Os mistérios da mente e o estado emocional são o pontapé inicial de um dos candidatos da competição de longas-metragens de ficção da Première Brasil do Festival do Rio 2026. Inspirado em pesquisas científicas reais, Oceânico mistura drama e suspense em uma trama que bate forte na tecla da importância da pesquisa em um país marcado pelos diversos tipos de violência.
Ambientado no Rio de Janeiro, acompanhamos um roteiro que liga as percepções de mundo – algo na linha do que pensava o francês Romain Rolland e que foi debatido por Freud a partir do conceito de ‘sentimento oceânico’ – até às duras realidades que se mostram presentes em uma cidade que, muitas vezes, parece uma terra sem lei. Uma junção que funciona por meio de um roteiro que preenche lacunas com acontecimentos, sem sugestões, sendo objetivo a todo instante.

Na trama, acompanhamos a história da neurocientista Adyr (Ana Carbatti), uma pesquisadora de renome mundial de um hospital universitário na capital carioca, que consegue, por meio da medicina psicodélica, concluir um estudo promissor para combater o alcoolismo – pesquisa que iniciou com o marido, falecido anos atrás em decorrência da própria doença. Com essa grande novidade no campo da medicina, Adyr se torna alvo de pessoas que querem roubar seus estudos, precisando tomar drásticas decisões para defender sua família e a si mesmo.

Dirigido por Guilherme Coelho e com um roteiro assinado pelo próprio diretor, Josefina Trotta, Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub e Vinícius Spanghero, a obra nos convida a entrar em várias portas. Uma delas é um campo repleto de possibilidades: a neurociência, que busca caminhos, por meio de pesquisas, para as mais aflitas ansiedades que invadem, sem descanso, a mente de muitos de nós.
Crítica | ‘Reteté’ – A pressão silenciosa aos olhos de uma criança (Festival do Rio 2026)
Esse tema, a saúde mental, largamente explorado por inúmeras situações que vivemos em nossas vidas e que vão de encontro aos mistérios da mente humana, nos é apresentado através de uma protagonista que é cientista e mãe, e que precisa enfrentar um mundo que não esconde os preconceitos que a cercam.

A importância do campo científico através da pesquisa é um forte elemento que nos guia para os desenrolares de um mix de situações. Quando avança para o suspense, a trama apresenta a sabotagem científica e as ações da milícia, criando um mosaico bem amplo que correlaciona as ações e consequências de seus personagens.
Crítica | ‘Maria Vitória’ – A goleira que descobre o amadurecer (Festival do Rio 2026)
Oceânico é também sobre a sensação de pertencimento, aqui representada por gangorras que nos levam até os altos e baixos quando relacionados ao sufocante cotidiano e às sensações de relações em um mundo também difícil de explicar.


