Vencedora do Oscar e com mais uma indicação ao maior prêmio do cinema em seu currículo, a jovem estrela Anne Hathaway esteve no topo do mundo como uma das “donas” de Hollywood em meados da década passada. De lá para cá, no entanto, sua carreira parece ter desandado, saindo dos trilhos. São pelo menos cinco produções consecutivas que se tornaram fracasso de crítica e/ou bilheteria estreladas pela talentosa atriz nos últimos cinco anos, sem que Hathaway consiga um único sucesso nesse tempo. Assim, aqui em nossa nova matéria, iremos revisitar a carreira desta renomada intérprete e analisar mais de perto suas escolhas equivocadas nos últimos anos. Confira abaixo.

Anne Jacqueline Hathaway é nativa do Brooklyn, Nova York, e começou sua carreira nas telas em 1999 ao lado de Jesse Eisenberg na série Caindo na Real (Get Real), aos 17 aninhos de idade. O programa não vingou e foi cancelado logo em sua primeira temporada, mas o destino de Hathaway estava traçado e ela seguiu para estrelar o que seria a porta de entrada a fama: o infantil O Diário da Princesa (2001), da Disney – que ano passado completou 20 anos de lançamento. Com isso podemos perceber que Hathaway está ativa nas telonas há duas décadas, a tornando um dos nomes mais experientes de sua geração.

Três anos depois de sua revelação, e a atriz continuva “presa” a papeis inocentes em produções miradas para toda a família, como Uma Garota Encantada e a continuação de O Diário da Princesa. Foi nessa época também, em 2004, que Hathaway, uma soprano bem avaliada de Nova York, esteve na disputa pelo papel de Christine no musical O Fantasma da Ópera (2004), de Joel Schumacher, mas conflitos de agenda a fizeram desistir da personagem, que terminou nas mãos de Emmy Rossum.



Para evitar o estereotipo em personagens infantis, Hathaway decidiu ousar e demonstrar que já era mulher, e não mais uma menina – como Hollywood a enxergava no período. Assim, em 2005 vieram papeis mais arriscados e dramáticos em obras como Garotas sem Rumo (onde encarou suas primeiras cenas de nudez) e O Segredo de Brokeback Mountain – ambos desempenhos rendendo elogios para a atriz. Depois da nova investida, veio o segundo grande ponto de virada na carreira de Anne Hathaway: O Diabo Veste Prada (2006) – filme no qual atuou ao lado da irretocável Meryl Streep e pelo qual ainda é lembrada até hoje. O longa se tornou um fenômeno e serviria para marcar o grande sucesso da carreira da atriz – quiçá até hoje.

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O leque performático de Anne Hathaway estava aberto e ela seguia encarando personagens desafiadoras. Daí foi um passo para a primeira indicação ao prêmio máximo do cinema, o Oscar, que ocorreu aos 27 anos de idade, dez depois de sua estreia nas telinhas, em 2009 com O Casamento de Rachel, onde interpreta uma jovem problemática que vive entrando e saindo de clínicas de reabilitação, e precisa se manter “limpa” e longe de problemas para o casamento da irmã mais velha.

O status de superestrela foi alçado a partir disso, e logo Anne Hathaway estava por todos os lados, fosse como chamariz em comédias e romances (vide Noivas em Guerra, Idas e Vindas do Amor, Amor e Outras Drogas e Um Dia), dublando em animações famosas (vide Rio) ou como parte de superproduções que arrasavam nas bilheteiras (Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton). E nessa escalada podemos dizer que a atriz sentou no topo do mundo em 2012; primeiro por ser eleita a nova Mulher-Gato do cinema, sucedendo a inigualável Michelle Pfeiffer – mas não apenas isso, como adentraria o universo prestigiadíssimo do Cavaleiro das Trevas criado por Christopher Nolan, na conclusão da trilogia em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. E o melhor, Hathaway não fez feio na pele da anti-heroína. No mesmo ano, mais magra e abatida (tendo perdido peso para o papel), a estrela entregaria a performance que lhe renderia a vitória no Oscar, como a sofredora Fantine no musical operístico Os Miseráveis.



Teria sido Anne Hathaway, como tantas antes dela, vítima da chamada “maldição do Oscar”? Bem, não necessariamente, já que após sua vitória, a estrela seguiu em produções que se tornaram sucesso de crítica e/ou público – algumas das quais são enaltecidas até hoje, como Interestelar (em nova parceria com Nolan) e Um Senhor Estagiário (um O Diabo Veste Prada às avessas). A carreira da atriz começaria a sair dos trilhos há mais ou menos cinco anos, em 2016. Neste período ela participaria da continuação de Alice no País das Maravilhas (Alice Através do Espelho), blockbuster que quase ninguém deu atenção, e Colossal, drama de alto conceito que mistura cinema independente com filme de monstros gigantes. A ideia é boa, mas resultou num longa pouco visto e rapidamente esquecido.

