Sem o lançamento de grandes blockbusters, a 79ª edição do Festival de Cannes investe na celebração dos 25 anos do fenômeno global Velozes e Furiosos (2001), em sessão de gala, na meia-noite desta quarta-feira, 13 de maio, no Grand Théâtre Lumière. O evento conta com Vin Diesel, rosto central da franquia no papel de Dominic Toretto, ao lado de Jordana Brewster, do produtor Neal H. Moritz, Michelle Rodriguez, e Meadow Walker, filha do falecido Paul Walker.
Lançado originalmente em 22 de junho de 2001 pela Universal Pictures, Velozes e Furiosos mergulhou no universo das corridas de rua em Los Angeles e rapidamente conquistou o público mundial. Ao longo de 11 filmes, a saga acumulou mais de 7 bilhões de dólares em bilheteria global, consolidando-se como a franquia mais lucrativa do estúdio e já teve produções derivadas (spin-offs) anunciadas. O elenco diverso e carismático já inclui participações de estrelas como Dwayne Johnson, Gal Gadot, Jason Statham, Charlize Theron e Helen Mirren.
Momento de Vin Diesel em Cannes

A homenagem em Cannes também marca um momento simbólico para Vin Diesel: sua estreia oficial no tapete vermelho da Croisette em um evento de grande destaque. Esta, no entanto, não é sua primeira passagem pelo festival. Em 1995, ainda no início da carreira, o ator apresentou o curta-metragem Multi-Facial, dirigido e estrelado por ele mesmo, que foi selecionado para Cannes e ajudou a impulsionar sua trajetória em Hollywood. Décadas depois, em 2021, Diesel retornou ao festival com Velozes e Furiosos 9, exibido em uma sessão especial ao ar livre no tradicional “Cinéma de la Plage”.
Agora, em 2026, sua presença ganha um novo peso: não apenas como ator, mas como símbolo de uma das franquias de ação mais famosas contemporâneas. Com um novo capítulo já anunciado — Fast Forever, previsto para março de 2028 — ainda aposta no potencial comercial da franquia.
Entre o autoral e o espetáculo: a estratégia de Cannes
A escolha de celebrar Velozes e Furiosos em uma sessão de destaque também revela um movimento estratégico claro do Festival de Cannes nos últimos anos. Após a ausência de alguns dos títulos mais aguardados da temporada — como A Odisseia, de Christopher Nolan, e Dia D, de Steven Spielberg — o festival garante presença midiática ao apostar em um nome de forte apelo popular no tapete vermelho.

Essa abordagem não é inédita. Cannes vem consolidando uma curadoria que equilibra o cinema de autor com grandes produções de estúdio, capazes de atrair atenção global sem necessariamente competir pela Palma de Ouro. Em 2025, por exemplo, o festival já havia levado à Croisette Missão: Impossível – O Acerto Final, assim como TopGun: Maverick e Indiana Jones e a Relíquia do Destino, reforçando essa ponte entre prestígio artístico e espetáculo mainstream.
Ao trazer Vin Diesel e a saga Velozes e Furiosos para o centro das atenções, Cannes reafirma sua habilidade em dialogar com diferentes públicos: mantém sua identidade como vitrine do cinema de arte, ao mesmo tempo em que reconhece o impacto cultural e industrial dos blockbusters. Em um cenário cada vez mais competitivo entre festivais e plataformas, esse equilíbrio evidencia a capacidade do evento de dialogar com diferentes públicos.



