Desde que o romance se instaurou entre o cinema e a música, essa se mostrou uma união inseparável. Certos aperfeiçoamentos chegam para ficar, afinal já imaginaram como seria se o cinema fosse mudo até hoje? Mas acreditem, na época muitos defendiam o cinema silencioso, visto e sentido só através de imagens – afirmando que longas falados e com som eram “modinha” passageira. Para termos ideia da estranheza que isso causaria hoje basta conferir grandes homenagens à época como O Artista (2011), por exemplo.

Não há dúvida, o cinema é melhor, muito melhor, com som. E não apenas isso, mas com música também. A música certa, no momento certo, é capaz de encantar, emocionar, fazer refletir, apaixonar, abrir o sorriso ou causar arrepio na espinha (um exemplo deste último é a versão da banda Type O Negative para Summer Breeze na abertura do slasher Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado – talvez um dos melhores momentos do longa).

Igualmente podemos ter o outro lado da moeda, quando cantores e músicos famosos resolvem sair dos bastidores e arriscar como atores, participando e até mesmo protagonizando seus próprios filmes. Às vezes dá certo, tantas outras não. Pensando nestes artistas da música metidos a atores, trazemos uma nova matéria. Mas não apenas isso, de forma nostálgica (como gostamos bem), voltamos diretamente para a década de 80, ver quais cantores andaram se enveredando pelo cinema da época. Confira abaixo.

Madonna

Madonna esbanjando todo seu estilo ‘geração MTV’ na comédia “Procura-se Susan Desesperadamente”.

A rainha do pop dominou as paradas de sucesso nos anos 80 e ajudou a iniciar a carreira do canal MTV graças a seus videoclipes hoje clássicos. De fato, Madonna foi o maior exemplo da geração MTV e de seu estilo de ser. A material girl estreou no cinema em 1979 com o drama Um Certo Sacrifício, mas foi após sua explosão na música nos anos 80 que viriam seus filmes mais famosos no período. Procura-se Susan Desesperadamente (1985) e Quem é Essa Garota? (1987) foram os mais marcantes, ganharam trilha da musa e reprisados até não poder mais na TV aberta.



Mas a década de 80 também trouxe Madonna em pequenas participações nos filmes Em Busca da Vitória (1985) e Doce Inocência (1989); além do fiasco que foi a aventura de época Surpresa de Shanghai (1986), frisando seu relacionamento conturbado com o então marido Sean Penn. A estrela seguiu com outros trabalhos famosos pelas décadas seguintes, como Dick Tracy e Evita, e inclusive se tornou diretora. Agora ela promete comandar a própria biografia nas telonas.

Michael Jackson

Michael Jackson na beca em “Moonwalker”, planejado para ser fenômeno, gerando até seu próprio game.

E se a rainha da música pop adentrava a sétima arte nos anos 80, o rei não poderia ficar de fora. Sempre primando pela qualidade técnica de seus videoclipes, Michael Jackson era um perfeccionista. Seus clipes eram verdadeiras preciosidades do audiovisual, verdadeiras obras-primas do gênero que impressionam até hoje. Assim como Madonna, a estreia de Michael nas telonas foi no fim da década de 70, com O Mágico Inesquecível (1978), subversão de O Mágico de Oz (1939) bancada pela gravadora Motown, protagonizada por atores e cantores negros. Apesar de ser um verdadeiro fenômeno midiático pop, Michael Jackson só protagonizou dois filmes em sua carreira – sem contar suas pequenas pontinhas aqui e acolá (como em MIB 2).

Nos anos 80, o que todo mundo se lembra é do cult Moonwalker (1988), mistura de sonho nonsense (ou seria pesadelo?) e viagem lisérgica que era vendido para ser um estouro acompanhado de tudo que é peça de merchandising, como um vídeo game por exemplo, mas cujo resultado não foi exatamente esse. Fora isso, em 1986 protagonizou o curta de 17 minutos Captain EO, parte de uma atração em 3D dos parques da Disney, dirigido por ninguém menos que Francis Ford Coppola e escrito por George Lucas – que era uma espécie de Star Wars com Jackson. O astro nos deixou cedo demais em 2009 aos 50 anos.

