Animação brasileira “O Filho da Puta” é selecionada para Annecy, maior festival do gênero; veja os demais títulos brasileiros

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O longa-metragem brasileiro O Filho da Puta, dirigido por Érica Maradona, Otto Guerra, Tania Anaya e Sávio Leite, foi selecionado para a 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, realizada entre 21 e 27 de junho. O filme integra a mostra Contrechamp, dedicada a obras autorais e de linguagem mais experimental. O festival será aberto com a estreia de Minions e Monstros, produção da Universal Pictures, e reúne 44 longas-metragens distribuídos entre suas diferentes seções.

Além do longa, o Brasil terá seis curtas na programação. Após ficar fora da seleção do Festival de Cannes neste ano, a presença em Annecy recoloca a animação brasileira em destaque no principal evento mundial do setor, que também abriga um dos maiores mercados da indústria. A única animação brasileira indicada ao Oscar até hoje, O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu, venceu em Annecy o Cristal de Melhor Filme e o Prêmio do Público.

Sobre o filme




Com voz de Matheus Nachtergaele, O Filho da Puta é voltado ao público adulto e acompanha Ismael, um jovem que vive na pequena vila de Veredas, onde cresce na “Casa Rosa”, bordel administrado por sua mãe. Marcado pelo estigma do apelido que carrega, ele decide partir em busca de duas ausências centrais em sua vida: o pai e o oceano.

Com 75 minutos, o longa é uma coprodução entre a gaúcha Otto Desenhos e o Estúdio Anaya, de Minas Gerais. O filme também foi selecionado para o Animafest Zagreb, na Croácia. Otto Guerra é um dos nomes mais reconhecidos da animação brasileira, com títulos como Rocky & Hudson – Os Caubóis Gays (1995), Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006) e A Cidade dos Piratas (2018).

Curtas Brasileiros em Annecy

um corpo sem cavalo?, de Lara Fuke


Na categoria de filme de graduação, a estudante da UFF apresenta um curta de oito minutos que explora identidade e ausência. A obra é uma coprodução entre Brasil, Bélgica, Finlândia e Portugal. 

Cidade das Rosas, de Siso Barros e Barca Borgante


Voltado ao público adulto, o filme acompanha César, internado contra a própria vontade em uma instituição psiquiátrica. Entre memórias e visões, ele se agarra à lembrança de um amor como forma de resistência. A dupla combina animação de objetos, desenho e técnicas digitais 2D e 3D. 

Madrugada no Edifício Terezinha, de Cesar Cabral, Renato José Duque

Ambientado em São Paulo, o curta mistura mistério e animação com marionetes ao acompanhar um cuidador durante uma noite marcada pela presença da morte. Duque participou da série Angeli The Killer (2017), exibida no Canal Brasil. 

Arrigo Barnabé “Clara Crocodilo”, 1980, de Camila Kater, Samuel Mariani

Em formato de videoclipe, a animação revisita o universo da personagem Clara Crocodilo com técnicas de rotoscopia e desenho em película. Camila Kater dirigiu o premiado Carne (2019), exibido em festivais como Locarno e TIFF. Disponível no New York Times.

Lagoa do Abandono, de Diego Maia



Sem diálogos, o curta apresenta um casal de garças tentando sobreviver em meio à expansão urbana em um cenário ambientado em 2040. Diego Maia trabalhou em produções internacionais como
Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010) e Planeta dos Macacos: A Origem (2011).

Veja a lista dos longas em competição pelo prêmio Crystal:

  • Carmen, l’oiseau rebelle (Carmen, o pássaro rebelde), França, de Sébastien Laudenbach
  • Decorado (Decorado), Espanha, de Alberto Vázquez
  • In Waves (Em ondas), França/Vietnã, de Phuong Mai Nguyen
  • Le Corset (O corpete), França, de Louis Clichy
  • Le Dossier de l’aube (O dossiê do amanhecer), Reino Unido/França, de Rupert Wyatt, Alexis Bloom e Emilie Phuong
  • Le Violoniste (O violinista), Espanha, de Ervin Han e Raúl García
  • Lucy Lost (Lucy perdida), França, de Olivier Clert
  • Nobody (Ninguém), China, de Shui Yu
  • Tana (Tana), China, de Ji Zhao e Ke Er Zhu
  • Tangles (Emaranhados), Estados Unidos, de Leah Nelson
  • We Are Aliens (Somos alienígenas), Japão, de Kohei Kadowaki
Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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