O pior ainda estaria por vir, no entanto. Após a recepção no mínimo morna (para não dizer fria) e a falta de entrosamento do elenco de peso em Oito Mulheres e um Segredo (2018) – reimaginação só com mulheres para a franquia dos Onze Homens e um Segredo -, o que fez escoar para o ralo a possibilidade de uma sequência; Hathaway sentiria o peso do ano de 2019 em sua carreira. Primeiro a estrela protagonizaria o incompreensível Calmaria – pseudo thriller noir que prometia uma premissa interessante, mas renderia a reviravolta mais negativamente extasiante de anos recentes; não por menos se tornando um must nas listas dos piores dos últimos tempos. Depois seria a vez da refilmagem sem energia, sem alma, sem coração, sem gás e, o pior, sem graça As Trapaceiras – reformulação de Os Safados (1988), que mais uma vez substitui o elenco masculino pelo feminino, e coloca Hathaway em mais uma parceria sem qualquer química (desta vez com Rebel Wilson) e numa atuação extremamente forçada e desinteressada.

Com três flops em sequência, a carreira de Hathaway foi tomando danos e nem mesmo bons filmes como O Preço da Verdade a fariam tomar novo fôlego – em especial aqui por este ser um veículo para Mark Ruffalo, no qual muitos sequer lembram da participação da atriz. Hathaway, infelizmente, não teria espaço para manobra – já que seguiria com projetos como A Última Coisa que Ele Queria – execrado pela crítica (novamente figurando em muitas listas de piores) e esnobado pelo público -, o remake do cult Convenção das Bruxas (igualmente ignorado, mesmo tendo direção do prestigiado Robert Zemeckis); e encerrando (até o momento) a fase “nuvem negra”, Locked Down – o filme “sobre o confinamento”, o qual passamos durante o isolamento social devido à Covid-19. A ideia do pioneirismo para falar sobre o tema, um lançamento para a HBO Max, resultou em novo bater de ombros do público e desdém da crítica.



Nesse período de “vacas magras” para sua filmografia, um dos poucos acertos foi o episódio “Take me as I am, Whoever I am” da série Modern Love (2019), no qual Anne Hathaway interpreta uma jovem sofrendo de transtornos resultantes da depressão.

Uma tática que a estrela poderia aplicar em sua carreira para conseguir domar melhor a imprevisibilidade dos resultados de suas produções foi a utilizada pela colega Reese Witherspoon. Em baixa com seus filmes no cinema, Witherspoon resolveu ela mesma “pôr a mão na massa” e através de sua produtora selecionou a dedo os projetos que se envolveria. E para isso, a atriz precisou recorrer à TV, já que os bons papeis para mulheres nas telonas eram cada vez mais escassos. Assim nasciam Big Little Lies, Pequenos Incêndios por Toda Parte e The Morning Show – três grandes sucessos bancados e estrelados por Witherspoon (e grande elenco) para plataformas como a HBO, a Hulu (no Brasil Amazon) e Apple. Com a empreitada Witherspoon recuperou seu prestígio como uma das rainhas atuais de Hollywood e voltará às telonas em breve com Legalmente Loira 3 repleta de moral.

Anne Hathaway também já produziu seus próprios longas, mas suas escolhas foram por obras do cinema independente que passaram em branco pelo público e não causaram o impacto planejado (o ignorado Uma Canção e o citado Colossal). Em breve, Hathaway poderá tentar de novo com The Lifeboat, projeto dos sonhos para a atriz, o qual ela vem tentando tirar do papel há algum tempo. Produzido e estrelado por ela, trata-se da adaptação do livro de Charlotte Hogan sobre uma mulher indo a julgamento por assassinato, e relatando sua experiência como sobrevivente de um naufrágio – o problema é que o barco salva-vidas carregava pessoas demais. Fora isso, também estará no próximo filme de James Gray, o diretor de Ad Astra – Rumo às Estrelas, a ser lançado este ano. Trata-se do drama Armageddon Time, uma história de amadurecimento passada no Queens da década de 1980. Que bons ventos cheguem e tragam novo fôlego para a carreira desta talentosa jovem atriz.

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