Prince

Prince montando sua Honda customizada para a capa do filme (e disco) “Purple Rain”.

Tido como “rival” de Michael Jackson nos anos 80. E se os fãs elegiam Michael como o rei do pop, bem, Prince se auto intitularia o seu “príncipe”. Falecido 7 anos depois de Jackson, aos 57 anos, apesar de sempre ser o “número 2” nas paradas de sucesso, no cinema ao menos o artista teve seu sucesso. Trata-se de Purple Rain (1984), febre da época que veio acompanhado de uma trilha sonora igualmente muito bem-sucedida, embalada por Prince.



De fato, muitos podem argumentar que Purple Rain é a canção de maior sucesso do artista. No filme, ele vive The Kid, um jovem precisando superar a criação abusiva do seu pai e os desafios da rua para se tornar a sensação da música. Depois de estar no topo do mundo, Prince viria a se empolgar e seguir para a direção de Sob o Luar da Primavera (1986), o qual marcou a estreia nas telas da talentosa Kristin Scott Thomas. O artista viria ainda a protagonizar a sequência de Purple Rain, com Graffiti Bridge (1990), outro projeto de vaidade, escrito e dirigido pelo próprio – que marcaria sua última aparição nas telonas.

David Bowie

David Bowie como o Rei dos Duendes cantou, dançou e fez maldade em “Labirinto – A Magia do Tempo”.

O camaleão da música David Bowie talvez seja o cantor mais constante da sétima arte. Foram nada menos do que 22 participações no cinema ao longo de sua carreira, entre aparições rápidas e personagens protagonistas e coadjuvantes. A carreira de Bowie no cinema começou ainda em 1969, com uma ponta não creditada em Os Soldados Virgens. A primeira atuação como protagonista viria em O Homem que Caiu na Terra (1976), ficção científica experimental que se tornou cult, no qual Bowie vive um alien em missão na Terra.

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Já nos anos 80, seu filme mais marcante é a fantasia juvenil Labirinto – A Magia do Tempo (1986), longa pelo qual é mais lembrado e viveu o vilão rei dos Duendes. O filme foi dirigido por Jim Henson, o criador dos Muppets. A década ainda ficaria marcada por suas participações no thriller vampiresco Fome de Viver (1983), o drama de guerra Furyo – Em Nome da Honra (1983), a aventura cômica O Pirata da Barba Amarela (1983), o suspense de ação Um Romance Muito Perigoso (1985), o romance musical Absolute Beginners (1986) e o polêmico A Última Tentação de Cristo (1988).

Cyndi Lauper

Sempre ele. o onipresente Jeff Goldblum foi o parceiro da gracinha Cyndi Lauper em “Vibes”.

Se podemos dizer que Prince era o “número 2” de Michael Jackson nos anos 80, Madonna também tinha sua própria medalha de prata nas formas da “maluquinha” Cyndi Lauper. Tão exuberante e excêntrica quando a material girl, Lauper apostava mais numa inocência quase infantil para suas firulas, ao contrário da pulsante sexualidade de sua “rival”. Lauper, é claro, marcaria a década de 80 com sua trilha sonora para Os Goonies (1985), um dos filmes mais adorados do período, ainda hoje enaltecido pelos fãs.

No mesmo ano faria uma participação não creditada no romance Dançando na TV, estrelado por Sarah Jessica Parker. No entanto, nos anos 80, Cyndi Lauper estrelou apenas um filme: a comédia Vibes – Boas Vibrações (1988), na qual protagoniza ao lado de Jeff Goldblum como dois videntes contratados para encontrar um tesouro Inca no Equador. O filme passou completamente abaixo do radar – você conhecia? Depois disso, Lauper fez mais participações no cinema pela década de 90.

Tina Turner

Poderosa! Tina Turner foi uma vilã à altura na pele da Tia Entity em “Mad Max – Além da Cúpula do Trovão”.

