A primeira coisa que pensamos ao ler o título desta matéria é: só isso? Como Assim? Pois é, queridos leitores do CinePOP, na história de 92 anos dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (contando com este ano), apenas C-I-N-C-O mulheres foram indicadas na categoria de melhor direção.

Há quase um século, diversas diretoras de muito talento passaram por Hollywood e pelo cinema mundial sem serem notadas por grande parte dos votantes, membros da Academia. Tudo bem que no passado a sociedade em que vivíamos era outra, e que a mulher lutou e conseguiu conquistar muito espaço, direitos, inclusive no competitivo mercado de trabalho dominado pelos homens, nos mais variados âmbitos profissionais. O que incluiu a área de cinema.

Podia ser considerado “normal” para a época. Mas o que causa estranhamento é saber que desde os anos 1970, onde a sociedade mundial passou por inúmeros avanços de igualdade de gênero a passos largos, somente cinco mulheres tenham sido lembradas. E isso continua até hoje, numa edição do Oscar 2020 na qual temos apenas representantes masculinos na categoria. Não tivemos trabalhos de qualidade de diretoras mulheres? Não foram tão importantes ou bons quanto os dos homens? Muitos descordariam.

Mas aqui, não vamos tratar do constante desprezo e sim das importantíssimas lembranças que estas cinco mulheres obtiveram da Academia, se tornando verdadeiros marcos para a história mundial da sétima arte. São as diretoras mais talentosas que já pegaram numa câmera? Bem, muitos dirão que há controvérsias quanto a isso. Mas são diretoras de puro talento e que merecem ser enaltecidas? Isso sem dúvidas!

E para os chatos de plantão que irão argumentar que só diretoras americanas fazem parte da lista, saibam que a primeira diretora a ser indicada ao Oscar é uma italiana que fez carreira fora do cinema Hollywoodiano, assim como a segunda – uma neozelandesa.

Sem mais delongas, vamos conhecer essas profissionais pra lá de empoderadas, e não esqueça de comentar dizendo qual diretora você acha que deveria estar nesta lista e qual será a próxima a figurar nela.

Lina Wertmüller

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Nascida em Roma, na Itália, a diretora fez carreira em seu país de origem, sem nunca ter produzido uma obra em Hollywood. Todos os seus 32 créditos na direção, incluindo longas de ficção, documentários, curtas e obras para a TV foram produções realizadas na Itália, e faladas no seu idioma natal. Wertmüller também é uma diretora autoral, tendo escrito todos os roteiros de seus mais de 30 trabalhos.

Este ano, a cineasta completará 92 anos de vida, e continua ativa. A Casa dos Gerânios, com Sophia Loren, foi lançado em 2004 – sua, até então, última obra nos cinemas. Depois disso, assinou Mannaggia alla Miseria! (2009), um filme feito para a TV; e Roma, Napoli, Venezia… in um crescendo Rossiniano, um documentário curta-metragem, lançado em 2014 – seu último filme até então.

Entre as obras mais conhecidas da cineasta está Por um Destino Insólito (1974), um romance dramático sobre luta de classes – uma relação quase beirando a síndrome de Estocolmo entre um proletário e uma dondoca -, que inspirou a comédia americana Um Salto para a Felicidade (1987), com Goldie Hawn e Kurt Russell; e foi refilmada em 2002 por Guy Ritchie como Destino Insólito, estrelado por sua então esposa Madonna.

Mas o filme que escreveu o nome de Lina Wertmüller como a primeira mulher a ser indicada ao Oscar na história foi Pasqualino Sete Belezas (1975). Estrelado pelo ator preferido da diretora, Giancarlo Giannini, o longa é um drama cômico sobre um desertor da Segunda Guerra Mundial, capturado pelos alemães, que faz de tudo para sobreviver. Além da direção de Wertmüller, Pasqualino Sete Belezas também foi indicado aos prêmios de melhor ator para Giannini, melhor roteiro original (para a diretora) e melhor filme estrangeiro no Oscar – mas terminou sem levar nenhum.

A estatueta do Oscar da única indicação da diretora terminou nas mãos do cineasta John G. Avildsen (falecido em 2017) por Rocky – Um Lutador. No mesmo ano estavam nomeados verdadeiras lendas como Ingmar Bergman (Face a Face), falecido em 2007; Sidney Lumet (Rede de Intrigas), falecido em 2011; e Alan J. Pakula (Todos os Homens do Presidente), falecido em 1998. Lina, no entanto, recebeu um Oscar honorário este ano, e pôde finalmente colocar as mãos na estatueta pelo seu conjunto importantíssimo de sua obra.

