O Menino de Ouro

É impossível falar da Hollywood atual e dos filmes de entretenimento sem citar Steven Spielberg. Para muitos, Spielberg é sinônimo do diretor mais bem sucedido da história, e um cineasta responsável por marcar as gerações de 1980 e 1990. Voltando ainda mais no tempo, compreendemos que Spielberg pode ser considerado o pai dos blockbusters, responsável pelo primeiro arrasa-quarteirão da história, o primeiro filme a se comportar como fenômeno cultural, de forma sem precedentes. É claro que estamos falando de Tubarão, que em 1975 se tornava o primeiro longa da história a arrecadar mais de 100 milhões em bilheteria nos cinemas dos EUA.

Apesar de todos os problemas, que quase levaram Spielberg, então um jovem de menos de 30 anos, a desistir não só do filme mas da carreira, é inegável que Tubarão serviu para pôr o nome do prestigiado artista no mapa. Depois de Tubarão, seguiram filmes como Star Wars (1977), do amigo George Lucas, e outros filmes do próprio Spielberg, até chegarmos na era que temos hoje, de filmes que rompem a marca do bilhão em bilheterias. Toda esta introdução apenas para nos levar a Spielberg, não o homem, mas o documentário da HBO, cuja proposta é descortinar este verdadeiro marco da indústria do cinema.

Dirigido por Susan Lacy, produtora de Janis: Little Girl Blue (2015), documentário sobre a lenda do rock Janis Joplin, Spielberg narra em capítulos a carreira e vida pessoal do lendário cineasta. Da infância e vida em família, aonde inicialmente renegou por vergonha as origens judaicas, passando pelo relacionamento com suas muitas irmãs, até a separação dos pais – o que o motivou entre outras coisas a fazer E.T. – O Extraterrestre, de 1982, (história sobre um menino que busca numa criatura fantástica a força para superar o divórcio dos pais e o rompimento da família). De fato, como o próprio diz no filme, sua carreira foi pautada por filmes sobre lares desfeitos.

Em entrevistas nas quais o diretor fala de forma honesta e aberta, temas como seus relacionamentos, o casamento com a atriz Amy Irving (de 1985 a 1989) e com Kate Capshaw, com quem é casado até hoje, surgem à mesa, com o propósito de jogar os holofotes no homem por trás do artista. Spielberg fala com pesar sobre repetir o erro dos pais, o que lhe causou um grande trauma na infância, ao se separar de Irving, com quem teve um filho, e para ele trazer a dor que uma vez sofreu.

Spielberg também fala, mesmo que de forma muito breve, sobre a lição de humildade que teve com a comédia 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1979), o primeiro grande fracasso de sua carreira. Depois dos sucessos monstruosos consecutivos de Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), o diretor achava que não podia errar. Nas palavras do mesmo: “eu posso fazer de tudo, então agora tentarei uma comédia”. Como desejo pessoal, gostaria que o diretor tivesse falado sobre outras grandes produções assinadas por ele que não deram certo, e que ponderasse sobre o que falhou, vide Além da Eternidade (1989) – que ainda renderia assunto sobre trabalhar com a lenda Audrey Hepurn em seu último filme – Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991) e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), só para citar alguns. Fato até relevado já que a proposta aqui é enaltecer a carreira do cineasta.

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Outro destaque do documentário são os depoimentos de ícones como Martin Scorsese, George Lucas, Francis Ford Coppola e Brian De Palma, todos parte do movimento revolucionário que tomou Hollywood de assalto na década de 1970, e que abraçaram Spielberg, então o novato no bando. Com imagens raríssimas de arquivo e depoimentos da época, assim como recentes, este trecho é uma verdadeira aula de cinema.

Existe também ênfase no eterno embate arte versus entretenimento, e Spielberg passou por isso como talvez nenhum outro diretor. Afinal, ele é a face do cinema entretenimento, do cinema pipoca. Para se provar, o cineasta entrega obras como A Cor Púrpura (1985) e Império do Sol (1987), mas foi com A Lista de Schindler (1993) que calou definitivamente seus detratores.

Grande parte de seus filmes, ao menos os mais importante, recebem a devida atenção em Spielberg, vide E.T. e Jurassic Park (1993), o que adiciona ao valor de produção dos 147 minutos deste documentário essencial. Para ver, rever e ter na coleção. Indispensável para qualquer amante de cinema. E que a HBO decida fazer do longa uma série, focando agora nos outros companheiros de Spielberg.

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