Crítica 2 | Entre trancos e barrancos, ‘As Marvels’ é uma DIVERTIDA aventura dominada por Iman Vellani

Crítica livre de spoilers.

Em 2019, o Universo Cinemático Marvel ganhava mais um capítulo com o lançamento do elogiado ‘Capitã Marvel – que, além do sucesso crítico e financeiro, serviu como engate para ‘Vingadores: Ultimato’. O filme auxiliou a imortalizar a vencedora do Oscar Brie Larson como uma das personagens mais populares dos quadrinhos nas telonas, mas também atraiu uma onda de ódio inexplicável, ainda mais para com a atriz principal. Agora, depois de enfrentar uma pífia campanha de marketing e mais tentativas de boicote, Larson retorna ao MCU com a vindoura sequência As Marvels, que estreou hoje, 09 de novembro, nos cinemas nacionais.

Diferente do filme anterior, a narrativa não se concentra apenas em Carol Danvers/Capitã Marvel, abrindo espaço para o bem-vindo retorno de Teyona Parris como Monica Rambeau, sobrinha de Carol, e da carismática Iman Vellani como Kamala Khan/Ms. Marvel. Como visto no material promocional, o trio se conecta através de um fio condutor que envolve seus próprios poderes: Carol consegue absorver e canalizar luz, enquanto Monica consegue enxergá-la e Kamala, modelá-la e transmutá-la em objetos sólidos. De alguma forma, elas se tornam conectadas e trocam de lugar assim que ativam suas habilidades, forçando-as a se unir para enfrentar um perigo mortal encarnado pela misteriosa e ameaçadora figura de Dar-Benn (Zawe Ashton), arqui-inimiga da Capitã Marvel que quer se vingar de todo o mal que ela trouxe a seu planeta, Hala, transformando-o em um lugar inóspito, inabitável e insustentável.

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Seguindo os passos de outros antagonistas do universo super-heroico, Dar-Benn tem intenções que são compreensíveis e que fogem do maniqueísmo entre o bem o mal, mesmo justificando atitudes malignas e condenáveis com uma backstory trágica. E é claro que, munida da companhia de Kamala e Monica, Carol tem a missão de impedi-la em destruir mundos inteiros para recuperar Hala e quem sobreviveu de seu povo. Para tanto, ela utiliza um bracelete quântico que tem a habilidade de abrir “pontos de salto” que drenam recursos naturais de outros planetas e deixá-los abandonados. E é a partir daí que o roteiro se desenrola entre trancos e barrancos e, eventualmente, entregando uma aventura honesta e divertida.

Como é de costume, Larson vai um trabalho sólido ao reencarnar Carol, dividindo os holofotes com Parris – que, em certos momentos, é deixada de lado. Todavia, é Vellani quem emerge como a verdadeira estrela do longa-metragem: após ter conquistado os fãs do MCU na série que leva o nome de sua heroína, ela regressa como Kamala em um show de fascínio e de respeito à personagem que enche as telas e nos conduz com fluidez por um show recheado de piadas que funcionam na maior parte, por mais que enfrente obstáculos no caminho. Ela domina cada uma das cenas e auxilia na exploração de camadas mais profundas em relação a Carol e a Monica.

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Os laços que se estreitam entre as três insurgem como o principal ápice da obra – e a diretora Nia DaCosta, que conquistou os críticos e os espectadores com o ótimo terror ‘A Lenda de Candyman’, faz o possível para não colocar muitas informações e cansar o público com um excesso audiovisual. Todavia, à medida que ela tenta procurar um foco e meio a tantas subtramas, ela não sabe em que caminho seguir e se esquece de tomar cuidado com o ritmo dos três atos do projeto. O primeiro é atacado por uma montagem muito fragmentada, pincelada com cortes bruscos que, em vez de explicarem o que está acontecendo, apenas levantam mais questões por parte do público; o segundo encontra-se em meio a um trajeto irregular e começa a fornecer dicas do que podemos esperar do enredo; e o terceiro mergulha em um comodismo narrativo que só consegue se salvar pela cena de encerramento, pela sequência pós-créditos e pela química entre as personagens.

Há outros equívocos que conseguimos relevar caso estejamos engatados na narrativa – mas, para aqueles que não se conectarem, envolver-se com o que é apresentado pode não ser uma tarefa fácil. A trilha sonora é sólida e faz até referências a outras obras cinematográficas; porém, como já mencionado, inúmeras subtramas, uma vilã um tanto quanto genérica e que perde brilho quando colocada ao lado do Alto Evolucionário (‘Guardiões da Galáxia Vol. 3’), por exemplo, e efeitos especiais que poderiam ser melhor trabalhados quebram a magia e nos deixam com uma sensação agridoce conforme nos aproximamos dos créditos finais.

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As Marvels não é um filme tão ruim quanto as pessoas estão pintando nas redes sociais ou como alguns críticos enviesados insistem em caracterizá-lo; é claro que o resultado é aquém do esperado, mas isso não significa que não podemos nos divertir caso o encaremos como o entretenimento em sua forma mais pura e não como uma revolução estética que quer ser maior do que pode.

Confira a crítica em vídeo:

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.