Filme de terror estreando no circuito exibidor é sempre um motivo de comemoração, seja porque aqui no Cinepop a galera é fã do gênero, seja porque por ser um gênero desmerecido em premiações e festivais, é sempre bacana quando o circuito comercial abre espaço para exibir um novo longa. Ainda mais quando o filme de terror é tão chocante, que surpreende essa mesma abertura de espaço. Sendo assim, fiquem de olho no longa ‘Dolly – A Boneca Maldita’, que entra essa semana nos cinemas brasileiros.

Macy (Fabianne Therese) e Chase (Seann William Scott, da franquia ‘American Pie’) são namorados e a coisa está ficando séria, pois Macy encontrou um anel nas coisas de Chase. E ela está certa: ele a pede em casamento no topo de uma linda colina, após fazerem uma trilha nesse dia especial. Acontece que por mais que Macy ame Chase, ela não quer ser mãe da filha dele, e fica desconfortável com a situação. Porém, nada disso importa pois no meio dessa floresta há uma criatura medonha: a Dolly (Max the Impaler), uma criatura com corpo de mulher que se veste com roupas e máscara de boneca de porcelana, e que passa a caçar Macy para transformá-la em sua boneca favorita.
Toda vez que um filme de terror envolvendo seres humanos surge, nós, cinéfilos, acabamos por nos surpreender com a capacidade humana de ser bizarra. Porque sim, ‘Dolly – A Boneca Maldita’ é um dos filmes de terror mais bizarros dessa temporada.
O roteiro de Brandon Weavil e Rod Blackhurst parte uma situação corriqueira, a do casalzinho com embate moral, para partir para uma história sobre a complexidade psicológica do ser humano em construir camadas e camadas de distúrbios no intuito de se proteger ou de sanar uma falta, um trauma que fica em aberto na vida de uma pessoa. Mas isso é papo de sala de terapia. Em ‘Dolly – A Boneca Maldita’ o que interessa é a protagonista-assassina que tem um perfil psicológico profundamente perturbado, transformando-a numa mulher que se veste como boneca de porcelana dos anos 50, que, inclusive, usa uma máscara de porcelana e se comporta como tal. O resultado visual disso é uma das coisas mais perturbadoras do circuito exibidor atual.

Com certa maestria sádica, o diretor Rod Blackhurst com cenas grotescas que farão o espectador fazer caretas ao longo dos uma hora e vinte minutos. Partindo do princípio do serial killer que busca mulheres reais para vesti-las de bonecas e tratá-las como se fossem crianças de colo (um comportamento, aliás, também praticado para fins sexuais), o grafismo dessas cenas que, em outros contextos (se fossem mãe e filho reais, por exemplo) estariam dentro da normalidade estética, ao serem inseridos num contexto do sadismo psicológico de um psicopata de mente enviesada, é fácil afirmar que tais situações se aproximam da bizarrice que apenas um ser humano é capaz de elaborar. Mas não é fácil de assistir, ainda que, na prática, não seja nada demais.
Para quem curte filme de terror diferentão, com ares de cult underground de festival de cinema, ‘Dolly – A Boneca Maldita’ entrega exatamente essa vibe, num conceito de filme de terror chocante não tanto pelo grau de violência, mas por se aprofundar no mais grotesco do psicológico e trazer tudo isso para a telona. E sim, para quem curte terror com matança criativa, ‘Dolly – A Boneca Maldita’ também entrega. Ou seja, um filme que precisa estômago forte, mas que diverte dentro de sua proposta um tanto quanto inusual.



