Para quem ainda tem o pé atrás com documentários, o Festival É Tudo Verdade 2021 é uma ótima oportunidade para explorar este universo sem sair de casa e de graça. Em sua 26ª edição, a programação conta 69 filmes de 23 países, além de homenagem ao centenário do cineasta e filósofo francês Chris Marker, responsável por A Pista (1962), curta que inspirou sci-fi Os 12 Macacos (1995), de Terry Gilliam.

Os títulos estão disponíveis até o próximo domingo, dia 18 abril, nas plataformas É Tudo Verdade/Looke, Sesc Digital e Spcine Play. O encerramento conta com a exibição de A Última Floresta, de Luiz Bolognesi (Rio 2096: Uma História de Amor e Fúria), selecionado na mostra Panorama, do Festival de Berlim 2021

Nesta lista, o CinePOP separou somente as obras participantes da mostra competitiva de longa e média-metragens nacional e internacional, de 12 a 18 de abril, além do filme de encerramento. Confira as indicações e marque na agenda. A premiação ocorre no último dia pelo canal do YouTube do É Tudo Verdade

Vale lembrar: Os longas nacionais têm sessões e reprises nos horários propostos, com alguns minutos de tolerância. Já os títulos internacionais ficam disponíveis por 24 horas ou até alcançar o limite de 2000 visualizações. 



Seleção nacional de 12 a 18 de abril:

Alvorada

Disponível em: É Tudo Verdade
13/4 – 21h
14/4 – 15h

Rodado entre julho e setembro de 2016, o filme testemunha a tensão e a perplexidade ao redor da presidente Dilma Rousseff durante o desenrolar dramático do impeachment que a tirou do poder.  A câmera de Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta) e Lô Politi (Jonas) percorre o cotidiano da presidente em reuniões, telefonemas intermináveis e sussurros ouvidos da cozinha à guarda do palácio de Oscar Niemeyer. Ao mesmo tempo, revela uma personalidade surpreendente nas conversas informais em que Dilma fala de política, história, literatura e de si própria. Esta é a estreia do filme no Brasil, que chega ao circuito comercial no próximo mês. Oportunidade única. 



Paulo César Pinheiro – Letra e Alma

Disponível em: É Tudo Verdade
12/4 – 15h

Com direção de Cleisson Vidal e Andrea Prates, o documentário relata a vida do compositor prolífico e um dos letristas mais celebrados da música brasileira, Paulo César Pinheiro. Ele é autor de Canto das três raças e O poder da criação, entre outros clássicos do samba e do samba-enredo. Parceiro de Baden Powell, Tom Jobim e Edu Lobo, suas letras foram cantadas por Elis Regina, Clara Nunes e Maria Bethânia. Sentado em seu sofá, o compositor reflete sobre a natureza humana e nos conduz em uma viagem de grandes nomes da MPB. 

Aproveite para assistir:



Dois Tempos

Disponível em: É Tudo Verdade
12/4 – 21h
13/4 – 15h

Após 35 anos do primeiro encontro, o violonista argentino Lucio Yanel e seu pupilo brasileiro Yamandu Costa se reencontram para refazer os caminhos que levaram Yanel ao interior do Rio Grande do Sul. A bordo de um motorhome, com seus violões e suas memórias, o diretor Pablo Francischelli acompanha a aventura do mestre e do discípulo em direção a Corrientes, terra natal do argentino. Nesta viagem, eles refletem sobre as transformações ocorridas durante todo este tempo. 

Os Arrependidos

Disponível em: É Tudo Verdade
15/4 – 21h
16/4 – 15h



Pelas lentes de Ricardo Calil (Uma Noite em 67) e do jornalista Armando Antenore, Os Arrependidos reconta a história pouco lembrada de ex-militantes que, muito jovens, largaram tudo para arriscar a vida por uma causa, foram presos e torturados, e viraram arma de propaganda de seus inimigos. Em 1970, auge da repressão pela ditadura militar, cinco guerrilheiros presos vieram a público negar a luta armada e elogiar o regime. Com a repercussão das declarações, o governo resolveu transformar as retratações em prática de Estado. Passou a torturar opositores para que fizessem o mea-culpa. Até 1975, cerca de quarenta presos participaram dos “arrependimentos”, como ficaram conhecidos. 

Edna

Disponível em: É Tudo Verdade
16/4 – 21h
17/4 – 15h

Responsável pelo documentário Cinema Novo (2016), Eryk Rocha acompanha agora as agruras de Edna à beira da rodovia Transbrasiliana, uma terra em ruínas, construída sobre massacres. Criada apenas pela mãe, a personagem título experimenta, no corpo, as marcas de um combate infinito: a guerra pela terra. Tecida a partir dos relatos e escritos de Edna no caderno que ela intitulou A história de minha vida, a narrativa híbrida transita entre real e imaginário, por guerrilhas, desaparecimentos e desmatamentos, mas também pela força de mulheres, rios e matas que insistem em sobreviver.  

Zimba

Disponível em: É Tudo Verdade
14/4 – 21h
15/4 – 15h


Reconhecido com mais de dez prêmios e nomeações no audiovisual, Joel Pizzini (Anabazys) apresenta a trajetória e o imaginário artístico do ator e diretor Zbigniew Ziembinski (1908-1978). Ele foi precursor do teatro moderno na América Latina e mestre de gerações de atores brasileiros. A montagem polifônica parte de um vasto material inédito, composto de meio século de performances, teleteatros e entrevistas de Zimba, como era conhecido antes e depois de fugir da Polônia, às vésperas da invasão de Varsóvia. Além disso, a obra recria fragmentos da peça Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, produzida pelo polonês-brasileiro em 1943.

