Getúlio é exibido no Cine PE

O domingo do Cine PE 2014 teve um público razoável, em relação à noite de estréia. Não se sabe, ao certo, o que causou esse efeito. Talvez pelo dia específico e acessibilidade ao lugar, ou até sobre a repercussão negativa dos curtas passados no sábado. E, para piorar a situação, a estratégia de exibir três longas-metragens, em apenas uma noite, não foi algo muito inteligente. Já que após a apresentação de um dos títulos mais aguardados do evento, Getúlio, boa parte da imprensa e quase todo público deixou o local – restaram menos de 100 pessoas – prejudicando, assim, a exibição do documentário português, 1960.

A segunda noite foi aberta com dois curtas-metragens: Frascos (PE), de Ariana Nuala, e Ecce Homo (RJ), dirigido por Clodoaldo Lino. Os filmes mantiveram o nível das pequenas produções lançadas por lá, ambos são carentes de qualidade artística. Frascos, que mais é um jovem exercício cinematográfico, tentou imprimir psicodelia em suas idéias através de vários tons, mas o fraco roteiro, que pouco tem a dizer, e uma narrativa inorgânica não agradaram a platéia; Ecce Homo usou o conceito de Friedrich Nietzsche, da latente maldade humana, para denunciar o mecanismo dos matadouros de animais e o total descaso do homem, em relação ao consumo exacerbado da carne. Com cenas impactantes e uma trilha sonora de rock pesado, o curta deixou o público chocado, fazendo algumas pessoas abandonar a sessão. Sua intenção é atingida, mas como cinema é desinteressante, do ponto de vista estético.

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Iniciando a Mostra Competitiva de Longas-Metragens Documentários, o novo trabalho do cineasta Jorge Furtado (O Homem de Copiava), O Mercado de Notícias, deixou os presentes no Teatro Guararapes extasiados pela indagação do jornalismo contemporâneo e sua relação à democracia e liberdade de expressão. A enorme pesquisa feita por Furtado – indo desde a origem aos registros mais modernos – e o estilo escolhido para contar sua história – algo que mistura a ficção, quebra da quarta parede e estilo documental didático – são tópicos interessantes a serem destacados. Profissionais como Janio de Freitas, Geneton Moraes Neto, Mino Carta, Raimundo Pereira, Luis Nassif e Bob Fernandes, expuseram suas opiniões para com a realidade da imprensa atual, apontando seus benefícios e malefícios.

Por volta das 22h o esperado Getúlio foi ao ar na Sessão Especial Petrobras. Dirigido por João Jardim (Lixo Extraordinário) e estrelado pelo lendário ator Tony Ramos – que aqui realiza um desempenho regular -, o filme retrata os últimos dias da vida de Getúlio Vargas, um dos presidentes mais controversos da história do Brasil. Indo desde o atentado ao jornalista, Carlos Lacerda, até o suicídio de Vargas. A fita foca, basicamente, em mostrar as reações do ex-presidente aos acontecimentos que sucediam naquele momento. Não se preocupa em explorar profundamente o lado histórico, muito menos traz o debate de dúvida sobre a figura de Getúlio, o enxergando apenas como vítima e quase mistificando sua persona. Por outro lado, o filme é belíssimo esteticamente, possui um incrível design de produção, figurino detalhista e uma cuidadosa direção de arte bem auxiliada pela fotografia clássica do mestre Walter Carvalho.

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Como já foi dito, o encerramento ficou a cargo de 1960, documentário dirigido pelo português Rodrigo Areias, que com uma câmera Super 8 refez uma viagem realizada pelo arquiteto Fernando Távora, por lugares como Egito, México, Nova York e Tóquio, colocando uma ótica dessemelhante para com as construções e paisagens, acompanhadas de textos do artista. A película conseguiu agradar os poucos e corajosos jornalistas ainda presentes no local.

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