Terça-feira, 22 de setembro. Sabe quando você acorda com aquele sorriso no rosto porque sabe que está prestes a viver mais um dia que todo cinéfilo ama? Levantei, peguei minhas malas e parti para o aeroporto Santos Dumont, no início da tarde, já bastante ansioso para a abertura do CineBH 2026, um dos primeiros festivais de que participei e pelo qual tenho um enorme carinho. Com um sorriso, mesmo com um atraso no meu voo (por conta das rajadas de ventos que atingiram a região sudeste nesta semana de setembro), desembarquei na capital mineira horas depois.

Este ano, para me deixar mais ansioso, o filme de abertura seria de um dos diretores da atualidade que mais mexem com minhas emoções, o mineiro André Novais Oliveira. Super premiado no Festival de Brasília, que terminou semana passada, eu estava bem feliz por encontrar com Se eu Fosse Vivo…Vivia. E já adianto: superou minhas expectativas – mais sobre essa obra nos últimos parágrafos.
Após um transfer de pouco mais de uma hora entre Confins e Belo Horizonte, deixei as malas no confortável hotel no bairro Savassi, onde estou hospedado, e parti para o Cine Theatro Brasil, um lugar super aconchegante, de dois andares. Sempre que chego nesse lugar, parece que algo bate mais forte em meu coração, uma sensação difícil de definir. Todo festival de cinema é um lugar de encontros, e no CineBH não é diferente. Já no hall do local de abertura, encontrei com artistas e pessoas que tanto admiro da crítica de cinema e jornalismo cultural, além de observar as enormes filas que se formam todo ano para a entrada nesse primeiro dia.

Em uma cerimônia de abertura bem objetiva, sem deixar de contextualizar, por diversos meios de expressões culturais, o tema da edição deste ano – Cinema Latino-Americano: O que será? -, um dos momentos mais marcantes foram as duas homenagens: uma para a escritora brasileira Conceição Evaristo e outra para a cineasta paraguaia Paz Encina.

A segunda, subiu ao palco e, com um breve discurso, citou filmes marcantes em homenagem aos 20 anos de evento. Já a primeira, que, inclusive, estreou como atriz no filme que seria exibido logo em seguida, na abertura, não conseguiu estar presente, mas entrou ao vivo no telão e deixou palavras lindas, sendo muita aplaudida por todos. Parte da família da famosa escritora subiu ao palco e recebeu o prêmio em seu nome.

Para encerrar a noite, teve a aguardada exibição de Se eu Fosse Vivo…Vivia, escrito e dirigido por André Novaes Oliveira – como já mencionado, momento que mais aguardava desse dia. Filme de abertura do CineBH 2026, a obra cria um trampolim imaginativo fascinante, unindo uma simpática crônica do cotidiano a elementos fantásticos que potencializam nossas razões de existência, principalmente quando pensamos nos encontros marcantes que a vida nos proporciona.
Gilberto (Norberto Novais Oliveira) é um jovem romântico, daqueles que não acham cafona uma serenata de desculpas. Apaixonado por Jacira (Conceição Evaristo) desde muito cedo, encontra nessa parceira sua razão de existência, vivendo com ela ao longo de 50 anos. Já na melhor idade, vivendo na simplicidade feliz da vida que construíram, os problemas de saúde começam a serem inseridos nesse cotidiano, marcado por um problema de saúde de Jacira que leva Gilberto a atravessar uma jornada pra lá de reflexiva e bastante curiosa.

Se eu Fosse Vivo…Vivia fascina por sua estranheza, ao mesmo tempo que abraça a simplicidade de um olhar intimista de uma relação vitoriosa, sugerindo ao público o pensar sobre a importância de cada capítulo de nossa história como parte de uma enciclopédia de emoções que, ao final da vida, vira o melhor remédio para lidarmos com as partidas.
Esse filme fez parte das minhas reflexões desde a hora que fui dormir até o momento que acordei – acredito que ainda vou pensar bastante sobre ele nos próximos dias. (Leia a crítica completa aqui).

A CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte vai de 22 a 27 de setembro, com 102 filmes de 18 estados brasileiros. Acompanhem toda nossa cobertura, pelas redes sociais e aqui pelo site.


