Cada década no cinema é reflexo de sua época e sociedade. Ou seja, é muito fácil identificarmos produções das mais variadas décadas apenas olhando para o conjunto que compõe o todo, vide figurinos, penteados, cenários, músicas, estilos, comportamentos, gírias e diálogos. Mas em especial o tipo de trama que estamos assistindo. Afinal, nosso mundo sempre em evolução deixa bastante datado o contexto das obras específicas de seu tempo. Isso é, ou quase.

O que acontece é que vira e mexe ganhamos em nossa época atual tipos de filmes que parecem parados no tempo. São produções que fazem uso de uma história ou estrutura narrativa muito conhecida para os que são um pouco mais velhos, pois já as viram inúmeras vezes no passado. É claro que os realizadores menos preguiçosos irão modificar uma coisa aqui e outra ali, em especial no que diz respeito a diálogos, colocando uma frase mais moderninha ou elemento atual. Apesar disso, na maioria dos casos a impressão que fica é que determinados filmes tiveram seus roteiros escritos lá nas décadas de 80 ou 90, e depois foram engavetados, vendo a luz do dia somente agora.

Pensando nisso, resolvemos formular uma nova matéria abordando 10 filmes recentes que facilmente poderiam ter sido gravados ainda nas décadas de 80 e 90, substituindo um CGI por um efeito prático aqui, ou um celular por telefone público ali. Confira abaixo.

A Mulher na Janela



O novo suspense da Netflix vem dando o que falar. Esse é mais um dos casos onde crítica e público parecem discordar. Enquanto o filme com a talentosa Amy Adams é destroçado pelos especialistas, os espectadores fizeram do longa o novo sucesso da plataforma, o fazendo adentrar na lista dos filmes mais vistos. Quem já conferiu, percebeu que ele possui certo “teor” recorrente de alguns filmes das décadas de 90, onde uma protagonista feminina se via no meio de uma trama misteriosa, geralmente usando como tema o cenário de uma casa ou apartamento, vide Morando com o Perigo (1990) e Mulher Solteira Procura (1992). Em se tratando de revelações de mistérios simplistas, podemos incluir O Colecionador de Ossos (1999) na lista – todos figurando facilmente como bons exemplares do Supercine.

Aqueles que Me Desejam a Morte

Aproveite para assistir:

Estamos no ano de 2021, mas para que criar histórias modernas e únicas, quando Hollywood pode reciclar à exaustão o mesmo tipo de material que sempre usou, certo? Aqui, neste novo thriller de ação, que marca o retorno de Angelina Jolie ao gênero (com estreia programada para o dia 27 deste mês), a trama utilizada é a da criança em perigo que precisa ser protegida pela heroína. Nesta seara, James Cameron fez escola, com as superproduções Aliens – O Resgate (1986) e O Exterminador do Futuro 2 (1991). O mote também foi utilizado em Código para o Inferno (1998), com Bruce Willis.

Esquadrão Trovão



Essa comédia é mais uma produção lançada diretamente pela Netflix. A trama conta sobre duas amigas quarentonas e um pouco acima do peso, se descobrindo como as novas super-heroínas do pedaço, vividas por Melissa McCarthy e Octavia Spencer. Ao mesclar comédia com o gênero da ação e fantasia de super-heróis, o longa soa muito como um produto tipicamente das décadas de 80 e 90, quando não se sabia muito bem como transformar quadrinhos em filmes. A lista de filmes do gênero que apelaram para a galhofa é longa, mas podemos citar Superman 3 (1983), Batman Eternamente (1995), Batman & Robin (1997), O Juiz (1995) e Heróis Muito Loucos (1999).

Mulher Maravilha 1984

Por falar nos heróis da DC, o segundo filme da Amazona mais popular da cultura pop pegou tanta carona na nostalgia que terminou com gostinho requentado de alguma produção saída diretamente de tais décadas. Aqui temos diversos elementos anteriormente vistos, seja o tom de cores e o visual chamativo, as subtramas de trocas de corpo com Steve Trevor, o vilão que no passado era tímido e introvertido, até a trama central do objeto mágico que realiza desejos, tudo soa muito como se tivesse vindo do passado.

