Muitas obras audiovisuais invadem contextos parecidos aos de outros projetos. As semelhanças cansam de aparecer em nossa frente, mas uma questão é sempre um divisor de águas quando pensamos em narrativas que se diferem: o ponto de vista. E isso, meus amigos e amigas, é fundamental!
Criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, The Boroughs, nova série da Netflix, vem conquistando o público. Não à toa, rapidamente após seu lançamento nesse mês de maio, já ocupa o Top 10 da líder dos streamings.
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Essa obra pode ser entendida como algo próximo de Stranger Things – para algumas pessoas quase um multiverso da badalada série -, mas dessa vez com o foco em personagens mais maduros que estão presos em uma situação sobrenatural. Essa aproximação com a badalada produção de Eleven e companhia acontece principalmente pelo fato de a série ser produzida pelos irmãos duffer, criadores de Stranger Things. Mas, há muitas diferenças entre as duas obras. Então, não fique achando que tudo é muito parecido.

Sam (Alfred Molina) é um engenheiro aposentado que vive um intenso luto pela morte recente de sua esposa. Entrando em acordo com a filha Claire (Jena Malone), ele resolve se mudar para uma comunidade de aposentados em uma região desértica dos Estados Unidos, onde tudo parece perfeito. Mas, em poucos dias, Sam perceberá que esse lugar esconde segredos sobrenaturais e vai contar com a ajuda de novos amigos da vizinhança para desvendar todos esses mistérios.

A narrativa é bem objetiva, o que deixa algumas pontas soltas. Ao longo de oito episódios, a sugestação dá espaço ao fato mostrado, recheando o desenvolvimento dos personagens com subtramas que não deixam na superfície as camadas que se abrem. Essa fórmula consegue manter a alta tensão através também dos ótimos e carismáticos personagens.

Os ‘monstros’ aqui tem muitos sentidos. No aparente sobrenatural que chama a atenção, o que mais se revela são relações deterioradas pelo tempo, as dores do luto que insiste em não se romper, as falhas morais, o lidar com a iminência da morte. Como vocês podem perceber, são questões que nosso mundo convive de perto e mas que nessa obra ganham uma lapidada do mistério e fantasia, nos convidando a todo instante para uma aventura madura, com o pés no chão.

Assim, esse projeto alcança rapidamente reflexões presentes no cotidiano da humanidade e a nossa necessidade de tentar entender a vida e a morte, sem precisar entrar em contextos filosóficos ou complicar algo que está explícito em muitos diálogos e ações dos personagens. Essa simplicidade de entregar o entretenimento de forma natural aproxima mais que afasta – um dos méritos mais visíveis do projeto.

The Boroughs cumpre muito bem sua primeira jornada e, o mais importante, convence. Além disso, abre espaço para futuras imersões nesse universo, há lacunas não preenchidas – principalmente sobre a origem dos acontecimentos sobrenaturais. Pode ser que nossos carismáticos heróis ambivalentes, muitas vezes desajustados e cheios de traumas e inseguranças, voltem para mais uma aventura. Eu daria o play.



