Conheça a Franquia ‘Karatê Kid’ – Que deu origem para a série Cobra Kai

Conheça a Franquia ‘Karatê Kid’ – Que deu origem para a série Cobra Kai


Sim, querido leitor, a história de Daniel LaRusso e Johnny Lawrence iniciou muitas décadas antes de Cobra Kai, a série que você mais respeita na atualidade. Trinta e poucos anos antes da plataforma Youtube sequer existir (o que dirá o derivado Youtube Red), os queridos personagens da franquia Karatê Kid já disparavam seus golpes certeiros, alheios a um futuro no qual algo chamado Internet iria mudar não somente a funcionalidade de nossas vidas, como resgatar suas carreiras.

Aproveitando o gancho da série do ano, e também pensando em você, nosso querido leitor, resolvemos voltar ao passado e trazer a série cinematográfica inteira comentada filme a filme. Sem mais delongas, esta é a franquia Karatê Kid.

Karatê Kid – A Hora da Verdade

O bully nunca havia sido retratado de forma tão abrangente como neste filme. O sucesso tornou Karatê Kid um dos filmes mais populares, não apenas do ano de 1984, como da década inteira, se transformando num verdadeiro marco do cinema entretenimento mundial.



O retrato juvenil da clássica história de superação da jornada do herói ganhava contornos nunca antes adereçados, usando como pano de fundo o universo das artes marciais – o que fez todos os meninos da época correrem para as aulas de karatê e afins. A trama de identificação imediata para o grande público, traz o menino novo da escola, vindo de outra cidade, que ao invés de boas vindas recebe hostilização e surra de valentões, e através da amizade e ensinamentos de um velho mestre sábio (dono de seus próprios traumas) consegue superar as adversidades.

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Bastou um filme para que Daniel LaRusso e o Sr. Miyagi, vividos respectivamente por Ralph Macchio e Pat Morita, ficassem imortalizados no consciente de toda uma geração. Dirigido por John G. Avildsen (vencedor do Oscar de melhor diretor por Rocky – Um Lutador, de 1976), Karatê Kid – A Hora da Verdade se tornava a quinta maior bilheteira de seu respectivo ano nos EUA, com mais de US$90 milhões em caixa – ficando atrás somente de sucessos como Um Tira da Pesada, Os Caça-Fantasmas, Indiana Jones e o Templo da Perdição e Gremlins.

Poucos sabem também é que Pat Morita, o intérprete do mestre Miyagi, foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante pelo filme em 1985. O rival de Daniel no filme, Johnny Lawrence, vivido pelo ator William Zabka, voltaria muitos anos depois para a franquia como protagonista de Cobra Kai. No filme, Martin Kove é o motivo por trás da agressividade do jovem, na pele do instrutor Kreese, da citada academia de luta. Outro nome de peso no primeiro filme é o da indicada ao Oscar Elisabeth Shue (Despedida em Las Vegas), que vive Ali, namorada de Johnny, por quem Daniel se apaixona. Esperamos vê-la em breve na nova série.

Karatê Kid II – A Hora da Verdade Continua

Com o estrondoso sucesso que o primeiro longa trouxe para a Columbia Pictures, hoje Sony, é claro que o sinal verde seria dado (ou exigido) pelo estúdio. Ei, você não achou que franquias e continuações são um invenção recente, né? Com as voltas de todos os envolvidos originais – o diretor Avildsen, o roteirista Robert Mark Kamen e os protagonistas Macchio e Morita – a sequência chegava dois anos depois, em 1986, precisando ser maior e melhor.

Seguindo imediatamente da noite do anterior, o segundo Karatê Kid logo joga nossos heróis na maior aventura de suas vidas. Para não repetir a estrutura narrativa (que viria a ocorrer no terceiro), a trama arruma uma viagem para o Japão, realizando uma volta ao lar do mestre Miyagi. O personagem havia se tornado tão popular, que os realizadores decidiram focar a história nele desta vez, lhe dando o palco para protagonizar o filme – e deixando Daniel LaRusso como coadjuvante desta história. Assim, é o mestre quem precisa fazer as pazes com o passado, com o pai, e um antigo rival.

