Em um movimento raro para os padrões atuais da indústria, o terror ‘Obsessão‘ vem desafiando a lógica tradicional das bilheterias e mostrando ter “pernas longas” ao registrar crescimento contínuo a cada fim de semana — um fenômeno que dados do Box Office Mojo ajudam a dimensionar com precisão.
O longa estreou com cerca de US$ 17 milhões em seu primeiro fim de semana. Em vez da queda esperada — que normalmente gira entre 40% e 60% para grandes lançamentos — o filme surpreendeu ao subir para aproximadamente US$ 22 a 24 milhões na segunda semana, um aumento de cerca de +39%, algo praticamente inédito para um lançamento amplo. Para se ter ideia, analistas estão comparando o sucesso do filme ao de ‘A Bruxa de Blair‘ (1999), que também teve baixo orçamento e surpreendeu nas bilheterias.
Esse crescimento não apenas contraria a tendência histórica do mercado nos últimos vinte anos, como coloca ‘Obsessão‘ em um grupo extremamente seleto de produções que conseguem manter a atenção do público nos cinemas. Segundo análises de mercado, a maioria dos filmes sofre quedas bruscas após a estreia, especialmente blockbusters — enquanto o terror, em casos raros, consegue se sustentar ou até crescer graças ao boca a boca.
Os números acumulados reforçam o fenômeno. Após apenas dois fins de semana, o filme já havia arrecadado cerca de US$ 79 milhões globalmente, saltando rapidamente para mais de US$ 148 milhões a US$ 150 milhões nas semanas seguintes . Considerando seu orçamento inferior a US$ 1 milhão, isso representa um retorno superior a 70 vezes o investimento inicial, um desempenho extraordinário mesmo para os padrões do gênero .
O contraste com grandes franquias torna o caso ainda mais impressionante. ‘O Mandaloriano e Grogu‘, por exemplo, estreou com cerca de US$ 167 milhões, mas seguiu a trajetória típica dos blockbusters, concentrando sua força no lançamento inicial e perdendo fôlego rapidamente nas semanas seguintes . Enquanto isso, ‘Obsessão‘ fez o caminho inverso: começou menor, mas cresceu com consistência — chegando inclusive a superar produções de grande orçamento em rankings semanais.
Esse comportamento reforça uma das maiores forças do terror no cinema contemporâneo: sua capacidade de gerar engajamento orgânico. Diferente de franquias que dependem de marketing massivo e fãs pré-existentes, o terror se apoia na experiência coletiva e na recomendação direta do público. Quando funciona, o efeito é multiplicador.
Para se ter uma ideia, o filme custou míseros US$ 750 mil, foi comprado pela Universal Pictures por US$ 15 milhões pelos direitos de distribuição global e nesse momento já soma US$ 148 milhões mundialmente.
O diretor novato Curry Barker já planeja sequências:
“Eu obviamente tenho alguns projetos que estou ansioso para tirar do papel, mas acredito que ‘Obsessão 2’ é possível. Talvez. O que realmente me deixa animado é a possibilidade de fazer uma série antológica, com cada episódio focando em um desejo diferente que sai completamente do controle. Talvez eu pudesse dirigir o episódio piloto com o mesmo diretor de fotografia. Então, outros cineastas poderiam trazer suas próprias visões [nos episódios seguintes].”
Além de ter alcançado 95% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes, o longa também conquistou os espectadores – recebendo uma rara nota A- para o gênero no CinemaScore –, o que deve ajudar na estabilidade da produção nas próximas semanas nas telonas.
Confira nossa entrevista com o cineasta Curry Barker, que já foi confirmado na direção do próximo filme ‘O Massacre da Serra Elétrica’.
O longa foi classificado pelo MPAA por “violência sangrenta e extrema, imagens sinistras, conteúdo sexual, linguagem persuasiva e breve nudez gráfica”.
Na trama, depois de quebrar o misterioso Salgueiro dos Desejos para conquistar o coração de sua paixão, um romântico incurável se vê conseguindo exatamente o que queria, mas logo descobre que alguns desejos têm um preço sombrio e sinistro.
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Curry Barker é responsável pela direção e roteiro.
O elenco conta com Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter.



