No início da década de 1990, um assassinato chocante em uma cidade no sudoeste de Londres tomou conta dos tabloides britânicos, mudando completamente a vida de uma família. A minissérie A Testemunha joga luz para esse caso, um true crime que colocou em evidência a falta de eficiência da polícia em achar o assassino e o caos emocional que se formou em uma relação entre pai e filho.
Ao longo de três episódios, com cerca de 50 minutos cada um, percorremos um vai e vem em uma linha temporal que se estende por pouco mais de uma década. Pelas perspectivas da polícia e da família da vítima, mostrando os primeiros momentos após o homicídio e as consequências pela exposição na mídia, vamos sendo conduzidos para um comovente drama, destrinchando as consequências de uma investigação repleta de falhas.

Rachel (Eleanor Williams) é uma mãe super amorosa que vive uma rotina de felicidade ao lado do seu companheiro, André (Jordan Bolger), e do filho de dois anos, Alex. Um dia, em uma caminhada por um parque famoso em Wimbledon Common, ela é brutalmente assassinada na frente de Alex. Com os primeiros passos da investigação iniciados, a força policial começa a se complicar na investigação, levando André e seu filho para uma estrada de anos em busca do real assassino de Rachel.

Como provar um assassinato? Essa pergunta é a grande questão que circula a maior parte desse True Crime, que coloca muitos dos seus holofotes para as ações policiais confusas que culiminaram numa dor insuperável de uma família. Buscando ser detalhista nas representações dos ocorridos na época, o foco central caminha por três vertentes: a relação entre pai e filho, a perspectiva da polícia e os absurdos da quebra da ética e moral personificada pela ação coletiva de uma imprensa sedenta por qualquer tipo de pauta sensacionalista.

Para contar essa história e observando cada aspecto relevante, o roteiro apresenta grande fluidez, utilizando imagens e vídeos de reportagens da época se misturando com a ficção. Assim, é apresentada uma narrativa, que a princípio parecia ser complicada, de forma coesa, inserida em uma linha temporal que encontra na não linearidade um conforto para detalhar alguns importantes porquês.

Cada episódio é dedicado a um ponto importante – e de virada – dessa história. Desde o primeiro capítulo, que apresenta o caso, passando pelas derrapadas policiais (sem Dna na época, fator que dificultou bastante as comprovações necessárias), até chegar à conclusão quase que por acaso do caso, A Testemunha se consolida como um projeto corajoso, que não deixar de ser bem claro e objetivo ao apontar suas críticas, além de retratar o sofrimento que uma família viveu por anos sem respostas concretas.



