Crítica | A Favorita do Rei – Johnny Depp é O Rei da França em Drama de Época

Não há dúvidas de que Johnny Depp é (ou foi) um dos grandes nomes de Hollywood. O ator é protagonista de clássicos do cinema pop contemporâneo como ‘Edward: Mãos de Tesoura’ e da franquia ‘Piratas do Caribe’, onde interpreta o pirata Jack Sparrow, personagem que transcendeu as telonas e se tornou uma das fantasias mais copiadas nos carnavais do Brasil. Mas todo esse talento acabou indo parar numa zona umbralina quando sua vida pessoal se sobrepôs ao trabalho, e seu casamento com a atriz Amber Heard se tornou um escândalo mundial acompanhado midiaticamente nos últimos anos. Com isso, a oferta de trabalho para o ator diminuiu drasticamente, e, mesmo após q conclusão da batalha judicial, não tem pintado tanta opção para Depp. Nesse ritmo, o cinema europeu se mostrou como um bom refúgio para o ator, que chegou essa semana aos cinemas brasileiros com seu primeiro filme após todo o processo de divórcio, o drama francês ‘A Favorita do Rei’.

 

Estamos no meio do século XVIII. O Rei Luís XV (Johnny Depp) coleciona amantes por todo o reino, até o dia em que casualmente conhece a jovem Jeanne Du Barry (Maïwenn) e imediatamente se interessa por ela, chamando-a para um encontro íntimo. Mas o rei não fazia ideia de que esse encontro já havia sido previamente orquestrado por Jeanne e seu companheiro (Melvil Poupand), e que Jeanne o surpreenderia não só com seus encantos físicos, mas, acima de tudo, por sua inteligência, e o que deveria ser um relacionamento breve e carnal acabaria se tornando em um dos maiores escândalos da corte francesa, com o rei desfilando com sua consorte pelo palácio de Versalhes na frente de todos, inclusive de suas filhas e do Delfim (Diego Le Fur).

Estamos no meio do século XVIII. O Rei Luís XV (Johnny Depp) coleciona amantes por todo o reino, até o dia em que casualmente conhece a jovem Jeanne Du Barry (Maïwenn) e imediatamente se interessa por ela, chamando-a para um encontro íntimo. Mas o rei não fazia ideia de que esse encontro já havia sido previamente orquestrado por Jeanne e seu companheiro (Melvil Poupand), e que Jeanne o surpreenderia não só com seus encantos físicos, mas, acima de tudo, por sua inteligência, e o que deveria ser um relacionamento breve e carnal acabaria se tornando em um dos maiores escândalos da corte francesa, com o rei desfilando com sua consorte pelo palácio de Versalhes na frente de todos, inclusive de suas filhas e do Delfim (Diego Le Fur).

É curioso reparar que, para recriar eventos históricos reais, usou-se tanta imaginação. O roteiro da própria Maïwenn com colaboração de Teddy Lussi-Modeste e Nicolas Livecchi foca a trama em vez de no rei (que todo mundo já meio que conhece), foca na profissional liberal, digamos assim, empoderando-a, em vez de nos seus atributos físicos, na sua capacidade intelectual, dando a entender que teria sido este o principal ponto de encanto do rei.

A partir desse argumento, observa-se que Maïwenn não só atua no protagonismo como também contribui no roteiro e dirige o longa. Acumulando funções, dá para entender porque o filme foca tantos planos no rosto da atriz, ou porque nos demoramos em cenas que poderiam ter sido mais curtas, mas que se alongam para promover a atriz. Além disso, para além de todas as fofocas da vida real, Maïwenn faz uma escolha arriscada, e um tanto quanto curiosa, ao escalar Johnny Depp para o papel de um rei da França, sendo ele um ator estadunidense que fala inglês. O resultado é um Johnny super contido, quase desconfortável no papel, ainda que falando em francês. O ator tem poucas falas, mesmo com várias cenas, o que levanta a suspeita de uma adaptação do roteiro para acomodar um ator que leva público aos cinemas, mesmo não sendo francófano.

Do encontro dos protagonistas, o contraste entre os dois salta na tela. Enquanto Maïwenn tem uma beleza de traços retos e sua caracterização por vezes a deixe mais masculinizada, a de Johnny está abatida, com caracterização mais afeminada. Enquanto ela brilha, dona da cena e do projeto, ele parece apenas atuar, dizendo o que precisa ser dito.

Dinâmicas a parte, ‘A Favorita do Rei’ é uma super produção bem realizada que convida o espectador a conhecer outras nuances da história francesa. Uma boa opção para quem curte romances dramáticos históricos.

 

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.