‘Pânico’ faz 30 anos! Elegemos os MELHORES filmes de Kevin Williamson, que reviveu o Terror nos anos 90…

Há 30 anos, o cinema de terror começava a passar por uma transformação que mudaria completamente o gênero. Em dezembro de 1996, chegava aos cinemas norte-americanos Pânico’ (Scream), dirigido pelo saudoso Wes Craven e escrito por um então jovem roteirista chamado Kevin Williamson. Misturando slasher, humor, mistério e personagens que conheciam perfeitamente as regras dos filmes de terror, o longa se tornou um fenômeno e ajudou a ressuscitar um gênero que enfrentava um período de desgaste comercial no início daquela década.

Produzido por aproximadamente US$ 14 milhões, o primeiro Pânico arrecadou mais de US$ 173 milhões mundialmente, sendo cerca de US$ 103 milhões apenas nos Estados Unidos. Mais importante do que os números, porém, foi sua influência: depois de Ghostface, Hollywood voltou a enxergar os adolescentes como um público gigantesco para o terror, abrindo caminho para uma nova onda de slashers e suspenses juvenis.

E boa parte dessa revolução pode ser creditada a Kevin Williamson. Seu estilo virou praticamente uma assinatura: protagonistas jovens, diálogos rápidos e afiados, referências à cultura pop, romances complicados, assassinatos, reviravoltas e personagens que parecem saber que estão dentro de um filme. Nos anos seguintes, Williamson esteve diretamente ligado a títulos que definiram o terror adolescente da década de 1990.

Para celebrar os 30 anos de ‘Pânico, o CinePOP resolveu revisitar sua carreira e eleger os melhores filmes escritos pelo roteirista.

7. Isolamento Mortal (Sick, 2022)

Décadas depois de revolucionar o slasher, Williamson mostrou que ainda sabia brincar com as regras do gênero. Em ‘Sick’, escrito ao lado de Katelyn Crabb, duas amigas decidem passar a quarentena da pandemia de Covid-19 em uma casa isolada — até perceberem que não estão sozinhas.

É um filme pequeno, rápido, brutal e que recupera justamente uma das maiores qualidades dos primeiros trabalhos de Williamson: pegar algo extremamente contemporâneo e transformá-lo imediatamente em matéria-prima para um slasher. O longa conquistou 86% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.

É uma grata surpresa esse filme e carrega todo o DNA do Williamson.

6. ‘Halloween H20: 20 Anos Depois’ (1998)

Embora Williamson não tenha recebido crédito como roteirista na versão final, sua participação criativa como produtor executivo foi fundamental para o projeto. E basta assistir ao filme para perceber como Halloween H20’ carrega o DNA da onda pós-‘Pânico’.

O longa trouxe Jamie Lee Curtis de volta como Laurie Strode e apresentou uma protagonista traumatizada tentando reconstruir sua vida enquanto Michael Myers retorna. O filme ajudou a colocar novamente uma das maiores franquias do terror no centro da cultura pop justamente no auge do renascimento dos slashers.

Sem contar que Michelle Williams estava no início da carreira e já mostrando seu poder e Josh Hutcherson brilhando demais como o protagonista.

5. ‘Prova Final’ (1998)

Dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Williamson, Prova Final’ (The Faculty) pegou a fórmula adolescente que estava dominando o terror e levou tudo para a ficção científica. Na trama, estudantes começam a suspeitar que os professores de sua escola estão sendo substituídos por criaturas alienígenas.

O elenco virou uma verdadeira cápsula do tempo dos anos 90, reunindo Josh Hartnett, Elijah Wood, Jordana Brewster, Clea DuVall, Shawn Hatosy e Usher, além de nomes como Salma Hayek e Famke Janssen. Não teve o impacto de ‘Pânico‘, mas conquistou status cult e representa perfeitamente aquela geração do terror. A paranoia constante dos adolescentes tentando descobrir quem são os invasores de corpos é extremamente bem construída e rende momentos memoráveis…

4. ‘Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado’ (1997)

Se Pânico abriu as portas, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado provou que havia uma nova febre acontecendo. Adaptando o livro de Lois Duncan, Williamson contou a história de quatro jovens perseguidos por um misterioso assassino com um gancho depois de tentarem esconder um acidente ocorrido no verão anterior.

