Diversidade sofre QUEDA significativa em séries norte-americanas e passa a ser considerada “opcional”, diz reportagem

A televisão norte-americana está vivendo um retrocesso na representatividade, após anos de avanços. Pelo menos é o que diz a nova reportagem especial do The Hollywood Reporter.

A queda teria ficado evidente no Emmy deste ano, que terminou sem nenhum vencedor não branco nas categorias de atuação — um resultado que reacendeu a discussão sobre o movimento #EmmysSoWhite.

“Os Emmys refletem o trabalho que chega às telas. Os resultados deste ano são outro lembrete de que o progresso não é linear”, declarou Cris Abrego, presidente da Academia de Televisão, ao Hollywood Reporter.

Dados da UCLA confirmam a tendência. A proporção de protagonistas não brancos nas produções de streaming caiu de 51% em 2024 para 36% em 2025, ficando abaixo da representação desse grupo na população dos Estados Unidos. No mesmo período, a quantidade de filmes de streaming com elencos majoritariamente formados por pessoas não brancas caiu de 41% para 25,8%.

Para criadores entrevistados pela reportagem, a diversidade passou a ser tratada pelos estúdios como uma iniciativa opcional, e não como parte essencial da indústria. Após os protestos do Black Lives Matter em 2020, empresas como Netflix, Disney, Amazon, Paramount e Warner Bros. Discovery anunciaram compromissos com inclusão, mas vários desses programas foram reduzidos ou abandonados nos últimos anos.

O recuo também acontece apesar dos resultados comerciais. Um relatório do Latino Donor Collaborative estima que a indústria poderia gerar entre US$ 12 bilhões e US$ 18 bilhões a mais por ano com uma representação latina adequada no cinema e na televisão. Além disso, produções com elencos diversos continuam entre as mais bem-sucedidas, como ‘The Pitt’, vencedor do Emmy de Melhor Série Dramática, e ‘Abbott Elementary‘, uma das comédias mais assistidas da ABC.

Ana-Christina Ramón, pesquisadora da UCLA, afirmou ao Hollywood Reporter que a redução da diversidade está ligada a um “viés sistêmico” e ao retorno de uma mentalidade antiga, dominada por homens brancos. Para os profissionais ouvidos pela publicação, o problema não é apenas a falta de reconhecimento, mas a diminuição das oportunidades para que histórias e talentos diversos sequer cheguem às telas.

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