Uma das grandes sacadas do Festival do Rio é exibir, em algumas sessões da Première Brasil, em uma única sessão, um curta-metragem e longa-metragem. Patinho feio do universo audiovisual, é nesse primeiro formato onde encontramos interessantes ideias colocadas com coragem em tela, utilizando de uma experimentação infinita que a linguagem oferece.
Assim, antes da sessão do ótimo documentário A Vida Extraordinária de Vera Valdez (que publicaremos a crítica em breve aqui no Cinepop), chegamos até o interessante, e bem imersivo, curta-metragem Fissuras, escrito e dirigido por Diana Coelho. Um filme que conecta os pontos do inconsciente a uma sensação de ausência.

Mexendo com as memórias esquecidas que acabam retornando após o estopim provocado pela saída de um ente querido de um lugar, acompanhamos uma mulher que volta a morar sozinha e começa a viver situações que a perturbam. Ao longo dos dias, nesse novo momento de sua vida, precisa tomar algumas decisões sobre como compreender o que está sentindo.
Esse filme mexe com a questão emocional e, principalmente, no conceito de ‘ninho vazio’. A mente pode pregar algumas peças quando se vê diante de novos horizontes, em que o medo e a insegurança mexem com nosso comportamento. Sem elucidar a ausência de forma direta, o filme acessa as possibilidades da linguagem ao utilizar o elemento silêncio como catalisador de uma atmosfera que ruma para osuspense.
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Sugerindo mais que explicando, Fissuras compre seu papel de nos deixar, ao longo de seus 13 minutos de projeção, com os olhos atentos e reflexões que chegam bem depois que o filme acaba. Um bom experimento.


