Crítica 2 | Curry Barker entrega um dos melhores filmes de TERROR do ano com o violento ‘Obsessão’

CríticasCrítica 2 | Curry Barker entrega um dos melhores filmes de TERROR do ano com o violento 'Obsessão'

Curry Barker fez sua estreia diretorial em 2024 com ‘Milk & Serial’, um insano filme de terror que rodado no estilo found-footage e com um orçamento ínfimo de 800 dólares. Após não conseguir fechar contrato com qualquer distribuidora, Barker, ao lado de seu colaborador de longa data Cooper Tomlinson, resolveu lançar a produção de maneira independente em seu canal do YouTube, chamando a atenção pelo caráter bastante original do projeto e conquistando críticas bastante positivas que lhe deram uma merecida e bem-vinda atenção. Não demorou muito até que Barker firmasse parceria com a Blumhouse para seu début no circuito de longas-metragens com Obsessão, que chega aos cinemas nacionais no próximo dia 14 de maio.

Com sua primeira exibição mundial no Festival de Toronto, a trama é centrada em Bear (Michael Johnston), um jovem desiludido que se apoia fortemente em seus melhores amigos – em especial em Nikki (Inde Navarrette), amiga de infância pela qual começa a nutrir de sentimentos muitos mais profundos e complexos. Incapaz de dizer a ela que está apaixonado, Bear visita uma loja de artigos esotéricos e compra uma varinha de salgueiro que garante apenas um pedido por pessoa. A princípio resolvendo dá-la à Nikki, ele age por impulso ao desejar que a amiga se torne perdidamente apaixonada por ele – e, a partir daí, a relação que outrora tinham se transforma em um ciclo de destruição regado a uma compulsão sanguinolenta e inescapável.

Como é de costume nas inúmeras produções da Blumhouse envolvendo objetos sobrenaturais e místicos, as coisas não saem como o planejado: apesar das mentiras que insiste em contar para si próprio, querendo acreditar que seu maior sonho se concretizou, a outrora vibrante personalidade de Nikki esmorece pouco a pouco, dando espaço para uma psicótica máquina de ciúmes que consome Bear dia após dia. O que ele desejava foi cumprido – e, agora, ele está preso em um labirinto sem fim que o arremessa em uma tenebrosa viagem pela loucura e pelo arrependimento.

Barker, responsável também pelo roteiro, traz a complexidade e a volatilidade das relações como mote principal da narrativa, colocando-as uma ótica propositalmente exagerada e que bebe de explorações já vistas nas obras de um outro cineasta que vem ganhando espaço significativo na sétima arte: Zach Cregger. Assim como o diretor dos ótimos ‘Noites Brutais’, ‘Acompanhante Perfieta’ e ‘A Hora do Mal’, Barker navega pelas “zonas cinzentas” da psique humana e as injeta com uma dose de exagero que une terror às pulsões da comédia ácida, com sequências inesperadas que são dosadas com exímio cuidado para nos levar numa montanha-russa de emoções.

O longa é pincelado com uma ironia constante que toma proporções apocalípticas à medida que a doentia fixação de Nikki por Bear coloca todos em risco. Em meio a irrupções de pânico inexplicáveis e uma espécie de lavagem cerebral que a transmuta em uma concha vazia do que realmente era, o protagonista percebe que cometeu o maior erro da sua vida ao desejar tê-la da forma como idealizara, suspendendo uma realidade que, apesar de dura, era saudável. E, acompanhando os crescentes conflitos que se estendem entre os personagens, Barker tempera as cenas com uma sátira contundente à codependência emocional.

Trazendo paralelos similares ao body horror ‘Juntos’, estrelado por Alison Brie e Dave Franco, o sucesso do filme não se deve apenas às sombrias reflexões que o realizador arquiteta, mas a um cuidado estético que nos engolfa num estado de alerta e de pânico constantes, em que sabemos que algo de ruim vai acontecer e, mesmo assim, nos espantamos quando isso ocorre. A sutileza com que os detalhes vão sendo mostrados denota uma estilização muito interessante de Barker, em que o horror e o bizarro não são óbvios, e sim enigmáticos e derradeiros – seja na tétrica trilha sonora pela qual também fica responsável, seja nas performances aplaudíveis de Johnston e de Freeman (esta roubando os holofotes a todo momento com uma entrega de tirar o fôlego).

Com Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter, Obsessão marca a impressionante estreia oficial de Barker no circuito de longas-metragens, singrando pelas complexidades morais da mente e das manias humanas e demonstrando um potencial gigantesco que pode transformá-lo em um dos grandes nomes da nova geração. Angustiante, pungente e até mesmo fúnebre, o filme é uma bem-vinda entrada ao gênero do terror e um dos melhores lançamentos da Blumhouse em um bom tempo.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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