Enredo atualiza elementos da personagem e mira, principalmente, no público jovem

Já há um certo tempo a HBO Max anunciou quais propriedades da DC Comics podem ganhar atenção do serviço em um futuro próximo. Essa estratégia se alinha com uma tendência vista inicialmente pela Netflix e depois pelo Disney Plus de concentrar recursos, algumas vezes bastante generosos, em produzir quaisquer projetos relacionados à suas propriedades (no caso da primeira houve a tentativa inicial com o Millarverso e com o segundo outras muito mais bem sucedidas com Star Wars e Marvel).

Uma dessas marcas é a a Batgirl, a icônica aprendiz\ajudante do Batman, cuja estreia foi na Detective Comics #359 em 1967, a qual equilibra uma vida entre vigilantismo em Gotham City e como a filha do comissário Gordon. Ainda que seja um personagem bastante antigo nos alicerces da DC (tendo uma participação considerável na série de TV dos anos 60) Batgirl carrega há muito o estigma de ter sido a mais famosa vítima do Coringa.

A Piada Mortal  é uma das grandes histórias do Batman de todos os tempos, não há dúvidas disso. Foi escrita por Alan Moore no auge da carreira e disposto a deixar uma mensagem social e/ou política em cada uma de suas obras; o traço e a coloração de Brian Bolland são icônicos, com o primeiro dando atenção para as expressões faciais de raiva do protagonista, dor da Batgirl e do pai, e do longo e velado sofrimento escondido por trás do sorriso do Coringa.



Atentado contra a vida de Bárbara Gordon se tornou elemento recorrente em suas histórias.

Seu esquema de cores supersaturadas (e por algum motivo abandonado na edição definitiva, lançada anos depois, que teve supervisão do próprio Bolland) permanece na mente do leitor, demonstrando que a obra tem atitude visualmente também. Além disso, ele também cumpre uma função narrativa em separar os dois Coringas apresentados: o atual, insano e perigoso cuja mente doentia é tão exagerada quanto as cores saturadas e o do passado, quando ainda era normal e tem sua tragédia contada em painéis mais amenos.

Entretanto, o elemento mais famoso dessa história é nada mais do que o ataque surpresa sofrido por Bárbara Gordon (um tiro disparado pelo Coringa), que a deixaria paraplégica, bem como o vilão ter tirado uma sequência de fotos íntimas suas, enquanto ferida no chão, que ele usaria mais tarde para torturar seu pai. Tamanho é o choque desse ato que até hoje é discutido por leitores se houve ou não uma agressão sexual por parte do Coringa em algum momento não mostrado na história.

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Esse foi um divisor de águas para a personagem; de elemento identificado como uma contraparte feminina do Batman, ela se tornou a vítima definitiva do Palhaço do Crime e sua cadeira de rodas tecnológica se consolidou como parte importante da sua mitologia. Apesar da personagem nunca ter caído de fato no esquecimento (mesmo paralisada da cintura para baixo ela assumiria o nome de Oráculo e agiria como suporte por meio de computadores) a violência sofrida por ela permaneceu presente.

Bárbara foi recriada como a vigilante Oráculo.

Até mesmo após o reboot geral da DC em 2011 conhecido como os Novos 52, que veio com a proposta de reiniciar do zero todos os personagens da editora, a nova visão sobre Bárbara era estranha. Ela voltara a andar após se submeter a uma cirurgia, porém isso indicou que a Piada Mortal, mesmo após um reboot geral, nunca deixou de persegui-la de fato.



Foi então que, em 2014, foi lançado o arco Batgirl of Burnside que tinha a proposta de reformular a heroína. Enquanto que o caminho seguido por ela na linha normal dos Novos 52 enveredava por uma abordagem mais sombria e pesada, Burnside propôs uma mudança de ares ao apresentar Bárbara como uma jovem universitária que se muda para a região homônima (um local mais estável próximo a Gotham).

Uma atualização muito interessante da personagem para um público mais jovem.

A história entrega alguns cameos (participações especiais) de personagens conhecidos, como a Canário Negro, mas seu grande diferencial é realmente retratar Bárbara Gordon como uma jovem que tenta equilibrar, e sofre com as consequências, sua vida normal com o vigilantismo; com isso, a DC encontra um curioso casamento entre um personagem improvável e a tradicional “fórmula Homem-Aranha”.

Sem a presença do Batman ou dos Robins, Bárbara precisa usar de seu intelecto para realizar suas próprias investigações e, muito parecido com o Sherlock de Robert Downey Jr., prever mentalmente rotas de fuga ou movimentos hostis de um inimigo. De quebra, o arco ainda apresentou uma atualização do traje roxo e amarelo apresentado em 1966, com detalhe para sua produção feito à mão pela própria Batgirl e que também remete ao Escalador de Paredes.

Com a dupla de diretores já decidida, Adil El Arbi e Bilall Falah (ambos de Bad Boys: Para Sempre), e Leslie Grace escolhida para o papel principal fica a expectativa de que o filme fuja de uma abordagem sombria, que é muito mais tradicional ao Batman, e invista em um olhar mais leve e próximo do dia a dia jovem para a aventura de Bárbara Gordon. 

 

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