Os Novos Mutantes

Por mais que este último filme da FOX tenha a proposta diferenciada de mesclar os gêneros do terror e de super-heróis, muito anunciado como o pioneiro em tal feito, aqui podemos notar fortes influências de produtos do passado. De Clube dos Cinco (1985) temos os personagens disfuncionais reunidos na “detenção”, realizando um curso relâmpago em entrosamento. Fora isso, ecoa A Hora do Pesadelo 3 (1987), com jovens pacientes de uma instituição psiquiátrica precisando enfrentar com seus poderes um mal comum a todos.

Sonic: O Filme

Nos anos 80 e 90, era comum termos filmes com alguma criaturinha estranha que causa alvoroço, atrai a atenção de caçadores ou do governo, mas que na verdade é dócil e bondosa. A lista é grande e vai desde E.T. – O Extraterrestre (1982), passando por Um Hóspede do Barulho (1987), O Milagre veio do Espaço (1987), Howard – O Super-herói (1986) e a série Alf – O Eteimoso (1986). É claro que na época todos eram criações em animatrônicos, fantasias ou fantoches, e hoje confia-se quase que exclusivamente no CGI. Temos até o careteiro Jim Carrey no elenco, totalmente em modo anos 90.



Dolittle

Outro artifício tipicamente popular nos anos 80 e 90 eram os filmes de animais falantes. Talvez o maior expoente do subgênero seja Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995), que recebeu indicação ao Oscar de melhor filme. Aqui, temos muitos animais falantes, todos propriamente gerados por CGI, para Robert Downey Jr. se divertir em tela (e talvez só ele). Fora isso, temos adicionada na mistura a história infantil criada por Hugh Lofting, que foi adaptada pela segunda vez ao cinema, de forma moderna, em 1998, quando o personagem foi vivido por Eddie Murphy.

Ameaça Profunda

Podemos analisar este thriller de sobrevivência com toques de terror e ficção científica protagonizado pela musa Kristen Stewart como uma grande homenagem ao subgênero que reinou nos anos 80 e 90. Talvez nenhum outro ano da década de 80 tenha sido tão marcando para o estilo do que 1989. Foi quando ganhamos longas como O Segredo do Abismo (de James Cameron), Leviathan (do mesmo diretor de Rambo 2) e Abismo do Terror (do mesmo diretor de Sexta-Feira 13). Fora isso, os anos 90 nos deram obras como Esfera (1998), Tentáculos (1998) e Vírus (1999).

Freaky – No Corpo de um Assassino


Outra tendência muito forte nestas décadas inesquecíveis era a narrativa da troca de corpos. Pais e filhos, homens e mulheres, e jovens e velhos, não faltava era mudança inusitada. Assim vieram filmes como Um Espírito Baixou em Mim (1984), Tal Pai, Tal Filho (1987), Vice-Versa (1988), Um Pedido Especial (1988), Um Sonho Diferente (1989), Por Trás Daquele Beijo (1992) e Wish Upon a Star (1996). Em Freaky, temos adicionada à mistura o elemento dos filmes de terror slasher, muito populares nos anos 80, e reinventados nos 90 com Pânico (1996).

Legado Explosivo

O mais recente exemplar de filmes de ação de Liam Neeson é tão genérico e datado que sinceramente poderia ter saído do enredo de diversas produções das décadas de 80 e 90. Veja se esta trama lhe é familiar. Um talentoso ladrão de cofre decide realizar um último trabalho antes de se aposentar. Porém, neste último ato encontra complicações e agora precisa correr e fugir para limpar seu nome. Tudo desde Profissão: Ladrão (1981) a O Grande Assalto (1993) é usado como inspiração.

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