Desenho resgatado da década de 1960 se transforma em uma fonte pura de diversão para a garotada

Estreando antes no Brasil em relação aos EUA, As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman) é baseado em um icônico desenho animado da década de 1960, conhecido como Peabody´s Improbable History. O segmento fazia parte da série animada The Rocky and Bullwinkle Show (no Brasil, Alceu e Dentinho). Os donos do programa ganharam um filme próprio em 2000, igualmente intitulado As Aventuras de Alceu e Dentinho, que misturava live action com animação e contava com a presença do monstro Robert De Niro na pele (e osso) do vilão Fearless Leader.

O filme não fez o barulho esperado. Talvez a produtora Tiffany Ward, filha do criador dos cartuns Jay Ward, tenha aprendido com a experiência. Desta vez ela resolve criar uma obra totalmente em animação, com um apelo muito maior para o seu verdadeiro público-alvo: as crianças e adolescentes. Enquanto o filme de Alceu e Dentinho tentava ser esperto demais e atrair também o público mais velho e nostálgico, Peabody & Sherman consegue uma maior honestidade ao se manter fiel à essência do programa. Desta forma, igualmente captura novos fãs e não desaponta os pais que forem levar os filhos ao cinema, eventualmente lembrando sua própria infância.

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Na trama, um cachorro muito inteligente recusa-se a fazer os mesmos truques de todos ao redor e como consequência se torna o único filhote de seu canil a não ser adotado. Crescido, ele opta pelo oposto e decide ele mesmo adotar um menino humano. Criando o pequeno Sherman como seu próprio filho, Mr. Peabody o ensina a ser uma pessoa evoluída, educada e culta. Parte disso vem da invenção mais proeminente do cientista canino, uma máquina do tempo na forma de uma grande esfera. Já deu para perceber que um dos fortes temas desta animação é aceitar o diferente, não se contentar em ser igual a todos (tema presente também em Uma Aventura Lego, outra animação acima da média).

Mas como Peabody pode ensinar Sherman a ser um humano melhor, já que ele mesmo não é humano. O forte teor implícito de humanidade e aceitação vem em uma época ideal, pretendendo educar também os pequeninos com uma mensagem de grande valor e importância. Além da questão social, As Aventuras de Peabody & Sherman presta outro serviço ao seu público-alvo: ser uma aula de história divertida e sem que eles percebam. A dupla inusitada viaja inicialmente para a época da Revolução Francesa, em 1799 e encontram uma rechonchuda Maria Antonieta dando conta de todos os doces que vê pela frente.

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Com a explosão da Revolução, os membros da realeza são caçados. O fato desencadeia a primeira grande sequência de aventura e ação envolvendo a dupla. Tudo é muito rápido e mesclado com tiradas espertas. A animação é extremamente bem realizada no quesito técnico. É algo belo de se ver. A imersão no 3D é algo fantástico. Poucos filmes recentes do gênero nos dão a sensação tão plena de participar junto da jornada. A sensação de espaço é muito bem administrada pelo diretor Rob Minkoff (O Rei Leão, 1994), um especialista no gênero. Seja no apartamento dos protagonistas, em algum lugar da história mundial ou em uma perseguição aérea (que toma conta do terceiro ato), a dimensão do que se vê na tela é algo brilhante.

A dupla ainda transita por outros momentos da história, como no Egito antigo, a Renascença na Itália (com um divertido Da Vinci) e até mesmo na Guerra de Troia. Todas as subtramas são devidamente exploradas pelo roteiro de Craig Wright e tais segmentos dão origem a seus próprios pequenos filmes. Igualmente satisfatórios. Uma nova aventura é somada a outra e com este material fonte, muitas outras novas poderão surgir pela frente. Tudo irá depender do maior desafio desta simpática dupla, o resultado de sua obra nas bilheterias. Coisa que tenho certeza, Peabody & Sherman tirarão de letra.

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