A Última Floresta 

Disponível em: É Tudo Verdade
18/04 – 19h

O longa de Luiz Bolognesi encerra o festival. Sua obra Ex-Pajé (2018) foi um dos destaques da competição brasileira da 23ª edição do festival, vencendo o Prêmio ABRACCINE. Aqui, em uma tribo Yanomami isolada na Amazônia, o xamã Davi Kopenawa Yanomami tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade. Os jovens ficam encantados com os bens trazidos pelos brancos; e Ehuana, que vê seu marido desaparecer, tenta entender o que aconteceu em seus sonhos.

Seleção International de 12 a 18 de abril:

9 Dias em Raqqa (França)

Disponível em: É Tudo Verdade
12/4 – 19h

Dirigida pelo francês Xavier de Lauzanne, a obra retrata o desafio da curda e síria Leila Mustapha. Raqqa é sua batalha: a capital original do Estado Islâmico, com 300 mil habitantes, reduzida a ruínas pela guerra. Treinada como engenheira, prefeita aos 30 anos, imersa num mundo masculino, Leila tem a missão de reconstruir a cidade, promover a reconciliação e estabelecer a democracia. Uma missão extraordinária. Uma escritora francesa cruza o Iraque e a Síria para conhecê-la. Nesta cidade perigosa, a jornalista tem nove dias para conviver com Leila e poder contar sua história em um livro.

Vicenta (Argentina)

Disponível em: É Tudo Verdade
13/4 – 19h

 

De maneira simbólica e lírica, o cineasta argentino Dario Dória dá voz a um dos casos jurídicos de grande repercussão na Argentina no início do século XXI. Vicenta vive em uma casa de madeira e zinco nos subúrbios profundos de Buenos Aires. Ela é pobre, analfabeta e, apesar de ter tudo a perder, dá início a uma guerra contra o Estado argentino para conseguir aquilo que considerava justo: a interrupção legal da gravidez de sua filha, uma jovem incapacitada e violentada pelo tio. 

Presidente (Dinamarca)

Disponível em: É Tudo Verdade
14/4 – 19h

Depois de 38 anos de ditadura, Robert Mugabe é apeado do poder por seu próprio partido e os líderes militares do Zimbábue prometem garantir a democracia com uma eleição presidencial. Para derrotar o partido do presidente em exercício e no poder desde 1980 – a União Nacional Africana do  Zimbábue – Frente Patriótica (ZANU-PF) -, os opositores do Movimento pela Mudança Democrática têm o jovem e carismático Nelson Chamisa como líder desta árdua missão. A cineasta dinamarquesa Camilla Nielsson questiona: depois de décadas de elites corruptas que usam de qualquer meio para se manter no poder, seria realmente possível uma eleição livre, justa e transparente?

MLK/FBI (EUA)

Disponível em: É Tudo Verdade
15/4 – 19h

Descrito por Spike Lee como o “mestre do cinema”, Sam Pollard é um prolífico cineasta a contar a história afro-americana sob vários aspectos. Na lista dos semifinalistas ao Oscar 2021 de Melhor Documentário, MLK/FBI é a primeira obra a revelar a extensão da vigilância e da intimidação do FBI ao reverendo Martin Luther King.O filme baseia-se em arquivos descobertos e tornados públicos recentemente por meio do Ato de Liberdade de Informação, além de relevantes materiais audiovisuais restaurados. Sam Pollard investiga a história de perseguição a ativistas negros pelo governo norte-americano e o contraste entre J. Edgar Hoover e King, duas figuras icônicas e poderosas que, apesar de suas diferenças, viam-se ambas como guardiões do sonho americano. 

Paraíso (Portugal/ Brasil/ França)

Disponível em: É Tudo Verdade
16/4 – 19h

Dirigida pelo paulista Sérgio Tréfaut, a co-produção estrangeira acompanha um grupo de idosos que se reuniam todos os dias nos jardins românticos do Palácio do Catete, a residência oficial dos presidentes do Brasil de 1867 a 1960. Ao cair do sol, eles conversavam sobre o sentido da vida e cantavam juntos canções de amor. Subitamente, o filme foi interrompido por conta da pandemia de coronavírus e transformou-se em um tributo a uma geração dizimada. 

História de um Olhar (França)

Disponível em: É Tudo Verdade
17/4 – 19h

HISTOIRE D’UN REGARD de Mariana Otero

Indicado ao César de Melhor Documentário 2021, a obra de Mariana Otero mostra a história do brilhante fotojornalista Gilles Caron, aos 30 anos, desaparecido no auge da carreira no Vietnã em 1970. Construído como uma investigação, o filme busca, por meio de suas imagens icônicas e das brechas entre elas, resgatar a presença do fotógrafo e recontar a história de seu olhar e de como ele foi capaz de cobrir todos os principais conflitos de seu tempo em um período tão curto. 

Leonie, Atriz e Espiã (Holanda)

Disponível em: É Tudo Verdade
18/4 – 15h

O sonho de Leonie Brandt (1901-1978) era ser atriz. Depois de realizá-lo, ela assumiu o papel de sua vida: tornou-se espiã do serviço holandês de inteligência na Alemanha nazista. Após a guerra, os proeminentes holandeses a temiam, por causa do que ela sabia de suas ações durante a ocupação. Dirigida por Annette Apon, a obra usa cenas de filmes antigos para recompor a cronologia aproximada de sua vida fabulosa e misteriosa, na qual o real e o fictício se misturam sem distinção. 

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