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Karatê Kid II foi ainda mais popular e bem sucedido que o original. O filme foi a quarta maior bilheteria de seu ano, com mais de US$115 milhões nos EUA (garantindo assim o selo de blockbuster – medido na época por todo filme que ultrapassasse a barreira dos 100 milhões), e ficando atrás somente de grandes produções como Top Gun – Ases Indomáveis, Crocodilo Dundee e Platoon. O prestígio também continuava, e Karatê Kid II recebeu nova indicação ao Oscar, desta vez pela canção “Glory of Love”, de Peter Cetera e David Foster – a qual muitos atribuem, sem saber, ao primeiro filme.

Foi nesta época também que começaram a ser vendidos todo tipo de produto envolvendo o nome do filme, assim que os produtores viram potencial na conexão que a obra tinha com o público. Desta forma, os primeiro bonecos (conhecidos como action figures – em uma crescente de mercado) chegavam às lojas, assim como os primeiros vídeo games levando a marca Karatê Kid. As crianças podiam não apenas assistir as aventuras de Daniel San e Miyagi no cinema e vídeo, mas também jogar e brincar com eles.

Karatê Kid III – O Desafio Final

Mesmo um sucesso estrondoso precisa saber a hora de parar. Se criar a continuação de Karatê Kid parecia ser algo improvável – mas que se mostrou financeiramente, ao menos, a escolha certa – o que dirá uma terceira parte. Já ouviram o termo “tirar leite de pedra”?

Três anos depois, e em 1989 foi justamente o que os envolvidos originais recebiam contrato para fazer. Novamente, Avildsen, Kamen, Macchio e Morita retornavam para seus papeis em mais uma aventura recheada de artes marciais. Mas qual história contar, já que mestre e pupilo haviam superado todos os desafios? A opção foi trazer o passado de volta à tona. Na trama mais surreal da franquia, Kreese, o mestre derrotado da academia Cobra Kai, deseja vingança contra os protagonistas, no melhor estilo vilão de quadrinhos / James Bond.

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O sujeito se alia a um antigo colega de Vietnã, o ricaço Terry (Thomas Ian Griffith) – com direito a rabinho de cavalo e tudo, no melhor estilo Steven Seagal – dando o respaldo financeiro ao grupo malvado. Além, é claro, de alistar um novo pupilo, nas formas de Mike Barnes (Sean Kanan), o “bad boy” do karatê como era conhecido, servindo como substituto para Johnny.

O filme foi massacrado pela crítica, e por alguma razão os envolvidos já imaginavam, realmente planejando o terceiro longa como o último da franquia – daí a tradução em português. Karatê Kid III rendeu apenas um pouco mais de US$38 milhões nos EUA, o que perto dos filmes anteriores pode ser considerado um fracasso de bilheteria – ficando na 33ª posição no ranking dos filmes mais rentáveis. No concorrido ano de 1989, que engatava verdadeiramente o que perceberíamos com blockbusters, e contava com superproduções como Batman, Indiana Jones e a Última Cruzada, De Volta para o Futuro 2, Máquina Mortífera 2, Os Caça-Fantasmas 2, entre outros, a franquia já não tinha o mesmo gás. O filme sequer se posicionou entre as 30 maiores bilheterias mundiais do ano.

De qualquer forma, insistindo em extrair os últimos lucros que poderiam, uma série em animação de Karatê Kid foi lançada nesta época. Na verdade, a tentativa era a de um acordo para 65 episódios, com lançamento para 1988. O acordo finalmente foi aprovado para uma temporada de 13 episódios, que foram ao ar em 1989. Infelizmente o programa animado durou apenas esta primeira temporada, sendo cancelado logo após.

Karatê Kid 4 – A Nova Aventura

Com a franquia aparentemente morta e enterrada, os produtores tiveram uma brilhante epifania (para não dizer o contrário) cinco anos depois da última aventura de Daniel LaRusso e Miyagi no cinema- que parecia ter colocado o prego no caixão de Karatê Kid. Já que estes eram os anos 1990, mais antenados com questões sociais e femininas, que tal uma menina como a nova “criança carateca”? Até mesmo o título “the next karate kid”, ou “a próxima criança do karatê”, trazia esperança de tirar a franquia das cinzas.