Com Jennifer Love Hewitt, Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe e Freddie Prinze Jr., o filme se transformou em um dos símbolos absolutos do terror adolescente dos anos 90. Curiosamente, ele abandona boa parte do humor metalinguístico de ‘Pânico‘ para abraçar uma estrutura de slasher muito mais tradicional.

A cena de perseguição da Sarah Michelle Gellar é até hoje a melhor perseguição da história do cinema slasher.

3. ‘Pânico 4’ (2011)

Onze anos depois de ‘Pânico 3‘, Williamson voltou a Woodsboro ao lado de Wes Craven para mostrar que a franquia ainda tinha muito a dizer. Desta vez, o alvo eram os remakes, reboots, a fama na internet e uma geração disposta a praticamente qualquer coisa para se tornar conhecida.

O mais curioso é como Pânico 4’ envelheceu bem. Várias de suas provocações sobre redes sociais, celebridades instantâneas e pessoas transformando tragédias em conteúdo parecem ainda mais atuais hoje do que em 2011. A prima só queria ser famosa. Que perturbador. A melhor revelação da história do cinema e um filme muito a frente do seu tempo.

2. ‘Pânico 2’ (1997)

Fazer uma sequência de um filme que passava boa parte do tempo ironizando sequências parecia uma missão impossível. Williamson encontrou justamente aí a piada.

Lançado apenas um ano depois do original, Pânico 2’ leva Sidney Prescott para a faculdade enquanto uma nova onda de assassinatos começa. O roteiro amplia a mitologia, desenvolve Sidney, Gale e Dewey e ainda transforma as próprias regras das continuações em combustível para a história. A produção permanece como uma das sequências mais celebradas da franquia. A metalinguagem da história do primeiro filme virando um filme transformou a franquia para sempre, e foi uma das sacadas mais geniais da história. Ele impulsionou o terror que estava estagnado e sem grandes inovações e abriu um leque de possibilidades na franquia.

1. ‘Pânico’ (1996)

Não poderia ser outro.

O roteiro de Pânico é uma daquelas raras ideias que parecem óbvias depois que alguém as inventa. Williamson percebeu que uma geração inteira havia crescido assistindo a ‘Halloween‘, ‘Sexta-Feira 13‘, ‘A Hora do Pesadelo‘ e dezenas de imitadores. Então, por que os personagens de um novo slasher continuariam tomando decisões como se nunca tivessem visto um filme de terror?

Foi dessa pergunta que nasceu uma revolução.

Com Sidney Prescott (Neve Campbell) enfrentando Ghostface enquanto seus amigos discutem as famosas “regras” necessárias para sobreviver a um filme de terror, Williamson desconstruiu o slasher sem deixar de entregar um excelente exemplar do gênero. E Wes Craven, justamente um dos cineastas responsáveis pela geração anterior do terror, foi o diretor perfeito para transformar aquele roteiro em um clássico.

A inesquecível abertura com Drew Barrymore, as regras de Randy, a personalidade de Gale Weathers, o mistério envolvendo Billy e Stu e a revelação final ajudaram a transformar o filme em um fenômeno cultural. Três décadas depois, Hollywood ainda tenta reproduzir aquela mistura perfeita de humor, suspense, violência e metalinguagem.

Pânico’ não apenas sobreviveu aos anos 90. Ele mudou o terror para sempre — e transformou Kevin Williamson em um dos roteiristas mais importantes da história moderna do gênero.

E eu entrevistei o Kevin Williamson:

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Renato Marafon
Renato Marafonhttps://cinepop.com.br/
Editor-chefe e criador do site CinePOP, apaixonado por cinema e filmes.