Crítica | ‘Meu Querido Assassino’ – A necessidade de sobrevivência por meio da violência

CríticasCrítica | ‘Meu Querido Assassino’ – A necessidade de sobrevivência por meio da violência

Com a chegada dos mais diversos streamings às nossas vidas – alguns com imensos catálogos – ganhamos a oportunidade de conhecermos obras de todo o mundo ao alcance de um clique. Seguindo nessa vertente, chegou à Netflix neste início de maio Meu Querido Assassino, filme tailandês que mistura ação e drama ao costurar a necessidade de sobrevivência por meio da violência, relações conturbadas, dilemas cruéis com o nascimento de uma história de amor.

Com uma rápida contextualização, a narrativa nos leva a um cenário em que o mundo descobre que bem menos de 1% da população possui um sangue raro, conhecido como ‘sangue dourado’. Seus portadores passam a virar alvos de organizações criminosas movidas por uma sede incansável de comercializar essa genética rara. Dentro desse contexto, somos apresentados a uma protagonista que passa por uma enorme transformação, ligada a um destino que lhe oferece poucas opções de escolhas.

Lhan é uma jovem vietnamita que vê seus pais serem assassinados por um grupo comandando por um caçador de aluguel durante uma tentativa de sequestro. Ela é salva por indivíduos treinados que encontram um refúgio na Casa 89, uma enorme loja de móveis que funciona como uma espécie de lar para essas pessoas. Nesse lugar, conhece outros jovens, Pran e M. Com o passar do tempo, Lhan e Pran precisam encarar o destino sangrento que os aguarda, ao mesmo tempo em que nasce uma forte relação entre os dois.

Dirigido por Taweewat Wantha, com roteiro assinado por Watthana Veerayawatthana, esse projeto aposta na violência como uma variável que circula tanto o desenvolvimento dos personagens quanto o lado moral que encontra o discurso. A obra, dedica boa parte de seu tempo às cenas de ação, com intensos treinamentos de artes marciais e confrontos empolgantes, mas escorrega nos entrelaços de uma trama que parecia ser mais profunda do que realmente se apresenta.

Ao longo de cerca de duas horas de projeção, o desafio do roteiro é encontrar uma forma dinâmica de ligar os pontos entre o caos e as oportunidades de respiro, partindo de uma premissa que tem seu alicerce no senso de família. Parece, em um primeiro momento, uma lógica bastante parecida com as dos X-Men: seres raros que se juntam em um lugar, com treinamentos e uma espécie de mentor. No entanto, com as reviravoltas que surgem pelas entrelinhas, tudo passa a ganhar novos sentidos, se distanciando dessa analogia rapidamente.

Meu Querido Assassino pode agradar quem curte filmes de ação, especialmente aquelas obras que dedicam bastante tempo às cenas de confronto. A construção visual conversa com o mergulho no sangrento e violento, refletindo o labirinto pela sobrevivência por meio de um instigante pulsar nas imagens e movimentos. No entanto, há dificuldades na parte dramática, com personagens pouco aprofundados e uma trama que se perde pelo caminho, deixando pontas soltas em seu desfecho.

 

Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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