Continuação do desenho é só exemplo mais recente de uma tendência

Os anos noventa foram um período verdadeiramente áureo para as adaptações animadas de quadrinhos. Batman: A Série Animada puxou esse tipo de produção e, principalmente, afastou do imaginário popular a antiga ideia de que desenhos animados com super heróis deveriam ser obrigatoriamente simplistas (tais como Superamigos; As Novas Aventuras do Batman e os antigos desenhos da Marvel).

 Vieram os prêmios e aclamação do público (tanto infantil, que via os episódios como uma diversão como os adultos que percebiam o respeito aos quadrinhos), o que consequentemente motivou o surgimento de mais produções similares. Ainda em 1992 outra adaptação animada de uma propriedade quadrinesca ganharia as telinhas junto ao Batman.

As aventuras dos X-Men já estavam no mercado há pelo menos 30 anos à altura que sua série animada foi ao ar, na antiga Fox Kids. A produção não era exatamente algo inédito no mercado, visto que em 1989 houve uma tentativa de dar vida aos mutantes no piloto animado Pryde of the X-Men.



“Pryde of the X-Men” foi o protótipo da clássica animação

Entretanto, a recepção não foi tão unânime do público como viria a ser poucos anos depois; o tom infantil da produção acabou indo na contramão do que estava ocorrendo nos quadrinhos (já que os anos 80 foi o período em que o autor Chris Claremont estava obtendo bastante sucesso com suas histórias sobre dramas sociais vividos pelos mutantes).

Com duração de cinco temporadas, a nova empreitada se propôs a seguir mais fielmente o que se estava trabalhando nos quadrinhos; tão fielmente que até o traço da animação ecoava semelhanças com os modelos do material fonte (bem como um pouco também com brinquedos, facilitando uma eventual produção e venda de produtos da marca para os espectadores infantis).

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Em 1994 a Marvel produziu outra adaptação, dessa vez mirando o Homem – Aranha. Utilizando a mesma estratégia de sucesso de dois anos antes, a série animada do Homem-Aranha foi um misto de abordagens alinhadas a visão que originalmente Stan Lee e Steve Ditko tinham para o personagem somados a um designer que facilitava a comercialização de brinquedos.

 



Animação de 94 foi essencial para captar uma nova geração de fãs

O que todas essas produções tem em comum, além do material fonte vir da mesma indústria, é o fato de terem ajudado a consolidar um nicho muito específico na televisão. Dessa maneira, não surpreendentemente, inúmeras outras produções de quadrinhos, algumas delas readaptando os mesmo super heróis que das mencionadas séries animadas, vieram a surgir nos anos seguintes.

Não só isso, mas a comunidade de fãs criada por essas produções cresceu desde os anos 90 e se viu ainda mais representada após o boom de produções quadrinescas no cinema com os filmes da Marvel Studios a partir de 2008. Dessa maneira, tais animações consagradas do passado alcançaram um status digno do item mais valioso da cultura pop ocidental na atualidade: a nostalgia.

O que mais se tem em produção é o resgate de marcas muito conhecidas do público, porém não só de forma geral (como por exemplo o anúncio de um novo filme do Batman) mas sim de abordagens específicas. Durante a DC Fandom de 2020 foi anunciado que uma nova animação do Homem Morcego estava em produção; intitulada Caped Crusader ela reuniria em sua produção nomes como os dos cineastas Matt Reeves e J.J Abrams e do animador Bruce Timm.

Grandes nomes estarão envolvidos na futura animação

Ele que foi um dos arquitetos da série animada do Batman nos anos 90, de Batman do Futuro e da Liga da Justiça realçou que a futura animação trará de volta a essência da premiada série de 1992, ainda que maiores informações não tenham sido reveladas. O mesmo vale para o mais recente anúncio, durante o Disney Plus Day sobre os X-Men.

Foram anunciados novos episódios a serem lançados no serviço de streaming em 2023 que vão dar sequência a série de 1992. Mesmo ainda sendo cedo para saber se o mesmo estilo de animação será adotado, é válido perceber que só da empresa responsável mirar exclusivamente nessa adaptação em específico dos mutantes é uma tentativa de exercitar uma exploração sobre o sentimento de nostalgia.

A grande questão sobre esses tipos de produções é que existe um espaço entre o que é prometido (por consequente o que se cria de expectativa na cabeça do consumidor) e o que é entregue. Uma das razões para essas produções terem sido tão admiradas foi porque elas existiram em um contexto muito específico da história da televisão, mais especificamente de programação infantil, que ainda era engessado pelo modelo de produção dos anos 80.

Esses programas então vem e quebram o status quo vigente, abrindo o caminho para uma nova abordagem em produções futuras. Dificilmente os resgates anunciados vão quebrar paradigmas da mesma forma, até porque eles irão mirar um consumidor diferente das suas antecessoras. Não mais um público infantil (com uma parcela pequena de adultos inclusa) mas um público majoritariamente adulto em que ali no meio pode ter uma ou outra criança.



Tendo isso em mente o risco maior que sempre assombra produções nostálgicas está pairando no ar; a decepção do público pode ser uma reação possível, independente dessas produções tentarem ao máximo ser fiéis aos materiais anteriores ou tentando algo novo e se afastando por completo das mesmas.

 

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