Crítica | ‘Sacas de Areia’ – Uma fábula urbana que abraça o sonhar [Festival Cinemato 2026]

Caminhando pelas amarguras de uma rotina sem muitas esperanças, mas tendo a força do sonhar como uma saída para as incertezas do presente, o simpático curta-metragem mato-grossense Sacas de Areia contorna um recorte no cotidiano de uma senhora, moradora de Cuiabá, compreendendo o novo momento de sua vida em meio às frustrações e a esperança de dias melhores.

Dona Nena (Bia Correa) mora em uma casa humilde no subúrbio de Cuiabá com seus netos. Após ser diagnosticada com uma hérnia, é demitida do trabalho. Não deixando de ser mais um recomeçar, passa a vender bolos para ajudar na renda da família. Quando ganha uma assistente virtual Alexa no bingo, começa a perceber os sonhos chegando com intensidade, mas as decepções também.

Trazendo paralelos com o dia a dia de muitos de nós, brasileiros que lutamos pelo nosso ganha-pão, pegando aquele ônibus lotado, convivendo com os problemas da cidade e juntando no limite o dinheiro para pagar as contas em dia, essa obra nos leva direto para um espelho social certeiro e de fácil assimilação. Utilizando o humor e o drama, na medida correta, desenvolve com fluidez suas poucas, mas profundas reflexões.

A trama se arrisca em um contemplar mais do que se desenvolver em camadas, fato que estaciona a narrativa em um cantinho de poucos caminhos. Mesmo assim, tem o sonho como elemento alegórico para abordar a vida na cidade, sem esquecer de traduzir, em sentimentos conflitantes, as lições do afeto, as interações da melhor idade com a tecnologia e desfilar, mesmo que de maneira superficial, por alguns problemas sociais.

Com roteiro de Giovanni Ojeda e direção de Raphael Henrique, o projeto, selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens do Festival Cinemato 2026, insiste em explorar as relações familiares com a ternura do encontro com a liberdade que vem com os sonhos.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.