Aquela que seria a terceira empreitada de Joel Schumacher no universo do homem morcego nunca saiu do campo das ideias

Após o ressuscitar em 1989, com a obra dirigida por Tim Burton, Batman enquanto marca tinha uma ótima perspectiva de futuro em relação à década que se iniciava. Principalmente porque a pegada gótica e sombria proporcionada por Burton havia afastado a imagem camp que era vinculada ao herói desde 1966. Assim sendo, em 1992 veio Batman o Retorno que intensificou ainda mais essa visão iniciada três anos antes.

Porém, dessa vez a excentricidade do cineasta somada a cenas explícitas de violência dificultaram em muito a venda de produtos (mais especificamente brinquedos) relacionados ao filme. A pressão desses fabricantes unida à reclamação de pais que julgavam o filme impróprio para crianças, levou a Warner a trocar o comando para alguém mais propenso a diluir esse clima.

O escolhido acabou sendo o diretor Joel Schumacherque não possuía experiência prévia nem com adaptações de quadrinhos e nem com filmes considerados “leves”. Até então seus trabalhos mais conhecidos eram Os Garotos Perdidos (1987) e Um Dia de Fúria (1993), ambos sendo suspenses e dramas com momentos intensos de violência.

Garotos Perdidos é um clássico dos anos 80

Em 1995 foi lançado Batman Eternamente, não mais protagonizado por Michael Keaton (que além de não ter aprovado o roteiro também não concordou com a saída de Burton) mas sim por Val Kilmer.  O enredo colocou o morcego frente a frente com a dupla vilanesca Charada e Duas-Caras, interpretados por Jim Carrey e Tommy Lee Jones respectivamente.

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O filme recebeu alguns elogios, ainda que não igual às obras anteriores, principalmente pela atuação de Jim Carrey ter casado com a personalidade de Edward Nygma (e que se assemelhava ao seu trabalho no filme do O Máscara um ano antes), mas já começou a colecionar críticas que marcariam a era Schumacher –  principalmente à forte direção cômica que os filmes estavam tomando, a visão histriônica sobre o personagem Harvey Dent (Duas-Caras) que diferia em muito do material fonte e pela desconexão com os dois filmes predecessores.

Já em 1997 veio Batman & Robin, considerado o pior filme da carreira do diretor e figurando dentre as piores adaptações de quadrinhos. Novamente o ator principal foi substituído, desta vez entrando George Clooney. A recepção geral foi bastante negativa na época, com críticas atingindo desde detalhes técnicos como o uniforme (que agora tinham mamilos e o close ups em partes íntimas) e cenografia (algumas que lembravam levemente cenários da série de 1966) até a atuação do trio principal (Clooney, Chris O’Donnell e Alicia Silverstone), da dupla de vilões (Schwarzenegger e Uma Thurman) e do enredo como um todo.

Batman & Robin ainda é um tema bastante controverso entre fãs do morcego

Acontece que havia grande confiança por parte da Warner, devido ao sucesso de bilheteria que fora Batman Eternamente, de que Schumacher deveria fazer pelo menos mais um filme do personagem mesmo com a má recepção do projeto mais recente. Programado para ser lançado em 1999, Batman Unchained (nome provisório, que por vezes revezava com o título Batman Triumphant) já começou sua elaboração com uma nova troca, só que agora na equipe técnica.

Saía o roteirista dos dois filmes anteriores, Akiva Goldsman, e assumia Mark Protosevich (até aquela altura sem nenhum trabalho prévio, mas que atualmente é conhecido pelos roteiros de Eu sou a Lenda, Poseidon e o remake de Oldboy). O que se sabe sobre o caminho que o roteiro tomaria é que ele exploraria mais a fundo os medos de Bruce Wayne, de uma maneira inédita até então.


Seria também uma oportunidade para o próprio Schumacher retomar seu antigo estilo mais voltado para o horror. O vilão escolhido para a aventura da vez seria o Espantalho e Nicolas Cage era a provável escolha até então. Já um segundo vilão seria ninguém menos que a Arlequina (bastante conhecida por sua presença na série animada do Batman): que aqui não seria uma amante, ou ex-amante, do Coringa mas sim sua filha que busca vingança. Especulou-se nomes como Courtney Love e até Madonna para o papel.

A primeira aparição da palhacinha quase foi em Unchained

No entanto, o grande chamariz do filme seria o fato de que devido à exposição ao gás do medo do Espantalho, Batman começaria a alucinar com figuras vilanescas ilustres de seus filmes passados. Mulher Gato (Michelle Pfeiffer), Pinguim (Danny DeVito), Charada (Jim Carrey), Duas-Caras (Tommy Lee Jones) e por fim o Coringa (Jack Nicholson) voltariam para atormentá-lo. 

Interessante que em 1992, um episódio da série animada chamado Dreams in Darkness colocou o Morcego frente ao Espantalho e, da mesma forma, ele inalou o gás do medo e, tomado pela loucura, foi mandado para o Asilo Arkham. Detalhe que em suas alucinações ele também tinha esse “acerto de contas” com seus inimigos.

A produção de Batman Unchained nunca foi sequer iniciada e nem seu roteiro formalmente finalizado. Especula-se que o alto valor de um elenco de tal peso somado à terrível recepção de Batman & Robin foram os principais motivos para que o projeto jamais nascesse. Nesse mesmo período um outro filme do Morcego quase foi realizado, esse sendo o reboot de Darren Aronofsky inspirado em Batman Ano Um, mas que também não chegou a ser sequer iniciado. Mesmo tendo um bom desempenho na TV com animações da Liga da Justiça e Batman do Futuro, o  personagem só voltaria a ter sucesso no cinema com Batman Begins em 2005. 

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