O Conto do Vigário

Recém-saído do sucesso de seu personagem Félix no folhetim do meio de comunicação mais influente de nosso país, o ator Mateus Solano volta a interpretar um personagem dúbio – desta vez no cinema. Em Confia em Mim, Solano vive Caio, o aparente príncipe encantado que cai do céu no colo da solitária Mari (papel da bela Fernanda Machado). A protagonista é uma chef de restaurante, que vive tendo que se provar para o seu maior desafeto, o patrão. Mesmo sem a confiança do superior, Mari é uma cozinheira talentosa, seu problema é a falta de segurança.

Tal insegurança a personagem principal carrega para outros aspectos de sua vida, como o pessoal, o que a impossibilita de conhecer bons partidos, ou ao menos estar aberta a eles. Com a família também não é diferente e a moça não inspira a confiança da mãe e a da irmã. Mari é uma protagonista trágica. Todos os problemas são esquecidos quando ela conhece o simpático e galanteador, Caio. Logo, os dois estão vivendo um tórrido caso de paixão. Mas aos poucos, a protagonista junta pequenas peças de que o sujeito talvez não seja tão sincero assim.

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Tudo piora quando ela recebe o primeiro grande baque, que é a grande reviravolta da obra e um assunto difícil de ser revelado sem que estraguemos a surpresa. Entrei em Confia em Mim sem saber sua premissa, mas tal fato deve estar contido em todas as sinopses e, sem que precisemos pensar muito, no título. Após conseguir arrecadar uma grande quantia como investimento para a compra de seu próprio restaurante, incentivada pelo novo companheiro, Mari vê o desespero tomar conta quando aparentemente perde numa só tacada o grande amor e seu futuro profissional.

Confia em Mim se comporta mais como um caso especial, desses que o mesmo veículo que deu fama a Solano costuma exibir, do que como um filme propriamente dito. E isto se deve ao departamento técnico da produção (fotografia, direção de arte, etc.) todos bem próximos a uma experiência televisiva. Não é coincidência alguma que a obra seja bancada pelo tal veículo, ou seu departamento no cinema, a Globo Filmes. Tirando isso da frente, devemos dizer também que o roteiro de Fábio Danesi não é de todo ruim. A trama é bem delineada, faz sentido e possui um grande sentimento ambíguo em relação ao personagem de Solano, até a hora da revelação de fato.

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A direção do estreante Michel Tikhomiroff possui um ritmo bom e gradualmente vai aumentando o risco das situações. Os atores não deixam a coisa descarrilar. Fernanda Machado (Tropa de Elite) exala mais charme e beleza impossível em seu retrato da personagem azarada. Sua naturalidade é um ponto positivo. Já Solano, exibe pequenos reflexos e trejeitos de seu caricato personagem novelesco ainda entranhados em sua personalidade, como apontaram colegas de profissão. Ao irmos ao cinema desejamos algo diferente do que podemos ver na televisão, algo de certa magnitude e abrangência artística maior. E esta necessidade sem dúvidas não é suprida aqui. Confia em Mim termina com gosto de uma exibição fraca de outro programa do mesmo veículo (e por que não?), o Supercine.

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