No início da década de 1960 chegaria às paradas musicais uma canção escrita pelo compositor, e doutor em zoologia pela Universidade de Harvard, Paulo Vanzolini que ultrapassaria gerações e se tornaria um hino de toda aquela pessoa que, mesmo diante dos tropeços que se mostram constantes, respiram fundo e transformam as eventuais quedas em um propósito para seguir em frente. Estamos falando de Volta por Cima, música que encaixa como uma luva no que acompanhamos ao longo de 14 minutos no curta-metragem chileno Futura Licenciada.
Na trama, somos convidados a acompanhar recortes do cotidiano de uma jovem chamada Emilia (Constanza Rojas), que está à beira de concluir seu curso universitário. Nesse momento decisivo de afirmação profissional, ela se vê diante de uma situação que para muitas pessoas é um verdadeiro vendaval, tirar a carteira de motorista. Essa tentativa, de agradar seu próprio planejamento, acaba sendo um divisor de águas na busca pela tão sonhada independência.
Selecionado para a mostra competitiva sul-americana de curtas-metragens do Bonito CineSur 2026, este projeto, dirigido por Samantha Copano e Florencia Peña, é um singelo e reflexivo retrato de uma geração que busca, nos percalços da vida, ou mesmo naquela angústia de precisar preencher lacunas sociais que atropelam outras prioridades, um novo sentido de existência através das perspectivas que se abrem.
Com uma narrativa que avança pela dramédia de maneira ágil e envolvente, onde a fluidez aparece de forma natural estabelecendo um vínculo rápido com o público, o filme encontra leveza em situações que poderiam ser enxergadas como algo emocionalmente complexo.
Esse interessante trabalho, que não reinventa a roda quando o assunto é linguagem e mesmo assim se consolidando com sua abordagem convencional, nos leva a revisitar o nosso próprio passado, despertando lembranças sobre aqueles momentos que sabemos que são decisivos, provocando reflexões exatamente sobre as formas como passamos por eles.


