Crítica 3 | Vingadores: Era de Ultron

À MODA DA CASA É AÇÃO E DIVERSÃO

Entra ano, sai ano e a Marvel Studios continua solidificando o que é hoje a franquia cinematográfica mais rentável da história. Não por acaso, tal posto apenas reflete a capacidade desse grupo presidido por Kevin Feige, que, cercado de profissionais competentes e comprometidos, vem fazendo um trabalho minuciosamente planejado e eficiente. Até mesmo em outras mídias, o caso das séries televisivas. E com a chegada da aguardada continuação de Os Vingadores (2012), o futuro parece ainda mais resplandecente.

Joss Whedon retorna como diretor e agora também assina sozinho o roteiro deste Era de Ultron, que pode facilmente ser rotulado como um blockbuster autentico. Um filme sem muitas pretensões artisticamente textuais, mas que acaba sendo grandioso por essência. É recheado de cenas de ação, possui personagens absolutamente carismáticos e tem um humor que caminha organicamente em seus três atos. Sim, apesar do material de marketing apresenta-lo por um viés deveras obscuro, a atmosfera vivenciada aqui não é diferente da anterior. As já conhecidas gags do estúdio são recorrentes, não incomodam e funcionam como alívio cômico.

Outra boa surpresa é que, diferente do esperado, o longa não fica preso ao background do universo de qual faz parte, pelo contrário, é bem direto e tem um arco central definido. Ainda que muitos dos acontecimentos sejam importantes, futuramente, para a divisão da equipe na aclamada saga Guerra Civil, ou certas decisões afetem, diretamente, os planos do vilão Thanos. A questão é que esses e os demais tópicos são passados sutilmente e em nada interferem dentro da trama.

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Esta que traz a dupla Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo) construindo um sistema de inteligência artificial (Ultron) capaz de proteger a Terra e manter a paz mundial. Precisamente porque, depois dos acontecimentos em Nova Iorque, Stark é atormentado pelo negro futuro reservado ao planeta, devido à incapacidade do grupo diante do ataque alienígena eminente. No entanto, o projeto não sai exatamente como previsto, um novo e quase indestrutível ser cibernético surge com uma ideologia semelhante à de Noé: encontrar a salvação da raça humana, nem que pra isso precise exterminá-la.

Com a S.H.I.E.L.D. destruída, após os eventos de O Soldado Invernal (2014), os Vingadores tem como base militar o antigo prédio das empresas Stark, e por assim a fortuna do empresário como fonte de renda. Para impedir a ascensão de Ultron, a equipe junta forças novamente. No entanto, com a chegada dos irmãos inumanos, Pietro (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), as coisas complicam ainda mais, principalmente quando descobrem que o robô está criando uma forma de vida com poderes incógnitos.

Bem como o original, a fita possui um roteiro assumidamente simplório, a história basicamente é: heróis unidos lutando para destruir o vilão – este que mesmo não tendo uma forma realmente sólida, já que está ciberneticamente enraizado em qualquer software ou inserido na internet, soando invencível dessa maneira, absorveu conceitos e valores humanos, tornando sua causa ainda mais obsessiva ou até falha. Então, como é notado, Whedon parece de novo não se preocupar em criar contos que sejam intrigantes ou apresentem subtramas. Algo que pode soar preguiçoso, mas que tem como foco o drama enfrentado pelos personagens em meio às aflitas situações aludidas.

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Ambas as escolhas não devem ser encaradas como certas ou erradas, tais fatores podem funcionar, perfeitamente, juntos ou separados. Talvez o autor procure o lugar comum e use uma fórmula que deu certo; ou quem sabe ver em tela tanta gente fantasiada sempre possa soar como puro entretenimento escapista. É algo que não temos como saber.

Com ininterruptas sequências de batalhas, que até cansam, o título ganha fôlego em momentos mais pessoais e alegres. Não que as tomadas de ação sejam mal executadas – a primeira delas, então, é um belo exercício narrativo, onde, através de um plano-sequência aéreo, vemos os heróis lutando e invadindo uma fortaleza, num andamento que de pronto deixa o espectador fincado na cadeira – aliás, isso também acaba sendo fundamental para o ritmo fílmico, que se mostra completamente frenético. Porém, quando o artificio é repetido invariavelmente, a história acaba sendo deixada de lado e pode perder o interesse.

O design de produção é um deleite, tanto os cenários internos e externos quanto o figurino e o visual das figuras apresentadas merecem destaque. A aparência física e mecânica dos robôs soa bastante verossímil. Do mesmo modo que os uniformes dos heróis não parecem tão coloridos como antes. O que está ligado à fotografia de Ben Davis, que utiliza paletas escuras, deixando a atmosfera com tons de cinza e conferindo um clima mais pesado. Que poderia casar com a trilha sonora do experiente Danny Elfman, conhecido por melodias misteriosas, o que não acontece aqui. Elfman e seu parceiro Brian Tyler reaproveitam as composições de Alan Silvestri entregam um trabalho pouco inspirador, que passa quase despercebido.

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Mas é mesmo no elenco (ou nos personagens) que todas as fichas foram depositadas. Além dos já citados Downey Jr. e Ruffalo, Chris Hemsworth, Chris Evans, Scarlett Johansson e Jeremy Renner debutam, novamente, com suas figuras já marcadas na cultura pop. Sem maiores exceções, todos convencem, já que, depois de vários encontros, o dinamismo e química acontece naturalmente.

E que bom destacarem dessa vez o personagem de Renner, Gavião Arqueiro, seu arco é o alicerce dramático do texto. Do mesmo modo que a Wanda (de Olsen) faz jus à  importância que detém como estopim e/ou resolução – que nem de longe teve o mesmo peso da cena final do Homem de Ferro salvando o mundo de Loki e companhia. O ponto negativo do casting fica a cargo do sempre insosso Taylor-Johnson, que tem em mãos um grande papel, mas desperdiça e não diz à que veio. Ao contrário de Paul Bettany, que ao tridimenssionalizar seu Visão, vira um dos personagens mais interessantes e decisivos.

No frigir dos ovos, realmente constatamos que, ainda que não traga o mesmo delírio catártico do anterior – também pelo ineditismo do material na época -, a segunda aventura dos Vingadores no cinema consegue manter o bom nível e ainda assim supera-lo em certos aspectos. Como, por exemplo, no desenvolvimento pessoal e temático. A tal expectativa é algo natural nosso, no entanto é sempre bom separar “o que é” do que em tese “devia ter sido”. E nesse sentido, no que se propõe ser, Era de Ultron cumpre bem sua função, obrigado.

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