Um objeto gigantesco perdido em uma cidade, engolido pelo tempo e deixando rastros de memórias. Seguindo por essa vertente, chegamos até o engenhoso curta-metragem Cinzenta: Inventários da Chaminé, uma produção mineira dirigida por Natália Reis que mescla o passado e presente virando um registro fundamental de um lugar.
Terceiro filme de um set que conversa bastante entre si pelos seus temas propostos na Mostra de Curtas Contemporâneos da CineOP 2026, essa obra consegue um ganho profundo em sua narrativa imersiva ao lidar com o tempo como variável importante, de forma a deixar os depoimentos que se somam com indicações atemporais.
Entre os sonhos, fumaça e cinza, chegamos até um conjunto de registros históricos mergulhados em um lado pessoal da própria diretora e sua família, com depoimentos que ajudam a decifrar as reflexões sobre o tal objeto gigantesco que ficou esquecido após o declínio da maior produtora nacional de carbureto de cálcio, fundada na década de 1960 por uma empresa belga e, quatro décadas depois, vendida a um grupo norte-americano.
Por meio de imagens que chamam a atenção, uma espécie de raio-x ilustrativo da região conhecida como a Terra do Pai da aviação, a grande sacada da produção é se inspirar por uma obra da escritora polonesa Olga Tokarczuk e transformar a presença de uma chaminé da antiga Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio em um personagem que unifica um registro fundamental.
Este filme nos faz pensar sobre as memórias e os esquecimentos evidentes que marcam regiões de nosso país. Ao revisitar o passado, abre-se um paralelo com o presente e com aquilo que pode se esperar do futuro. Interessante.



