Quinta-feira, 24 de setembro. Depois de uma ótima noite de sono, tomei um café da manhã reforçado e parti para o Cine Theatro Brasil, onde aconteceu a coletiva de imprensa da homenageada da 20a edição do CineBH, a cineasta paraguaia Paz Encina.

Em um papo de cerca de 30 minutos, recheado com ótimas perguntas de meus amigos e amigas jornalistas, conhecemos um pouco mais sobre a carreira e inspirações da artista sul-americana.
Depois desse começo com o pé direito, peguei um carro de aplicativos e voltei para o hotel para escrever quatro textos: três críticas e uma matéria, algo que durou umas quatro horas, tempo certinho para eu tomar um banho e sair correndo para assistir aos dois filmes brasileiros em sequência que estava ansioso pra conferir: Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco e Leite em Pó, de Carlos Segundo.

Sobre o primeiro filme, é uma obra claramente sobre ressignificados, que faz rir e emocionar, guiado por um background detalhista que transforma a mágoa em possibilidades.
Integrante da mostra vertentes, dedicada ao cinema contemporâneo, o projeto apresenta, com louvável coragem, um livro aberto de passagens marcantes da vida do próprio diretor, durante o tempo em que morava na cidade de Catalão, em Goiás. Nessa abertura da caixa-preta de memórias, pega toda a sua mágoa e sentimentos engasgados e os transforma em um filme com algumas interessantes soluções criativas – algumas delas divididas abertamente com o público – sempre à procura de respostas para perguntas não respondidas.
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Dividido em alguns atos, que buscam criar um sentido para tudo o que acompanhamos, é como se Nolasco sentasse em um divã e começasse a conversar com o público, jogando pra fora o que está engasgado. Das situações no primeiro emprego, passando pelas amizades verdadeiras, chegando às ameaças e à violência que se aproximavam, apontando um cúmplice por omissão, até o último adeus a um alguém importante em sua vida, o roteiro, assinado pelo próprio diretor, coloca os pingos nos is, revelando, sempre que possível, e metendo o dedo nas feridas que não esqueceu, usando as possibilidades da linguagem cinematográfica como um escudo. Leia a crítica completa aqui.
Já sobre o segundo, parte de uma despedida trágica que gera consequências peculiares. Passando pelo precisar sobreviver imerso na desilusão dos sonhadores, esta obra, dirigida por Carlos Segundo, em seu primeiro longa de ficção, analisa profundamente um paciente da própria solidão.
O roteiro, que se arrisca num certo preciosismo nos detalhes iniciais, causa um verdadeiro impacto. É impressionante como os conflitos começam a surgir como uma chuva de fogos de artifícios ininterrupta a partir de uma segunda metade da história. Quando você percebe, está completamente envolvido e, muitas vezes, chocado com os acontecimentos que surgem de forma totalmente inesperada.

Leite em Pó é um filme que você assiste e vai lembrar dele depois. Deixa momentos marcantes, muitas reflexões e planta uma semente importante: de que as relações são eternas construções que também definem quem somos. Leia a crítica completa aqui.
Após a sessão, voltei aquele restaurante que comentei na matéria que publiquei ontem, o Tilápia Grill, e novamente tomei alguns copos de limonada. Eita coisa boa! Fiquei tão feliz que estou escrevendo grande parte desse texto logo em seguida, às 02:00 da manhã, ao som das canções de Sturgill Simpson, indicação do meu querido amigo baiano João Paulo.
O CineBH vai até domingo (27). Acompanhem nossa cobertura aqui pelo site e pelas nossas redes sociais.