Jane Campion

Igualmente uma cineasta autoral, a neozelandesa Jane Campion foi a segunda mulher indicada ao Oscar na história do cinema. Sua indicação ocorreu em 1994, quase 20 anos após a nomeação da primeira mulher. Ou seja, temos uma terrível lacuna aí. Campion, em vias de completar 66 anos de idade, começou a carreira no início dos anos 1980 e tem 19 créditos na direção em seu currículo.

Assim como muitos artistas atualmente, a diretora migrou para a TV, onde criou e dirigiu 8 dos 13 episódios da prestigiada série de crime e mistério Top of the Lake, estrelada pela ótima Elisabeth Moss. Este ano, a cineasta lançará The Power of the Dog, drama sobre a briga de irmãos que herdaram um rancho, quando um deles se casa e é influenciado pela mulher. O longa traz o trio Kirsten Dusnt, Benedict Cumberbatch e Jesse Plemons nos papeis principais.

A única indicação da carreira de Campion como diretora, no entanto, veio pelo drama de época O Piano, que retrata a jornada de uma mulher muda na Nova Zelândia do século XIX, ao lado de sua filha e seu piano. Ela é prometida para o casamento com um homem rico, mas logo vê despertar o desejo por um trabalhador local.  Apesar de não ter levado para casa o Oscar de diretora (que parou nas mãos de um certo Steven Spielberg por seu trabalho em um certo A Lista de Schindler), Campion saiu vitoriosa naquela edição, com o Oscar de roteiro original.

O Piano foi um dos grandes filmes de sua respectiva edição do Oscar, embora atualmente muitos não lembrem ou falem sobre ele. O longa marcou época com suas 7 indicações ao Oscar, entre elas as de melhor filme, fotografia, figurino e edição – além, é claro, da citada de direção. O Piano saiu vitorioso de suas duas indicações de atuação: melhor atriz principal para Holly Hunter (no papel de uma muda) e atriz coadjuvante para a então pequena Anna Paquin, que venceu o Oscar aos 11 anos de idade – além da citada de roteiro.

Sofia Coppola

A mais jovem diretora mulher a ser indicada ao Oscar na categoria, Sofia Coppola tinha apenas 32 anos na época de sua indicação. A artista é, como não nega o sobrenome, filha do grande diretor Francis Ford Coppola, e aparecia em participações pequenas como atriz nas obras do pai, vide Vidas Sem Rumo, O Selvagem da Motocicleta, Cotton Club e Peggy Sue. Seu “grande” trabalho e maior papel viria com O Poderoso Chefão III, no qual viveu um dos personagens mais importantes do filme, Mary Corleone, filha do protagonista Michael, interpretada por Al Pacino, e neta do icônico Vito Corleone – imortalizado por Marlon Brando.

Pelo papel de Mary Corleone, Sofia Coppola foi indicada duplamente ao Framboesa de Ouro – prêmio que se comporta como o “anti-Oscar”, uma grande brincadeira com os piores do ano. Coppola foi indicada para pior estreia e pior atriz. Brincadeiras à parte, muitos especialistas acreditam que sua atuação comprometeu o filme, já que seu personagem era essencial para a trama. É inquestionável que esta foi uma aposta arriscadíssima bancada por Francis Ford, que escalou sua filha sem muita experiência como atriz para uma personagem desta magnitude. O papel originalmente foi oferecido para Winona Ryder, que não pôde aceitar por motivos de agenda.

Mas Sofia deu a volta por cima e se tornou uma diretora autoral de mão cheia. Seu primeiro trabalho, As Virgens Suicidas (1999), foi uma produção elogiadíssima. E logo em seu segundo filme como diretora, Coppola recebeu uma indicação ao Oscar pelo comando da obra Encontros e Desencontros (2003), filme que fala sobre a alienação e conexão de duas pessoas muito diferentes no Japão: um ator de meia idade e uma jovem esposa – personagens de Bill Murray e Scarlett Johansson, respectivamente.

Aliás, Coppola foi indicada não apenas um Oscar, mas 3 – já que também recebeu a nomeação de melhor filme (como produtora) e levou para casa, assim como Campion, a estatueta de melhor roteiro original.  A verdade é que no ano de 2004 não teve pra ninguém, e O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, desfecho da trilogia, dominou a premiação. Assim, naturalmente, o prêmio de direção foi para o comandante da obra, Peter Jackson – numa premiação aonde ainda tínhamos o diretor brasileiro Fernando Meirelles indicado na categoria por Cidade de Deus.

Encontros e Desencontros recebeu também a indicação de melhor ator para Bill Murray – a primeira e única da carreira do veterano. Este ano, em vias de completar 49 anos, Sofia Coppola lançará On the Rocks, sua terceira colaboração com Murray, que viverá no filme um bon vivant numa jornada de reconciliação com sua distante filha.

