O que faz uma boa comédia romântica ficar no imaginário do público? Podem ser os personagens, a química entre eles, a trilha sonora, a paisagem… mas, no fundo, a história tem que ser boa, a gente precisa se apaixonar pela jornada dos protagonistas e, no fundo, sentir profundamente o que eles estão sentindo. Agora, imagina conseguir construir tudo isso em um filme e, ao mesmo tempo, passar a sensação de estar se autossabotando? Pois é o que acontece com a comédia romântica ‘Paixão de Escritório’, atual Top1 da Netflix e grande lançamento da semana para as férias de verão nórdicas e a semana dos namorados aqui no Brasil.

Jackie Cruz (Jennifer Lopez, de ‘Case Comigo’) é a herdeira e CEO da Cruz Airlines, uma grande companhia de aviação nos EUA. Mas, ser importante e rica tem suas consequências: Jackie é sozinha e não consegue se relacionar com ninguém. Pior ainda: atualmente está sendo processada por supostamente ter se relacionado fisicamente com o responsável do aeroporto de Atlanta em troca de, assim, conseguir a concessão para operar no local. Para se defender de uma acusação tão absurda, Jackie recorre a Daniel Blanchflower (Brett Goldstein, da série ‘Falando a Real’), advogado suplente da empresa, mas, já na primeira reunião Daniel deixa bem claro como se sente com relação a Jackie, e, a partir daí, uma informação tão evidente não passa despercebida à CEO, e ela começa a olhar para ele com outros olhos…
Escrito por Joe Kelly (criador de Ted Lasso) e Brett Goldstein (que coestrela o longa), ‘Paixão de Escritório’ tinha tudo para ser um filme legal… mas estraga. O filme segue bem a linha de um grande sucesso do gênero, ‘A Proposta’ (estrelada por Sandra Bullock e Ryan Reynolds) em que ela é a dona de uma editora, só que por ser canadense ela precisa fazer manutenção do vínculo e, para isso, cria um relacionamento de fachada com seu estagiário para conseguir, assim, a cidadania estadunidense, mas, óbvio, no meio do caminho os dois se apaixonam. Em ‘Paixão de Escritório’ o rolê é o mesmo: Daniel é um imigrante inglês que precisa manter o emprego para não perder o visto, e, por isso, não pode se entregar à paixão com a CEO, sem contar as normas da empresa que proíbe relacionamento entre colegas de trabalho e o fato de Jackie estar sendo processada justamente por isso. Por ele ser o advogado e interessado no caso, é claro que as regras rapidamente são esquecidas pelo casal, que acabam se envolvendo.

Se a história ficasse só nisso, ok, super certo, até porque é uma trama que a gente reconhece, com personagens carismáticos que têm química. Mas o roteiro se sabota, e isso ocorre de maneira tão inesperada, que não dá nem pra fingir que não aconteceu. Sem dar spoilers, mas é como se no meio do romance fofinho entrasse uma piada grotesca a la Adam Sandler, com situações bem gráficas sobre o que está acontecendo. Para dar apenas um exemplo: quando os protagonistas se conhecem, eles apertam as mãos e Daniel literalmente fica de pau duro – e isso mostra no filme. Totalmente desnecessário, quebrando o clima da cena.
E como episódios como esse são recorrentes ao longo do filme, isso só demonstra o extremo mau gosto do diretor Ol Parker (que tem mais experiência em roteiros, como de ‘Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo), por manter essas cenas em primeiro plano, constrangendo e pegando o espectador desprevenido com tamanha grosseria. Parece até que alguém foi contratado apenas para inserir essas cenas nada a ver na história para não ficar romântica demais.
Deveria haver uma opção de ‘Paixão de Escritório’ sem tais momentos bizarros – e, aí, seria um filme bom. Mas, do jeito que está sendo exibido, parece um grande deboche para quem gosta de comédias românticas e acaba se deparando com esse filme.





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