Com clássicos não se mexe. Com certeza todos já ouviram essa frase. Existem os que acham que uma continuação ou uma refilmagem pode acabar com um filme original querido do grande público, mas a verdade é que esta obra nunca deixará de existir. O maior prejuízo recai não para a produção antiga, que já está cimentada em nossos corações eternamente, mas sim para a tal sequência desbravadora que, entre outras coisas, precisará convencer os espectadores que é digna de tal clássico atemporal. E isso muitas vezes quando todos os elementos estão no lugar com o retorno dos membros da equipe e elenco. Imagine então quando rola uma substituição. E pior, do protagonista!

Sabemos que nenhum ator pode ficar para sempre em um personagem, ou interpretá-lo a vida inteira – afinal cinema e séries de TV funcionam de forma diferente. Muitas vezes, tais atores desejam realizar novos voos e partir em novos desafios. Assim, uma substituição é inevitável. Em muitas ocasiões é inclusive bem-vinda, se mostrando tão eficiente quanto ou até mesmo melhor do que o original (embora este caso seja mais raro). Seja como for, pensando em algumas mudanças de protagonistas, digamos, não muito queridas pelo público, resolvemos criar nossa nova matéria. Aqui iremos abordar as mudanças de atores em personagens clássicos do cinema que deixaram a desejar, sendo apreciadas por um total de… zero pessoas! Confira abaixo.

James Bond

O maior espião do cinema já teve muitos rostos ao longo de sua trajetória nas telonas. Bem, na verdade, dentro da cronologia da franquia oficial foram “apenas” seis intérpretes. E aqui iremos abordar uma especificamente, já que nem todas foram insatisfatórias. Tudo começou com Sean Connery, é claro, o primeiro e único, tido pela maioria dos fãs ainda como o melhor 007 do cinema. Daniel Craig, o mais recente, não faz feio e igualmente é apontado, em especial pelos fãs mais jovens da franquia. Roger Moore é também muito querido, assim como Pierce Brosnan. E até Timothy Dalton possui alguns defensores. Porém, existe um nome que quase ninguém lembra: George Lazenby. Sim, o modelo australiano viveu James Bond nas telonas, embora quase ninguém lembre ou saiba. Foi em A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969). E o pior, substituindo ninguém menos que o próprio Connery. Bem, basta dizer que a troca não rolou e no filme seguinte, os realizadores voltaram correndo para o lendário primeiro intérprete em Os Diamantes São Eternos (1971).



Sarah Connor

Outra troca bastante criticada e que precisou novamente recorrer à intérprete original depois da bola fora foi dentro da franquia O Exterminador do Futuro. Aqui estamos falando da durona Sarah Connor, mãe do líder da rebelião John Connor. Quando o primeiro filme estreou em 1984, o criador James Cameron tratou de escalar a carismática Linda Hamilton para o papel, então uma garçonete lutando por sua vida, com a ajuda de um soldado vindo do futuro, contra uma máquina humanoide programada para matá-la. Foi no segundo longa, de 1991 (completando 30 anos em 2021), que o mundo se apaixonou pela bad ass que Sarah Connor havia se transformado, uma personagem cheia de atitude que se tornou uma das maiores heroínas de ação do cinema.

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Essa havia sido a última vez que Hamilton tinha aceitado viver a personagem. Assim no quinto filme, de 2015, ela foi substituída pela baixinha Emilia Clarke. Embora tenha conseguido imitar alguns trejeitos e a forma de falar de Hamilton, Clarke é simplesmente muito graciosa e não cumpriu com o jeito duro e perigoso exigido pelo papel, parecendo estar em alguma comédia romântica. Tanto que no sexto filme, tiraram Hamilton de sua aposentadoria e a mulher continuou chutando traseiros, agora na terceira idade.

Clarice Starling



Por falar em filmes completando 30 anos em 2021, não conseguimos parar de falar de O Silêncio dos Inocentes, não apenas o melhor suspense de todos os tempos, como também um dos melhores filmes de todos os tempos. E não somos nós que estamos dizendo, embora sejamos fãs incondicionais, e sim os membros da Academia do Cinema, que presentearam o longa com o chamado Big Five, os Oscar de melhor filme, diretor, atriz, ator e roteiro – sendo o último da história a ganhar tamanha honraria. É claro que aqui estamos falando da parceria entre Jodie Foster e Sir Anthony Hopkins, imortalizados no papel da agente do FBI Clarice Starling e do psicopata canibal Dr. Hannibal Lecter. O Silêncio dos Inocentes é verdadeiramente incrível, mas ele não foi a primeira adaptação para as telonas dos livros de Thomas Harris.

