O The New York Times divulgou sua aguardada lista das 100 melhores séries do século 21, elaborada a partir dos votos de mais de 500 nomes ligados à televisão. A seleção reuniu atores, roteiristas, produtores, showrunners, executivos e profissionais técnicos, incluindo Elisabeth Moss, Giancarlo Esposito, Kathryn Hahn, Stephen King, Alec Baldwin, Kathy Bates, Matt Groening, Danielle Brooks, Mike Myers, David Benioff e D.B. Weiss. Cada participante escolheu dez produções lançadas desde 1º de janeiro de 2000, considerando livremente critérios como qualidade, impacto cultural, ambição artística e vontade de rever.
O resultado consagrou ‘Breaking Bad’ como a grande vencedora, superando pesos-pesados como ‘The Wire’, ‘Mad Men’, ‘Succession’, ‘Fleabag’ e ‘Game of Thrones’. A lista também evidencia o domínio da HBO, responsável por sete das 15 primeiras colocadas. Uma ausência imediatamente percebida foi ‘Família Soprano’: embora grande parte de seus episódios tenha sido exibida depois de 2000, a série estreou em 1999 e, por isso, não atendia ao principal critério de elegibilidade.
15. ‘A Sete Palmos’
Criada por Alan Ball e exibida entre 2001 e 2005, ‘A Sete Palmos’ acompanha os integrantes da família Fisher, proprietária de uma funerária em Los Angeles. Cada episódio começa com uma morte, mas a verdadeira história está na maneira como aqueles personagens tentam continuar vivendo. Estrelada por Peter Krause, Michael C. Hall, Frances Conroy, Lauren Ambrose e Rachel Griffiths, a produção discutiu luto, sexualidade, identidade, depressão e relações familiares com uma honestidade rara. Seu último episódio permanece frequentemente citado entre os melhores finais da história da televisão.
14. ‘Friday Night Lights’
Inspirada no livro de H. G. Bissinger e no filme dirigido por Peter Berg, ‘Friday Night Lights’ utilizou o futebol americano para falar sobre famílias, sonhos e frustrações em uma pequena cidade do Texas. A história acompanha o treinador Eric Taylor, vivido por Kyle Chandler, e sua esposa Tami, interpretada por Connie Britton, enquanto o casal tenta orientar jovens pressionados a transformar o esporte em uma saída para suas vidas. Exibida entre 2006 e 2011, a série nunca foi um fenômeno de audiência, mas conquistou uma base apaixonada de fãs e se tornou referência pela naturalidade de suas atuações.
13. ‘Girls’
Criada e protagonizada por Lena Dunham, ‘Girls’ apresentou um olhar desconfortável, engraçado e muitas vezes cruel sobre a vida de jovens adultas tentando sobreviver em Nova York. Exibida pela HBO entre 2012 e 2017, a série acompanha Hannah e suas amigas enquanto elas enfrentam trabalhos precários, relações tóxicas, egoísmo, inseguranças e expectativas frustradas. O elenco também revelou nomes como Adam Driver, Allison Williams, Zosia Mamet e Jemima Kirke. Amada e odiada com a mesma intensidade, a produção provocou debates sobre feminismo, privilégios, representação e o retrato imperfeito de uma geração.
12. ‘Arrested Development’
Muito antes de as famílias disfuncionais dominarem a televisão de prestígio, ‘Arrested Development’ já transformava a ruína dos Bluth em uma das comédias mais inteligentes de sua época. Criada por Mitchell Hurwitz, a trama acompanha Michael Bluth, vivido por Jason Bateman, tentando manter unidos os parentes depois que o patriarca da família é preso por crimes financeiros. Com piadas escondidas, referências recorrentes, montagem frenética e uma narração inesquecível de Ron Howard, a série se tornou cult após ser cancelada pela Fox e posteriormente ressuscitada pela Netflix.
