primeiro filme, o diretor teria menos de 2 anos para pré-produzir, filmar e editar a continuação. Achando que o prazo seria muito apertado, Kenneth optou por pular fora (ou foi “pulado”) e seguir para fazer Jack Ryan – Operação Sombra (2014). Com saída do cineasta, Patty Jenkins foi contratada, mas as tais divergências criativas voltaram a atacar e a diretora logo saiu, o que fez a atriz Natalie Portman ameaçar largar o projeto igualmente. No fim das contas, Jenkins fez o sucesso Mulher-Maravilha (2017) e Alan Taylor assumiu Thor – O Mundo Sombrio (2013).

Alan Taylor

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Eu sei o que você está pensando desde o parágrafo acima: Quem??! Pois bem amigos, um dos diretores menos expressivos a ter passado pelo MCU, Alan Taylor é oriundo de séries de TV, como o sucesso Game of Thrones. E foi justamente esta série medieval de fantasia o que fez a Marvel achar que o sujeito seria perfeito para seu produto de teor similar, Thor. Assim como o próprio diretor em si, que temos certeza que é um ótimo sujeito na vida real, o segundo Thor se mostrou o filme mais “sem tempero” e burocrático da casa. Taylor seguiria para dirigir o trem desgovernado conhecido como O Exterminador do Futuro: Gênesis (2015). Assim, Taylor não entrou na lista do estúdio para o terceiro Thor. Em contrapartida, o diretor acusou a Marvel de mudar seu filme na pós-produção, após ter lhe permitido toda a liberdade durante as filmagens. Entre os novos diretores visados para o cargo no terceiro filme, Ruben Fleischer (Venom), Rob Letterman (Detetive Pikachu), Rawson Marshall Thurber (Arranha-Céu) e até mesmo Kenneth Branagh, que recusou a fim de dirigir O Assassinato no Expresso do Oriente (2017) e construir seu próprio universo cinematográfico, o Agathaverso. Assim, entrou em cena finalmente o neozelandês Taika Waititi, que impressionou tanto o estúdio em Thor Ragnarok (2017) ao ponto de estar confirmadíssimo para a sequência Thor – Amor e Trovão, a ser lançado em maio de 2022.

Jon Favreau

Aqui temos um diretor a quem a Marvel deve muito por seu universo compartilhado. Tudo começou com Favreau no comando de Homem de Ferro (2008) e o resto é história. O diretor retornaria para Homem de Ferro 2 (2010), igualmente sucesso de bilheteria, mas que foi envelhecendo mal rapidamente. A Marvel chegou a cogitar Favreau para a direção do primeiro Os Vingadores (2012), mas o cineasta terminou no comando de outra adaptação de quadrinhos na época, uma mais obscura, Cowboys & Aliens (2011) – digamos apenas que um se tornou fenômeno e outro… bem, não. Mas Favreau é mais um caso de cineasta que na verdade disse não para a Marvel, pelo menos é o que veio a público. Teoricamente, o estúdio teria voltado ao diretor para o comando de Homem de Ferro 3 (2013), o mais bem sucedido financeiramente da trilogia, ao que o cineasta cordialmente teria recusado, se concentrando apenas na atuação na pele do motorista / segurança de Tony Stark, Happy Hogan – figura recorrente no MCU. Ao dizer não para o terceiro Iron Man, Favreau estava na verdade dizendo sim a outra produção da Disney, Magic Kingdom, que irá adaptar o famoso parque temático da empresa. O problema maior é que desde 2013 a ideia ainda não saiu do papel…

Joss Whedon

O novo cancelado do momento, Joss Whedon tem muita parte no sucesso que é hoje o MCU. Se Favreau deu o pontapé inicial, Whedon marcou primeiro a maior goleada do estúdio. Os Vingadores foi o primeiro fenômeno da casa, ultrapassando a barreira de US$1 bilhão em bilheteria. O filme mostrou que ter várias franquias interligadas, numa reunião de diversos grandes personagens, era uma possibilidade muito palpável. Antes do diretor ser contratado, no entanto, Joe Carnahan (Esquadrão Classe A) foi considerado para ocupar a cadeira de comando. Joss Whedon, é claro, tem a carteirinha oficial de nerd, e vindo do sucesso da série cult Buffy – A Caça-Vampiros sempre foi um aficionado por quadrinhos e cultura pop. Após ser escolhido, transformou a super equipe numa realidade e seu futuro no MCU era garantido. Três anos depois e ele voltaria para Era de Ultron (2015), mas a pressão feita pelo estúdio foi demais para o cineasta suportar e ele chegou a afirmar ter tido um surto psicológico durante a preparação do filme. Assim, Whedon foi afastado pela Marvel, após o resultado “morno” do segundo Vingadores, e substituído pelos meninos de ouro, os irmãos Joe e Anthony Russo para, não apenas o terceiro Vingadores (Guerra Infinita), como também para o eventual quarto filme (Ultimado), resultando nos dois maiores sucessos financeiros da Marvel. Os Russo, obviamente, vinham dos elogiados filmes do Capitão América, O Soldado Invernal (2014, o segundo) e Guerra Civil (2016, o terceiro). Depois de descansado, Whedon se bandeou para o lado da rival DC e ajudou a finalizar Liga da Justiça (2017), somente para se envolver em escândalos de abuso denunciados pela equipe.