Em 1986, Caçador de Assassinos, do diretor Michael Mann (Fogo Contra Fogo e Miami Vice), estreou e não fez sucesso, vindo anos mais tarde a se tornar cult. Muitos sequer relacionam os dois. Neste filme, Hannibal foi vivido por Brian Cox e Clarice não aparecia. Ok. Hopkins pegou o papel para si e fez tanto sucesso que voltaria a interpretá-lo outras duas vezes; sendo a primeira na continuação direta de O Silêncio dos Inocentes, passada dez anos depois e intitulada Hannibal (que completa vinte anos em 2021). Hopkins estava a bordo, mas e quanto à Jodie Foster. Para o desespero de muitos a atriz não topou voltar (e bem, muitos afirmam que ela fez certo). O resultado do filme não foi o esperado. Parte disso talvez seja do desfalque que a dupla sofreu, quando Clarice precisou ser substituída nas formas de Julianne Moore que, não me leve a mal, é ótima atriz – porém, não consegue reprisar a química de Foster com Hopkins.

Jack Ryan

Alguns atores conseguem pegar determinados papeis para si, mesmo que não tenham sido os intérpretes originais. Foi o caso citado acima com Anthony Hopkins, o único Hannibal Lecter possível, mesmo que o original tenha sido Brian Cox. Aqui, temos outra adaptação literária, mas uma de espionagem e não de thriller. Quando o agente da CIA Jack Ryan deu as caras pela primeira vez no cinema em Caçada ao Outubro Vermelho (1990), ele tinha as formas de Alec Baldwin. Bem, isso porque o astro daquela história era o desertor comandante russo de um submarino, interpretado por nenhum outro senão o maior espião do cinema, Sean Connery, nosso eterno James Bond. Quando chegou a hora de Jack Ryan ganhar um filme para chamar de seu, sendo elevado à categoria de protagonista dois anos depois em Jogos Patrióticos (1992), os executivos da Paramount não perderam tempo em reescala-lo nas formas do astro Harrison Ford.

Isso porque Baldwin simplesmente não tinha o potencial de arrastar multidões como Ford, que àquela altura já era Han Solo e Indiana Jones. Precisa dizer mais? Ford ainda permaneceria no papel mais um filme, em Perigo Real e Imediato (1994). Porém, a franquia estagnou, e com a mudança de década, a opção dos produtores terminou sendo por escalar um ator mais jovem, que pudesse estrelar em mais filmes consecutivos. Entra em cena Ben Affleck, um promissor jovem astro da época, que rapidamente se tornou um dos atores mais azarados dos anos 2000 devido à sequência de fracassos que resultaram a maioria de seus filmes no período. E A Soma de Todos os Medos (2002) foi mais um deles, tanto que a intenção de continuar a franquia com ele terminou por ali mesmo.

Lisbeth Salander

Aqui temos mais um caso parecido com os dois anteriores acima. A jovem Rooney Mara marcou na superprodução subestimada de suspense da Sony Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011 / que completa 10 anos em 2021). Muitos creditam o trabalho como seu divisor de águas na carreira, onde a jovem provou que era uma atriz audaciosa no papel da antissocial sociopata Lisbeth Salander. A atriz se entregou tanto ao papel no filme de David Fincher, apostando intensamente em sua caracterização, que além dos penteados e das tatuagens (falsas), resolveu entrar total no método e fazer de verdade um piercing no mamilo – como já revelou em diversas entrevistas. No papel ousado, Mara aparece nua em algumas das cenas e podemos notar o artefato em seu corpo. Porém, Mara não foi a primeira intérprete da Hacker.



Bem, pelo menos não no mundo. Acontece que o filme é baseado nos livros do autor sueco Stieg Larsson e as primeiras adaptações foram de mesma nacionalidade. Nesta trilogia, Lisbeth tinha as formas de Noomi Rapace, atriz igualmente revelada pelo papel e que fez carreira. Porém, a performance de Mara foi mais chamativa, devido ao realizador, e rendeu para ela sua primeira indicação ao Oscar. Por anos, Fincher, Mara e toda a equipe e elenco do longa demonstraram interesse em retornar àquele universo para ao menos completar a trilogia. Como o filme custou muito caro e não rendeu o esperado (em partes por ser uma obra de censura alta, que restringe o público), a Sony simplesmente cortou o sonho de todos os envolvidos e de muitos fãs que queriam ver Mara no papel e Fincher no comando das continuações.

O embargo durou anos e Mara verbalizava muito sua vontade de voltar à personagem que tanto investiu, toda chance que tinha. Por fim, a opção foi por um reboot, com A Garota na Teia de Aranha, que trouxe Claire Foy no papel principal. Foy até se parece com Mara fisicamente, mas além de seu empenho não ser o mesmo, sua persona vinha muito ligada com o teor gentil e agradável que era visto na série The Crown, da qual fazia parte. Assim, o pensamento geral foi de que Claire Foy não foi uma boa escalação para o papel.

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