Falta de público, homenagens e premiações marcam a segunda e terça do Cine PE.

A baixa média de público marcou os últimos dois dias do Cine PE, com números muito aquém das edições anteriores, o festival já é considerado, por muitos, um fracasso nesse aspecto. Talvez sua fórmula caduca, atrações duvidosas e pouca inovação sejam os principais pontos da causa. Já faz algum tempo que se fala em remodelagem completa, e foi pensando nisso que o crítico Rodrigo Fonseca entrou como curador, prometendo dar uma nova cara ao negócio. No entanto, o que se viu foi a modesta sessão de O Grande Hotel Budapeste, uma curadoria questionada, pela abjeta qualidade dos curtas-metragens selecionados e, principalmente, problemas na exibição dos filmes, em relação à grade diária e horários tardios. Como vimos casos de longas-metragens serem exibidos às 23h30, em pleno domingo. Torcemos para que melhore e as pessoas compareçam com a chegada das ficções nacionais e internacionais.

Na segunda-feira tivemos o encerramento das sessões de curtas e documentários. Por coincidência, o final da Mostra Curta Brasil foi com Tubarão, obra que se revelou a mais interessante de todos os mini-filmes exibidos no festival. Dirigido por Leo Tabosa, a fita traz a história de um americano homossexual que veio pra Recife à procura de novos ares e começou um relacionamento duradouro com um rapaz, este, que acabou morrendo por um ataque de Tubarão. Mudando completamente a vida do protagonista, onde através do voyeurismo encontrou seu refúgio. Com uma narrativa firme e bela estética, o curta mantém o espectador ligado o tempo todo. Uma atmosfera curiosa paira, aguçando a curiosidade geral. É deveras um ótimo trabalho de Tabosa, bem como seu anterior, Retratos.

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Os dois documentários que fecharam a Mostra Documentário Internacional foram E Agora? Lembra-me, do português Joaquim Pinto, e Corbiniano, do pernambucano Cezar Maia. O primeiro traz uma forte história de um diretor de cinema que tem AIDS e vive testando medicamentos, em si próprio, tendo vida conturbada, mas mostrando, acima de tudo, a intensa ânsia de viver. Considerado por alguns um tanto inchado, sua narrativa prolixa tem função, faz com o que a platéia sinta de perto a odisséia do protagonista, vivido pelo próprio Joaquim Pinto. Já Corbiniano, é quase uma espécie de biografia do artista plástico José Corbiniano Lins, onde vários nomes da cultura local falam da importância do artesão não só para Recife, como também as cidades de Fortaleza, Maceió, entre outras. Um pouco destoado em sua narrativa, mas eficaz no tema que aborda.

Tivemos uma noite de terça-feira movimentada no Cine PE, primeiro com a premiação dos curtas e documentários, seguindo com uma homenagem a atriz Laura Cardoso – que com sua simplicidade agradeceu a todos e disse que ama o Recife. Lembrou de José Wilker, Glauber Rocha e Eduardo Coutinho, dizendo que se arrepende em não ter feito um filme com este último – fechando com exibição de dois filmes, iniciando o Festival Internacional de Cinema. Foram eles: Todos Tenemos un Plan, drama argentino com Viggo Mortensen, que com uma história simples, mas dolorosa, conquistou os presentes no local; O outro foi Mundo Deserto de Almas Negras, que traz uma curiosa trama de um advogado que planeja entrar no presídio com celulares, mas é surpreendido, e começa a ser perseguido. O título é de fato eletrizante, mas possui uma fraca veia artística.

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Sobre as estatuetas, dessa vez não tivemos surpresas nos prêmios entregues, já que estes foram bem distribuídos. Talvez a comissão julgadora e o júri popular tenham tido pouco trabalho e decidido facilmente os escolhidos, já que a concorrência, cá pra nós, não foi lá das melhores. O destaque dos documentários ficou a cargo do ótimo O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado, que levou como Melhor Filme para nas duas comissões. No que se refere aos curtas, Au Revoir e Tubarão foram o mais laureados.

Confira abaixo a lista completa desta primeira cerimônia de premiação do Cine PE 2014:

Mostra Pernambuco
Melhor Filme: Au Revoir, de Milena Tirnes
Melhor Direção: Milena Tirnes (Au Revoir)
Prêmio do Júri Popular: Severo, de Danilo Baracho
Prêmio Especial da Link Digital: Rabutaia, de Brenda LígiaMostra Curta Brasil


Melhor Filme: Tubarão, de Leo Tabosa
Melhor Direção: Leo Tabosa (Tubarão)
Melhor Roteiro: Felipe Arrojo Poroger (O Filho Pródigo)
Melhor Atriz: Georgette Fadel (O Filho Pródigo)
Melhor Ator: Danilo Grangheia (O Filho Pródigo)
Melhor Fotografia: Alex Costa e Breno César (Tubarão)
Melhor Direção de Arte: Paulo Vinícius (Notícias da Rainha)
Melhor Edição de Som: Demian Garcia (Notícias da Rainha)
Melhor Trilha Sonora: Alexandre Guerra (No Movimento da Fé)
Melhor Montagem: Thiago Pelaes, Alexandre Nogeira e Fernando Segtowick (No Movimento da Fé)
Prêmio do Júri Popular: Ecce Homo, de Clodoaldo Lino; e No Movimento da Fé, de Fernando Segtowick e Thiago Pelaes
Menção Honrosa: Ecce Homo, de Clodoaldo Lino,
Prêmio da Abraccine: Tubarão, de Leo Tabosa
Prêmio Canal Brasil para o Melhor Curta: Linguagem, de Luiz Rosemberg Filho
Prêmio Especial da Link Digital: Linguagem, de Luiz Rosemberg Filho

Mostra Documentário Internacional

Melhor Filme: O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado
Melhor Direção: Joaquim Pinto (E Agora? Lembra-me)
Menção Honrosa: Corbiniano, de Cezar Maia
Prêmio do Júri Popular: O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado

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