Uma das maiores musas empoderadas da música dos anos 80, Tina Turner venceu as adversidades, sobreviveu ao marido abusivo que a espancava, cantando e dançando até o topo das paradas de sucesso. Uma história de vida pra lá de edificante sobre superação, que inclusive ganhou as telas em 1993 na biografia Tina (What’s Love Got to Do With It), onde foi interpretada numa performance indicada ao Oscar por Angela Bassett.

No cinema, a estreia de Turner foi ainda na década de 70, onde participou do musical Tommy (1975), seguindo para O Sargento Pepper e Sua Banda (1978). Porém, seu filme mais famoso estreava na década de 80, com o terceiro e mais ambicioso (então) da franquia pós-apocalíptica Mad Max – Além da Cúpula do Trovão (1985). O filme marcou o período e trouxe Turner como a grande vilã “Titia” Entity. Além, é claro, de embalar a trilha sonora com a música tema inesquecível We Don’t Need Another Hero.



Dolly Parton

A ‘baixinha’ Dolly Parton no meio do sanduíche das musas Lily Tomlin e Jane Fonda em “Como Eliminar Seu Chefe”.

Estrela da música country, marcante por seus dotes voluptuosos e madeixas loiríssimas impecáveis, Dolly Parton segue firme e forte estrelando filmes, séries e realities no auge de seus gloriosos 75 anos. A estreia no cinema foi logo no início da década, em 1980, com o que se tornou um de seus maiores sucessos: Como Eliminar Seu Chefe. O longa, dono de uma pegada de empoderamento feminino trazia Parton ao lado das musas Jane Fonda e Lily Tomlin como três secretárias alvo de um chefe misógino e cafajeste. O longa segue rendendo frutos até hoje e se tornou uma bem sucedida peça de teatro. Parton marcaria os anos 80 com suas comédias inusitadas ao lado de grandes machões da época.

Em A Melhor Casa Suspeita do Texas (1982) ela contracena com Burt Reynolds, grande nome do cinema de ação. Parton é a cafetina de um bordel, enquanto Reynolds é o xerife da cidade e cliente assíduo que luta para mantê-lo funcionando. Dois anos depois e a parceria era com Sylvester Stallone (então saído de três Rocky e um Rambo) no filme Rhinestone – Um Brilho na Noite (1984), onde devido a uma aposta Parton precisa transformar um motorista de taxi (Stallone) num cantor. Fechando a década, Flores de Aço (1989) trouxe Dolly Parton como parte de um elenco de mulheres muito poderosas num filme sobre a amizade feminina. Contracenam com a estrela: Shirley MacLaine, Olympia Dukakis (falecida recentemente), Sally Field, Daryl Hannah e Julia Roberts.

Sting

It’s Alive! Sting é o cientista louco que cria a mulher perfeita (Jennifer Beals) em “A Prometida”.

Marcante para a música tanto em sua participação como líder da banda de rock The Police, quanto em carreira solo, Sting ficaria marcado nos anos 80 por suas atividades humanitárias e ecológicas, já naquela época conhecido como forte defensor da preservação da Floresta Amazônica. O grande artista tem quatro indicações ao Oscar por suas contribuições nas canções de filmes. Assim como a maioria dos músicos que viveu nos anos 80, Sting não deixaria passar a oportunidade de aparecer nas telonas, fosse em participações menores como coadjuvante, fosse protagonizando seu próprio filme.

A estreia de Sting nas telonas ocorreu ainda em 1979, mas seu primeiro filme marcante viria somente em 1984, com a ficção científica Duna  – adaptação de um famoso livro que é uma verdadeira superprodução. O filme fracassou e anos depois ressurgiu como obra cult, inclusive gerou um remake que está em vias de ser lançado, dirigido por Denis Villeneuve. Outra participação marcante de Sting nos anos 80 foi em A Prometida (1985), o único filme de fato protagonizado pelo cantor. Esta é uma reinterpretação do clássico A Noiva de Frankenstein, no qual Sting vive o cientista criando a mulher perfeita nas formas de Eva, papel de Jennifer Beals recém-saída do sucesso de Flashdance (1983).

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