11. ‘The Office’
A versão norte-americana de ‘The Office’ começou como uma adaptação da comédia britânica de Ricky Gervais e Stephen Merchant, mas rapidamente encontrou sua própria identidade. Desenvolvida por Greg Daniels, a série transformou o cotidiano aparentemente banal da filial da Dunder Mifflin em uma mistura irresistível de constrangimento, romance e amizade. Steve Carell eternizou Michael Scott, um chefe desesperado por aprovação que conseguia ser insuportável e profundamente humano. Exibida entre 2005 e 2013, a produção também impulsionou as carreiras de John Krasinski, Jenna Fischer, Rainn Wilson e Mindy Kaling.
10. ‘Atlanta’
Donald Glover rompeu praticamente todas as regras da comédia com ‘Atlanta’. Exibida entre 2016 e 2022, a série acompanha Earn, um jovem que começa a empresariar a carreira musical do primo Alfred, o rapper Paper Boi. O que parecia inicialmente uma história sobre a indústria do hip-hop tornou-se uma experiência imprevisível, capaz de alternar entre comédia, terror, surrealismo e crítica social. Com Brian Tyree Henry, LaKeith Stanfield e Zazie Beetz no elenco, a produção construiu alguns dos episódios mais estranhos, provocadores e visualmente ousados da televisão recente.
9. ‘Segura a Onda’
Depois de cocriar ‘Seinfeld’, Larry David transformou sua própria personalidade em combustível para ‘Segura a Onda’. Na série, ele interpreta uma versão exagerada de si mesmo: um produtor rico, irritadiço e incapaz de respeitar convenções sociais. Situações banais rapidamente se transformam em catástrofes por causa de sua necessidade de provar que está certo. Com diálogos parcialmente improvisados e participações de inúmeras estrelas, a comédia permaneceu no ar durante 12 temporadas e encerrou sua trajetória em 2024, após mais de duas décadas explorando o desconforto como forma de arte.
8. ‘30 Rock’
Criada por Tina Fey, ‘30 Rock’ nasceu das experiências da comediante como roteirista do ‘Saturday Night Live’. A série acompanha Liz Lemon, responsável por administrar um programa de esquetes enquanto tenta controlar atores egocêntricos, roteiristas excêntricos e o imprevisível executivo Jack Donaghy, interpretado por Alec Baldwin. Exibida entre 2006 e 2013, a produção ficou conhecida pelo ritmo alucinante das piadas, pela quantidade de referências culturais e por sua sátira implacável aos bastidores da televisão norte-americana.
7. ‘Veep’
Se a política parece absurda, ‘Veep’ encontrou uma maneira de torná-la ainda mais cruel e engraçada. Criada por Armando Iannucci, a série acompanha Selina Meyer, vice-presidente dos Estados Unidos interpretada brilhantemente por Julia Louis-Dreyfus. Obcecada pelo poder, Selina atravessa crises, escândalos e alianças enquanto mal consegue esconder o desprezo que sente por praticamente todos ao seu redor. Exibida entre 2012 e 2019, a comédia conquistou 17 Emmys e se tornou uma das sátiras políticas mais afiadas da televisão.
6. ‘Game of Thrones’
Apesar da enorme controvérsia envolvendo sua temporada final, ‘Game of Thrones’ permanece entre as séries mais importantes e ambiciosas do século. Criada por David Benioff e D.B. Weiss a partir dos livros de George R. R. Martin, a produção transformou a luta pelo Trono de Ferro em um fenômeno mundial. Durante oito temporadas, o público acompanhou guerras, alianças, traições, dragões e mortes inesperadas em uma escala que, até então, parecia reservada aos grandes blockbusters do cinema. O elenco lançou nomes como Emilia Clarke, Kit Harington, Sophie Turner, Maisie Williams, Pedro Pascal e Peter Dinklage.
5. ‘Fleabag’
Com apenas duas temporadas e 12 episódios, ‘Fleabag’ alcançou um impacto extraordinário. Criada, escrita e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, a produção acompanha uma mulher londrina tentando lidar com o luto, a culpa, o sexo, a solidão e uma relação complicada com a própria família. Ao conversar diretamente com o público e quebrar constantemente a quarta parede, a protagonista transforma o espectador em cúmplice de suas decisões. A segunda temporada, marcada pelo romance com o Padre vivido por Andrew Scott, elevou a série ao status de fenômeno cultural.
