Crítica | O Jogo do Predador – Charlize Theron IMBATÍVEL Contra Taron Egerton em Ação da Netflix

CríticasACrítica | O Jogo do Predador – Charlize Theron IMBATÍVEL Contra Taron Egerton em Ação da Netflix

Ser mulher na sociedade é um desafio diário, em qualquer país, em qualquer cultura. Todos os dias é preciso provar valor, competência, convencer que conseguimos exercer determinada função, que damos conta, que o gênero não é impeditivo de nada. E, acima de tudo, todos os dias as mulheres precisam sobreviver; num mundo em que os homens matam mulheres pelo mero motivo de serem mulheres, todo dia é uma luta para sobreviver coletivamente. E claro, falamos isso de um modo geral, baseado nas notícias frequentes que ocorrem. Mas, metaforicamente, também o cinema trabalha esse tema, e podemos vê-lo ilustrado bem explicitamente no thriller de açãoO Jogo do Predador’, lançamento recente da Netflix.

Sasha (Charlize Theron, de ‘Branca de Neve e o Caçador) é uma mulher viciada em adrenalina e esportes radicais. O limite para ela é uma palavra que não existe, por isso, o próximo desafio tem que ser sempre melhor, mais perigoso, mais alto. Só que seu companheiro, Tommy (Eric Bana, de ‘Munique’), já está um pouco cansado de tanta adrenalina. E, enquanto escalam uma imponente montanha, um trágico acidente acaba ceifando a vida de Tommy. Meses se passam, Sasha ainda sentindo falta de Tommy, decide viajar até a Austrália, país natal de seu companheiro, para, lá, viver uma nova aventura inesquecível que a leve ao limite. Porém, o que ela não esperava era que no caminho ela conhecesse Ben (Taron Egerton, de ‘Rocketman’), um homem bem-educado e prestativo, mas cujo interesse em Sasha parece ir por outros caminhos.

Não dá para esperar que ‘O Jogo do Predador’ seja um filme complexo, pois já após os dez minutos iniciais, quando o passado da protagonista é apresentado e se torna a motivação do filme, o espectador já entende que, a partir desse momento, tudo é consequência daquele momento primeiro em que a protagonista perdeu algo valioso e tudo mudou em sua vida. O grande lance é como o roteiro faria para ela usar suas próprias habilidades (que a levaram à situação do início do filme) como mecanismo de volta por cima.

E o roteiro de Jeremy Robbins até faz isso, e essa é a melhor parte técnica do filme – embora o roteiro também não seja grandes coisas. É que se por um lado ele encontra mecanismos de usar a mesma ferramenta de danação da protagonista como veículo de ascensão, por outro lado ele entrega pontos cruciais da história de bandeja – para a protagonista e para o espectador. Por exemplo, quando Ben se mostra ser outra pessoa que não o cara bonzinho que parecia ser, não é Sasha quem descobre isso, ele simplesmente fala isso pra ela, do nada, no meio de um papo. Ficou gratuito demais, e o espectador não gosta de informações cruciais entregues gratuitamente; a gente gosta de descobrir as coisas, senti-las, e não ser meramente informados.

Quem se destaca mesmo em ‘O Jogo do Predador’ é Charlize Theron. Não só pelo seu físico complemente em forma, mas, acima de tudo, por suas habilidades e disposição em realizar cenas de ação que incluem perseguição, correria, quedas, cenas debaixo d’água, rolar na floresta, se sujar, bater, apanhar. Ainda que possivelmente aqui e ali tenha havido algum dublê, as cenas em que claramente vemos Charlize em ação convencem e muito: ela é uma ótima atriz para esse gênero de filme e mostra que sabe o que está fazendo.

Misturando gêneros (começa na aventura, vai pro drama, depois ação e termina com thriller), ‘O Jogo do Predador é um entretenimento metafórico, cujo título em português entende a metáfora e a aponta ao espectador: não é apenas um filme de troca de socos, e sim uma história que Charlize/Sasha monstra que a mulher não tem nada de sexo frágil. E é disso que se trata o filme de Baltasar Kormákur.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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