Joe Johnston

A escolha de Joe Johnston para a direção de Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) faz todo sentido uma vez que olhemos trinta anos no passado (na época vinte) para Rocketeer (1991). O clima retrô futurista de ambos os filmes tem tudo a ver e parecem coexistir. O primeiro filme do Capitão América fez o que precisava para manter a bola rolando no MCU, assim como o primeiro Thor. Por isso, quando foi a hora de começar a pensar na continuação, a Marvel não correu de volta para Johnston, optando por outro caminho. Acima de tudo, o clima do passado daria lugar a uma trama moderna na continuação, por isso em seu lugar, depois de serem cogitados F. Gary Gray (Velozes e Furiosos 8) e George Nolfi (Os Agentes do Destino), os irmãos Russo foram contratados.

Edgar Wright

Este é um dos casos mais notórios que se tornou praticamente uma lenda urbana no mundo da cultura pop. Quando o inventivo Edgar Wright foi contratado para a direção de Homem-Formiga (2015), os fãs ficaram em êxtase. Wright é dono de estilo visual e narrativo únicos, tendo garantido seu status com produções de nível cult altíssimo, vide a trilogia do Cornetto e Scott Pilgrim Contra o Mundo. Mas quando a esmola é demais o santo desconfia, ou quando o diretor é bom e criativo demais, a Marvel poda suas asas. O fato é, o estúdio visava construir uma estrutura de filmes com teor similar e não havia espaço para fugir desta regra. A visão de Wright para o projeto era simplesmente muito fora da caixinha e arriscada demais. Assim, após anos de impasse em seu desenvolvimento, o diretor finalmente seria desligado, abrindo espaço para o mais manejável Peyton Reed, que se adaptou tão bem aos moldes da empresa que, além da continuação Homem-Formiga e a Vespa (2018), já está confirmadíssimo para a terceira parte, Ant-Man and the Wasp – Quantumania – a ser lançado em 2022.

Shane Black


Por mais que muitos possam dizer que a saída de Shane Black da Marvel pode não ser definitiva, porque até o momento nenhum outro filme do Homem de Ferro foi feito ou planejado, a verdade é que Homem de Ferro 3 (2013) já tem quase dez anos e nenhum movimento foi feito de ambas as partes (Black e a Marvel) para incluir o diretor em nenhum projeto vindouro da casa. Ao contrário, digamos, de Jon Watts, que além de abocanhar a nova trilogia do Homem-Aranha (na rachadinha Marvel/Sony), ainda será o diretor do vindouro filme do Quarteto Fantástico na casa. A verdade é que Shane Black, assim como Edgar Wright, é um diretor de visão única e podemos dizer que foi o cineasta que se safou fazendo um filme autoral dentro do MCU. Mesmo que suas decisões tenham deixado o estúdio num beco sem ter para onde ir, e outras tenham soado bem mais como trolladas (quem poderia esquecer o Mandarim do filme?). No entanto, Homem de Ferro 3 foi o segundo filme da Marvel a ultrapassar a barreira de US$1 bilhão, o que deveria ter feito o estúdio correr para renovar o contrato com Shane para algum outro projeto. Coisa que não ocorreu.

Louis Leterrier

Lado a lado com Jon Favreau, o francês Louis Leterrier estava lá nos primórdios da Marvel, dando os primeiros passos no MCU com O Incrível Hulk (2008). O problema? Muitos afirmam que quem de fato dirigiu o filme foi o protagonista Edward Norton, confirmando o comportamento “difícil” pelo qual é notoriamente conhecido. O fato afirma também a falsa de pulso do diretor francês, que não é exatamente o que a Marvel espera de seus comandantes – já pensou um ator dando problema numa produção de centenas de milhões de dólares sem que seu diretor consiga controla-lo. Receita para o fiasco. Assim, Leterrier seguiu para outros sucessos longe da Marvel, vide Fúria de Titãs (2010), Truque de Mestre (2013) e a série Lupin (2021) da Netflix, mas seria muito legal ver o cineasta recebendo uma segunda chance e voltando para o MCU.

Bônus: James Gunn

Bem, James Gunn ainda está na Marvel, mas passou por uma epopeia bem polêmica até ser reinstituído. Podemos dizer que ao lado de Joss Whedon e dos irmãos Russo, James Gunn foi importantíssimo para a fase 2 do MCU. Talvez a sua tarefa tenha sido a mais ingrata e justamente por isso a mais enaltecida. O diretor foi responsável por levar às telonas personagens do time C da editora e transformá-los em astros da cultura pop. Logo, todo mundo conheceu e aprendeu a amar figuras como o guaxinim Rocket e a árvore humanoide Groot, por exemplo. Guardiões da Galáxia (2014) tinha sabor especial, muito graças à trilha sonora repleta de canções da década de 1970. A continuação era uma certeza e Vol. 2 (2017) atingiu em cheio o alvo de novo. Porém, na era de cancelamentos que vivemos, alguns canceladores tiraram lá do passado do diretor, mensagens pra lá de politicamente incorretas, visando o humor, nas suas redes sociais, e a Marvel terminou por desliga-lo do eventual terceiro filme. A solução? Gunn recorreu à DC, que o acolheu de braços abertos, para Esquadrão Suicida (2021). Percebendo a burrada que havia feito com o excesso de politicamente correto, a Marvel voltou atrás e garantiu o cineasta no terceiro Guardiões da Galáxia, com lançamento programado para 2023.

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