4. ‘Succession’
Dinheiro, poder e ressentimento familiar se misturam em ‘Succession’, criada por Jesse Armstrong. A história acompanha Logan Roy, patriarca de um gigantesco conglomerado de mídia, e seus filhos, que disputam o controle da empresa sem jamais conquistarem completamente a aprovação do pai. Brian Cox, Jeremy Strong, Sarah Snook, Kieran Culkin, Matthew Macfadyen e Alan Ruck formaram um dos elencos mais impressionantes da televisão recente. Encerrada em 2023 após quatro temporadas, a produção combinou tragédia shakespeariana, humor cruel e crítica ao poder corporativo.
3. ‘Mad Men’
Filmagens do reboot de ‘Prison Break’ já começaram; Confira o teaser!
Criada por Matthew Weiner, ‘Mad Men’ utiliza uma agência de publicidade da década de 1960 para examinar as transformações sociais, políticas e culturais dos Estados Unidos. No centro está Don Draper, vivido por Jon Hamm, um publicitário brilhante que construiu sua vida sobre segredos e mentiras. Ao longo de sete temporadas, a série acompanhou mudanças nos costumes, na política, no papel das mulheres e na identidade norte-americana. Elisabeth Moss, Christina Hendricks, January Jones, John Slattery e Vincent Kartheiser completaram o elenco da produção que ajudou a transformar a AMC em uma potência do drama televisivo.
2. ‘A Escuta’
Criada por David Simon, ex-repórter policial, ‘A Escuta’ apresenta Baltimore como um organismo complexo, investigando a relação entre tráfico de drogas, polícia, política, escolas, imprensa e desigualdade social. Cada temporada desloca o foco para uma instituição diferente, mostrando como indivíduos bem-intencionados acabam esmagados por sistemas construídos para preservar os próprios interesses. Exibida entre 2002 e 2008, a produção nunca conquistou grandes audiências ou muitos prêmios durante sua passagem pela HBO, mas cresceu em prestígio e hoje é considerada uma das análises mais profundas da sociedade norte-americana.
1. ‘Breaking Bad’
Filmagens do reboot de ‘Prison Break’ já começaram; Confira o teaser!
O primeiro lugar ficou com ‘Breaking Bad’, criação de Vince Gilligan que transformou Bryan Cranston de astro da comédia em um dos maiores protagonistas dramáticos da televisão. A trama acompanha Walter White, professor de química diagnosticado com câncer que começa a produzir metanfetamina ao lado do ex-aluno Jesse Pinkman, interpretado por Aaron Paul. O que começa como uma tentativa desesperada de garantir o futuro financeiro da família se transforma em uma história sobre ego, poder e corrupção moral.
Exibida entre 2008 e 2013, ‘Breaking Bad’ apresentou uma transformação de personagem construída com precisão extraordinária. Walter não se torna um criminoso simplesmente por necessidade: aos poucos, fica evidente que ele também encontra prazer no medo e no poder que passa a exercer. Com episódios históricos, direção cinematográfica e atuações marcantes de Anna Gunn, Giancarlo Esposito, Bob Odenkirk, Jonathan Banks e Dean Norris, a série encerrou sua trajetória no auge e ainda deu origem ao elogiado derivado ‘Better Call Saul’.
Confira o Top 15 completo:
- ‘Breaking Bad’
- ‘A Escuta’
- ‘Mad Men’
- ‘Succession’
- ‘Fleabag’
- ‘Game of Thrones’
- ‘Veep’
- ‘30 Rock’
- ‘Segura a Onda’
- ‘Atlanta’
- ‘The Office’
- ‘Arrested Development’
- ‘Girls’
- ‘Friday Night Lights’
- ‘A Sete Palmos’
A relação ainda abre espaço para muitas discussões. Produções populares como ‘Lost’, ‘Better Call Saul’, ‘The White Lotus’ e ‘Chernobyl’ aparecem fora das 15 primeiras posições, enquanto ‘The Office’ norte-americana ficou à frente da versão britânica, classificada em 16º lugar. O resultado não pretende encerrar a discussão, mas mostrar quais produções permaneceram mais vivas na memória de quem trabalha diretamente com televisão.

