Jessie Ware tem tido uma carreira impressionante não apenas em sua terra natal, o Reino Unido, como no restante do planeta – tendo alcançado fama mundial ao se apresentar em diversos festivais ao redor do mundo. Já nos tendo agraciado com sua presença, Ware encontrou um espaço de pura expressão artística e talento inegável ao alcançar um patamar prestigiado com o lançamento de ‘What’s Your Pleasure’, compilado que a catapultou aos holofotes através de faixas eximiamente bem construídas e performadas, mergulhando em uma elegante, sedutora e apaixonante jornada fonográfica.
Pouco depois, a cantora e compositora se lançou a esquadrinhamentos mais sensuais e despojadas com o irretocável ‘That! Feels Good!’, que ocupou o primeiro lugar da nossa lista de Melhores Álbuns de 2023. Apostando fichas no disco, no funk, no R&B e no synth, a artista reencontrou-se com a beleza da ocupação que se dispôs a ter para não só manter-se fiel a algo que já havia explorado, mas abrindo espaço para outras aventuras. Três anos depois de sua última obra, ela retornou aos holofotes com um antecipado sexto compilado de originais, intitulado ‘Superbloom’, que foi lançado em abril deste ano e que contou com ótimos singles promocionais – incluindo “I Could Get Used to This”, “I Ride” e “Automatic”.
Quatro meses mais tarde, Ware mostrou que ainda não havia terminado com sua nova era musical e nos presenteou com a oficialização de uma das faixas mais quentes do álbum como single: “Sauna”. Acompanhada de um dos videoclipes mais despojados e envolventes da discografia da performer – e que denota uma espécie de modernização em relação à estética que vem desenvolvendo desde o álbum de 2020 -, a canção reúne todas as incursões que já nos agraciou ao longo de sua carreira, desde o synth-pop, passando pelo techno-wave e culminando no hi-NRG, em uma exploração coesa e vibrante da sensualidade de que sempre falou com tanta propriedade.
Ware é conhecida por um trabalho de composição exímio, que mergulha em duplos sentidos, ambiguidades, ironias e sarcasmos deliciosamente bem elaborados que aparecem em cada uma de suas produções – e isso não seria diferente em “Sauna”. Através de breves três minutos, a artista promove um retorno aos anos 1970 e 1980 com uma atmosfera retrofuturista esquadrinhada por nomes como Giorgio Moroder, Diana Ross e Donna Summer, sem deixar de lado suas conhecidas e instigantes peculiaridades. Desde versos mais incisivos como “eu quero os caras que procuram diversão em cada canto do spa” até os intrigantes “suba a bordo da minha carruagem”, cada elemento é pensado com exímia.
E é claro que essa ambientação saudosista e impulsionada por cada explosão de sintetizador e cada saborosa batida de uma bateria ecoante não seria possível sem a presença do lendário Stuart Price na produção, dividindo a função com Karma Kid para um encontro multigeracional que traz elementos já explorados nas discografias de Madonna, Dua Lipa, Kylie Minogue e tantas outras – nos deleitando com apenas o que podemos considerar o melhor single de ‘Superbloom’ até agora.
Lembrando que o álbum completo já está disponível nas plataformas de streaming.