Kathryn Bigelow

Três diretoras haviam tentado antes, mas só a quarta obteria a consagração máxima dos Deuses do Cinema. Com um hiato um pouco menor (da primeira para a segunda foram 17 anos, da segunda para a terceira foram 10 anos e da terceira para a quarta foram 6 anos), uma mulher voltava a ser prestigiada com uma indicação na categoria de melhor direção. Seu nome: Kathryn Bigelow.

E não apenas isso, pela primeira vez, uma mulher sairia vitoriosa desta indicação. Bigelow levou para casa o Oscar de direção pelo tenso Guerra ao Terror, sobre soldados cuja função é desarmar bombas enterradas na guerra do Iraque. O filme foca no vício da adrenalina que tais militares adquirem, sem conseguir se readaptar à vida normal. Guerra ao Terror foi indicado para 9 Oscar, e saiu vitorioso de 6 – além da direção de Bigelow, também como filme do ano e roteiro original. A diretora tinha 58 anos na época de sua vitória.

Bigelow começou a carreira ainda no final da década de 1970, e tem 21 créditos no currículo como diretora. Ao contrário das demais cineastas da lista, ela se especializou no cinema de ação, thrillers repletos de adrenalina e filmes que no passado eram muito associados a diretores homens. Afinal, poucos devem saber que obras como Quando Chega a Escuridão (1987), Jogo Perverso (1990), Caçadores de Emoção (1991) e Estranhos Prazeres (1995) foram dirigidas por uma mulher. O que a torna mais fora da caixinha e destruidora de paradigmas. Muito desta experiência se deve ao relacionamento profissional e depois pessoal com o diretor James Cameron, um especialista em imaginação e megalomania. Bigelow foi casada com o diretor de 1989 a 1991.

No rastro de Guerra ao Terror, Bigelow voltou a emplacar no Oscar com seu filme seguinte: A Hora Mais Escura (2012). Outro filme “porradão”, o longa retratava a caçada ao terrorista Osama Bin Laden. Mas, desta vez, um toque feminino, a protagonista era vivida por uma Jessica Chastain “sangue nos olhos”.  Apesar da qualidade na direção, e das 5 indicações ao Oscar (incluindo melhor filme, roteiro e atriz para Chastain), e a vitória na categoria de som, a diretora não foi lembrada pela Academia por seus esforços. Um grande equívoco. Seu último trabalho no cinema até o momento foi o drama racial Detroit em Rebelião (2017).

Greta Gerwig

Fechando a lista, temos a nova queridinha da Academia. Bem, em partes. Atriz e roteirista transformada em cineasta, Greta Gerwig é a menos “experiente” da lista, mas marcou um “golaço” logo em seu trabalho de estreia. Companheira do diretor Noah Baumbach, a dupla trabalhou junta em projetos como Greenberg: O Solteirão (2010), Frances Ha (2013) e Mistress America (2015) – nos dois últimos, além de atriz, Gerwig colaborou com o roteiro também.

Seu primeiro trabalho como diretora foi em parceria com Joe Swanberg, dividindo os créditos em Nights and Weekends (2008). Sua estreia oficial solo viria com Lady Bird (2017), sensação na época de prêmios de seu respectivo ano, incluindo o Oscar, que colocou Gerwig no mapa como talento inevitável aos 34 anos. Na época de suas respectivas indicações, Wertmüller tinha 47 anos, Campion tinha 39 anos, Coppola tinha 32 anos, e Bigelow venceu com 58 anos (a mais velha dentre as indicadas). Gerwig, sendo assim, é a segunda mais jovem mulher a ser indicada, atrás somente da menina de ouro Sofia Coppola.

Lady Bird foi indicado para 5 prêmios no Oscar, incluindo melhor filme e atriz principal para a preferida de Gerwig, Saoirse Ronan, além de diretora, é claro, mas terminou a noite de mãos vazias. Esse ano, Gerwig volta ao radar do Oscar com um filme ainda mais ambicioso e, segundo a maioria, de qualidade ampliada em relação à sua estreia. A releitura do clássico Adoráveis Mulheres foi indicado para nada menos do que 6 Oscar, incluindo melhor filme, e já é um dos mais queridos do grande público, de todos os tempos. Injustamente, porém, Gerwig não recebeu uma segunda nomeação. Mas a artista não está totalmente fora de jogada, já que descolou uma indicação pelo roteiro adaptado da obra.

O próximo projeto da cineasta será a adaptação da famosa boneca Barbie para as telonas, que ganhará as formas em carne e osso da “Barbie viva” Margot Robbie – e não existe ninguém melhor (Anne Hathaway que me desculpe) para o papel.

E você, também acha que as mulheres seguem sendo esnobadas pelo Oscar? É fã das diretoras que foram indicadas? Quem você acha que será a próxima mulher a ser indicada na categoria? Comente.

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