Crítica | Penúltimo episódio de ‘The Boys’ entrega as últimas cartas do jogo e nos prepara para o confronto final

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CríticasCrítica | Penúltimo episódio de 'The Boys' entrega as últimas cartas do jogo e nos prepara para o confronto final

Cuidado: muitos spoilers à frente.

A popularidade da série ‘The Boys’ pode ser explicada por uma gama de fatores, desde os densos e complexos personagens até os ácidos e pungentes comentários políticos que traz aos espectadores. Um dos elementos que sempre conquistou o público foi a total franqueza dos assuntos abordados, pincelados com um frenesi incontrolável de muitas cenas de ação e muito sangue – e talvez por essa mesma razão a temporada de encerramento da aclamada produção tenha atraído tantos comentários divisivos nas redes sociais, com muitos internautas criticando o ritmo do ciclo e o fato de todos os episódios parecem fillers.

Este que vos escreve prefere encarar a quinta temporada como uma meticulosa iteração slow-burn que pega a sátira política e a eleva à enésima potência em cada uma de suas cenas mais insanas. Desde o início do ciclo, que nos mostrou uma América sob o comando autoritário e fascista do Capitão Pátria (Antony Starr) até sua consagração como “divindade” no episódio anterior, o showrunner Eric Kripke nos alimenta pouco a pouco com as intrincadas engrenagens que regem um Estados Unidos submetido às vontades de um super-herói agora imortal e com uma enorme personalidade ególatra e mitomaníaca que pode colocar todos em risco – e que, ao transformá-lo em um mimado psicopata, oferece uma metáfora muito clara ao que acontece no mundo nos dias de hoje.

Cada episódio parece propositalmente constrito a uma mensagem determinada que pretende entregar – e não apenas isso, como também mostra-se determinado a fornecer a mais insana e inesperada conclusão aos personagens que aprendemos a amar (ou a odiar, neste caso). E enfim chegamos ao penúltimo capítulo da série, “The Frenchman, the Female, and the Man Called Mother’s Milk”, que chegou recentemente à grade de programação do Prime Video e, que, mais uma vez, toma o tempo necessário para garantir que possíveis pontas soltas sejam amarradas e pavimentar o terreno para um épico finale que será exibido nesta próxima semana.

Após ser injetado com o V1, o Capitão Pátria enfim assume sua verdadeira forma psicótica e, tornando-se a divindade que sempre quis, ele tira o presidente dos Estados Unidos da reta e dá aval a uma série de medidas totalmente excludentes que inclui a dissolução dos Sete (transformando-o no único a ser adorado pelos EUA e, em breve, pelo mundo), a instituição da Igreja Democrática da América como o único conduíte religioso do país e a invasão de quaisquer cidades que tenham abrigado luzestrelistas. Mas isso não é tudo: seu domínio de terror se estende até mesmo a seus seguidores, que se veem atraídos para uma armadilha comandada por Ó Pai (Daveed Diggs) e que pune os “hereges” com uma morte dolorosa e violenta.

Enquanto isso, Luz-Estrela (Erin Moriarty), Billy Bruto (Karl Urban), Hughie (Jack Quaid) e M.M. (Laz Alonso) invadem os estúdios da Vought para resgatarem os seguidores do Capitão Pátria das garras de seus asseclas, plantando uma semente de esperança que com certeza será explorada no último capítulo. O problema é que, nesse meio-tempo, Billy e Hughie são capturados e um dos seguidores do Capitão, o Verme (Ely Henry), descobre o paradeiro de Kimiko (Karen Fukuhara), Frenchie (Tomer Capone) e Mana Sábia (Susan Heyward) e vai atrás deles – culminando em uma das mortes mais tristes da série.

Como bem sabemos, o mote da temporada é focado no destrutivo complexo divino que o Capitão Pátria desenvolve e que o fez acreditar piamente de que é o novo Messias; porém, essa destruição não é tão visceral quanto já visto nos ciclos anteriores, optando por uma abordagem que não requer a explicitação, e sim um cuidado mais emocional que, aqui, encontra sucesso na comunhão do roteirista Anslem Richardson e da diretora Sylvain White, ambos ousando onde conseguem para arquitetar pequenas gemas audiovisuais.

O destaque vai também ao trabalho imprescindível do elenco, com destaque óbvio ao trabalho de Urban e Starr em incursões memoráveis, e de Fukuhara em uma de suas melhores performances dentro desse universo – nos guiando por uma pungente sequência que coloca sua personagem em uma dolorosa despedida de Frenchie. Terminando de maneira melancólica e sombria, fica claro que o penúltimo episódio de ‘The Boys’ representou a gota d’água para, enfim, o aguardado confronto que ocorrerá em alguns dias.

Lembrando que o episódio de encerramento vai ao ar em 20 de maio.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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