Às vezes contar o início de uma grande história dá muito certo

Com o lançamento de The Many Saints of Newark previsto para chegar ao catálogo do HBO Max no início de outubro, surge o tradicional debate no cinema acerca da validade das prequels. A denominação serve para identificar toda produção que se passa, cronologicamente no universo ficcional, antes de alguma outra que serviu de inspiração.

Esse tipo de abordagem não é, de forma alguma, inédito na indústria visto que alguns exemplos de prequelas remontam aos anos 60 e 70. Ainda assim, produções que se propõe a contar uma história que antecede outra mais aclamada geralmente são recebidas com desconfiança pela crítica e público.

Muito pela dificuldade de uma prequela apresentar alguma surpresa, visto que o público já chega com uma noção do desenlace tendo como base a obra inspiradora, e também por esse estilo de narrativa ter se tornado uma maneira comum, em tempos recentes, dos estúdios lucrarem mais com franquias famosas. No entanto, em alguns casos existem prequels que de fato possuem boas histórias para contar; com isso em mente seguem cinco exemplos do tipo.



5) O Fogo anda Comigo

A série Twin Peaks, desenvolvida pela dupla David Lynch e Mark Frost, não só é um dos grandes fenômenos da televisão dos Estados Unidos dos anos 90 como também de todos os tempos. É quase impossível mensurar o quão influente a trama acerca da pequena cidade homônima inspirou dezenas de produções nas décadas seguintes.

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David Lynch entrega um olhar melancólico sobre o fim da vida de Laura

Entre 1990 e 1991 o assassinato da adolescente Laura Palmer foi teorizado e discutido amplamente nos meios de comunicação de massa, bem como as interpretações sobre o significado dos estranhos acontecimentos na cidade. Por volta de 1992 o diretor David Lynch lançou O Fogo anda Comigo: os últimos dias de Laura Palmer.

A intenção da prequel é clara já no título, bem como o alerta sobre spoilers: a trama se propõe a abordar como se deu a morte de Laura, bem como seus últimos dias antes do assassinato, assim como revelar quem foi responsável pelo ato. Apesar do início mais desconexo, a obra imediatamente entra em uma linha interessante quando passa a focar em Laura. Sem dúvidas é um ótimo complemento ao clássico.



4) Três Homens em Conflito

O nome do cineasta Sergio Leone não é estranho, ou não deveria, aos ouvidos dos fãs do gênero western. O diretor foi responsável por importar muitos elementos técnicos do cinema italiano aos filmes do mencionado gênero, resultando no aclamado subgênero do faroeste spaghetti.

Uma referência dos westerns

Dentre as produções de Leone a mais icônica talvez seja a trilogia dos dólares, lançada nos anos 60, e que conta com os filmes Por um Punhado de Dólares; Por uns Dólares a mais e o já mencionado filme. Dessa forma, Três Homens em Conflito se caracteriza por ser uma história pregressa aos outros dois capítulos, na cronologia, estrelados por Clint Eastwood.

3) Enigma da Pirâmide

Sherlock Holmes não só é o maior detetive como também um dos maiores heróis da literatura ocidental. Suas histórias e métodos são conhecidos por muitos e inspirou incontáveis outras produções, inclusive a famosa série de filmes estrelada por Basil Rathmore nos anos 40.

A primeira investigação de Holmes e Watson

Por volta de 1985 o diretor Barry Levinson (conhecido por conduzir Bom dia, Vietnã alguns anos depois) entregou O Enigma da Pirâmide, uma trama focada em como o jovem Sherlock conheceu John Watson e resolveu seu primeiro caso, sendo este uma série de assassinatos no qual as vítimas tinham fortes alucinações antes de morrerem. Apesar de ser um filme relativamente esquecido, ele tem o mérito de ter apresentado o primeiro personagem feito inteiramente de computação gráfica.

2) Atividade Paranormal 3



Em pleno 2021 falar da franquia Atividade Paranormal soa um tanto estranho, porém é importante lembrar que essa era a franquia mais popular do terror por boa parte da última década, com o primeiro filme tendo um sucesso inesperado e produzindo diversas sequências. Uma delas sendo o terceiro capítulo que se passa bem antes do original.

Ambientado nos anos 80 a trama segue as versões mirins de Katie e Kristy (personagens centrais dos dois filmes anteriores) que repentinamente passam a ter os primeiros contatos com o sobrenatural; seguindo sempre a marca da franquia de tudo sendo documentário por acidente com alguma camera caseira. A diferença da terceira incursão da série para as outras é pela abordagem técnica diferente.

O visual retrô garante uma atmosfera diferente para esse capítulo da franquia

Por se passar em 1988 a tecnologia de gravação acaba sendo o antigo VHS, por consequente conferindo às imagens um tratamento cheio de granulados e tonalidades de cores destoantes. Seja por fugir da captação de imagem em HD ou pela aproximação visual com clássicos do VHS como Bruxa de Blair ou Guinea Pig o terceiro capítulo da saga acaba alcançando uma aura de suspense diferente de seus antecessores e posteriores.

1) O Poderoso Chefão parte II

Um exemplo em que é uma prequel mas ao mesmo tempo uma sequência; mesmo assim, em ambos os cenários que são propostos a obra de Francis Ford Coppola consegue se sobressair com folgas. No tocante a ser uma história prévia, é importante ressaltar as características técnicas.


Por ter esse núcleo da história ambientado na Sicília, inicialmente, e na Nova York do início do século XX é perceptível para o público a atenção aos detalhes como vestimenta; arquitetura urbana; o interior dos apartamentos e hábitos culturais da população de imigrantes italianos. Enquanto prequel, O Poderoso Chefão Parte II se propõe a ser muito mais um estudo de ambiente, de contexto social-histórico, do que ser apenas a jornada de ascensão do Vito Corleone.

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