Exatamente dez anos depois do primeiro longa, e a nova Karatê Kid assumia as formas de Hilary Swank - sim, você leu certo, a atriz duas vezes vencedora do Oscar (Meninos Não Choram e Menina de Ouro) – em seu segundo filme para o cinema (depois de Buffy – A Caça-Vampiros, 1992). No papel da rebelde Julie, Swank começa a ser treinada nas artes marciais pelo icônico Miyagi, a pedido de sua avó. Assim, a trama sai de Los Angeles para Boston, para mais um conto de bullying e superação.

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O saudoso Pat Morita (falecido em 2005) retornava para o papel que o consagrou, mas nenhum dos demais envolvidos estavam associados ao projeto. Christopher Cain (Os Jovens Pistoleiros, 1988) assumia a direção, e o texto ficava a cargo de Mark Lee. Além de Morita e Swank, o elenco contava ainda com Michael Ironside na pele do vilão obrigatório – o ator fez carreira com o tipo, em filmes como Scanners – Sua Mente Pode Destruir (1981) e O Vingador do Futuro (1990).

Com a competição acirrada de filmes como O Rei Leão, Velocidade Máxima, Forrest Gump, True Lies, O Máskara e Os Flintstones no ano de 1994, Karate Kid 4 somou irrisórios US$4 milhões em bilheteira nos EUA e um pouco mais de US$15 milhões ao redor do mundo.

Será que Swank toparia um eventual retorno na pele de Julie para a série Cobra Kai? Seria bem interessante se o programa abraçasse até os exemplares malditos da franquia.

Karate Kid

Anos 2010 e a palavra de ordem há muito é refilmagem e reinício de franquias cujos nomes ainda permeiam o subconsciente do público, em especial dos trintões. Assim, a clássica história de bullying ganhava novas tintas para a nova geração.

Produzido pelo casal Will Smith e Jada Pinkett Smith, como forma de impulsionara carreira de sua cria, o pequeno Jaden Smith, o filme contou com roteiro de Christopher Murphey e direção de Harald Zwart (Os Instrumentos Mortais). Um dos problemas aqui foi realmente a falta de carisma do jovem ator.

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A trama agora focava na família afrodescendente Parker, na qual uma oferta de emprego faz a mãe solteira Sherry (papel da indicada ao Oscar Taraji P. Henson) se mudar para a China com o filho Dre (Smith). No local, assim como Daniel LaRusso muitos anos antes dele, o menino será perseguido por uma nova classe de valentões, ao se apaixonar por uma colega de escola.

Ah sim, estamos esquecendo o personagem do mestre, afinal o que seria de Karate Kid sem a relação mentor–pupilo. E quem melhor para ensinar artes marciais atualmente do que Jackie Chan. Assim como Miyagi, o Sr. Han é um professor relutante, atormentado por seus próprios demônios do passado. As coreografias de luta são mais bem planejadas e realistas (mesmo com o golpe surreal que encerra a luta no torneio) – o pequeno Jaden realmente aprendeu a lutar, e Chan não dublava como Morita. O problema? A arte ensinada era o Kung Fu e não o Karatê.

Karate Kid (2010), apesar das críticas mornas (65% de aprovação da imprensa), pode ser considerado um sucesso financeiro, já que com o orçamento de US$40 milhões, o filme somou mais de US$176 milhões nos EUA e US$400 milhões mundiais, se tornando assim um dos filmes mais rentáveis de seu respectivo ano. Apesar disso, não houve planos para uma continuação.

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Cobra Kai

34 anos após sua primeira aparição no cinema, Daniel LaRusso e o rival Johnny Lawrence retornam para nossas vidas, invertendo seus conhecidos papeis, numa simbiose de lugares acinzentados. A série que serve de carro-chefe para a plataforma Youtube Red, parece trazer a clássica história para o mundo real, e nos mostra aonde se encontram os queridos personagens na fase adulta.

Igualmente produzida por Will Smith, a série se mostra a forma certeira de continuar as histórias de seus protagonistas, e obtém resultado muito mais satisfatório do que as últimas sequências desta franquia. O saldo foi tão positivo, que além de todas as críticas extremamente favoráveis (com 100% de aprovação da imprensa), uma segunda temporada já foi encomendada. Torcemos para que traga a volta de alguns dos personagens icônicos que já passaram pela franquia.





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