Crítica | 4º episódio da última temporada de ‘The Boys’ é um dos melhores até agora

CríticasCrítica | 4º episódio da última temporada de 'The Boys' é um dos melhores até agora

Ano após ano, The Boys veio construindo um legado inegável no cenário contemporâneo das produções seriadas, configurando-se como uma das melhores atrações do streaming. Apesar de escorregar aqui e ali, a profunda e ácida narrativa sempre se manteve consistente e entregou o que o público esperava – uma análise exagerada e assustadoramente verossímil à confusa realidade em que vivemos, ainda mais ao se apropriar das intrincadas engrenagens políticas dos Estados Unidos e utilizar a histeria coletiva e a ascensão da extrema-direita como força-motriz para os múltiplos arcos.

Ao chegarmos à temporada de encerramento, o showrunner Eric Kripke e seu talentoso time de diretores e roteiristas tinha uma tarefa árdua pela frente, prometendo presentear o fiel público com o melhor ciclo até então. E, adentrando em sua quarta semana, a qualidade da produção mantém-se elevadíssima, cumprindo com a missão supracitada e apostando fichas em um imensurável crescendo que caminha para um espetacular grand finale. Dessa maneira, o quarto episódio do ciclo de conclusão, intitulado “King of Hell”, esquadrinha sólidas dinâmicas e conflitos para nos manter vidrados em uma batalha pelo poder que deixa e continuará deixando um rastro de sangue pelo caminho.

No mais recente episódio, o Capitão Pátria (Antony Starr) desenvolve um perigoso e mortal complexo de Deus após ter uma visão angelical que o aponta não só como o “salvador da pátria”, mas como uma entidade inabalável e onisciente que supera até mesmo a construção imagética de Jesus Cristo na sociedade – colocando-o uma trajetória claramente autodestrutiva. Essa percepção representa o pináculo de tudo o que vem se acumulando desde o início da série, transformando-o no demagogo ególatra que precisa destruir seus inimigos e construir seu império nos corpos daqueles que ousam desafiá-lo – e até mesmo seus aliados, incluindo Mana Sábia (Susan Heyward) e Espoleta (Valorie Curry), percebem que estão enfrentando um barril de pólvora muito instável.

O Capitão Pátria, então, se alia com o próprio pai, Soldier Boy (Jensen Ackles), para encontrar uma versão do composto V que pode lhe garantir a tal sonhada imortalidade, viajando para Fort Harmony para tentar encontrá-la. Porém, o local já está sendo vasculhado por Billy Bruto (Karl Urban), Hughie (Jack Quaid), M.M. (Laz Alonso), Frenchie (Tomer Capone) e Kimiko (Karen Fukuhara), que desejam colocar as mãos no composto antes do Capitão Pátria para impedir que ele se torne, de fato, uma divindade indestrutível. O problema é que eles não contavam que uma toxoplasmose tomou conta do ambiente, infectando todos presentes a ponto de trazer o pior de cada um à tona – e dando início a vários embates físicos que posam como mais um obstáculo enfrentado pelos nossos protagonistas.

O terceiro núcleo do episódio (e talvez o mais importante e solene) é centrado em Annie (Erin Moriarty). Após deixar Hughie e o refúgio onde o grupo anti-Vought se escondia, ela foi confrontar o pai, que a abandonou décadas atrás. Ao encontrar Rick (Tim Daly) já tendo formado uma outra família, ela não esperava enfrentar sentimentos tão poderosos, mas percebe que precisava encerrar as pontas soltas com seu progenitor – que, diferente do que imaginava, foi forçado a se render ao sistema a fim de proteger sua esposa e seu filho, por mais que odiasse a posição em que foi colocado. Aqui, somos presenteados com uma ótima dosagem de suspense e drama que traz mais camadas à personalidade de Annie e emerge como o ponto de partida oficial para o finale da personagem.

Como mencionado, a quinta temporada vem galopando em um crescendo imensurável, cujos propositais e bem-vindos exageros encontram terreno fértil no quarto capítulo e permite que a acidez, o drama e os múltiplos comentários políticos sejam revestidos com uma mistura quase impecável entre boas reviravoltas, intercorrências pessoais e uma pungente sátira que traz um ritmo frenético a todos os núcleos explanados acima. A diretora Karen Gaviola assume as rédeas de ótimas sequências revestidas com uma melancolia inescapável – e que dá sólido apoio ao roteiro de Geoff Aull, que permite que todos os personagens tenham o seu momento de brilhar.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 29 de abril.

Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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