Crítica | ‘Mensagens para Isabelle’ – Mesmo com início promissor, top 1 da Netflix mergulha em um mar de clichês

Logo que chegou ao catálogo na Netflix e indo direto para o Top 1 da plataforma, a comédia romântica – e dramática – Mensagens para Isabelle busca envolver seus personagens por meio de reflexões sobre as formas como lidamos com a perda e também com os desafios do amar. Escrito e dirigido pela cineasta norte-americana Leah McKendrick, a obra tem um começo encantador, mas acaba indo, aos poucos, pela estrada confortável dos clichês mais batidos.

É muito difícil conseguir transformar um drama em uma comédia romântica, e esse filme é a prova disso. Com um início promissor, apresentando de forma dinâmica seus protagonistas, percorremos as crises existenciais como um pontapé inicial, com jovens lidando com os obstáculos no lado pessoal e profissional. Num segundo momento, trazendo batidos clichês, tudo que é construído num primeiro instante é trocado por uma história de amor água como açúcar, que conta com um uso demasiado de conveniências, transformando iminentes reflexões construtivas em reflexos de fórmulas batidas.

Voicemails for Isabelle. (L-R) Nick Robinson as Wes and Zoey Deutch as Jill in Voicemails for Isabelle. Cr. Diyah Pera/Netflix © 2026

Jill (Zoey Deutch) e Isabelle (Ciara Bravo) são duas irmãs inseparáveis que, desde a infância, convivem com uma cruel doença que a segunda possui. Chegando na fase adulta, Jill parte em busca de seu sonho de ser uma renomada chef e precisa se mudar para outra cidade. Tempos depois, Isabelle vem a falecer, deixando Jill desolada. Completamente sozinha em uma cidade cheia de desafios, ela começa a ligar para um número aleatório, deixando mensagens de voz como se estivesse conversando com a irmã. Do outro lado da linha, Wes (Nick Robinson), um jovem corretor que logo fica curioso para conhecer a pessoa do outro lado da linha.

Voicemails for Isabelle. Nick Robinson as Wes in Voicemails for Isabelle. Cr. Diyah Pera/Netflix © 2026

Tendo como palco a cidade de São Francisco, na Califórnia, e avançando nos pormenores de crises existenciais de maneira agradável, através de personagens de uma geração ativa em mostrar serviço, o projeto flerta a todo instante com a melancolia, se desenvolvendo por meio das reflexões sobre laços eternos e as lembranças de quem já se foi.

Muitas vezes, essa obra parece um enorme aulão filmado de livros de autoajuda. O ‘como seguir em frente’ parece ser o epicentro dessa trama que, mesmo com os pés no chão, força uma visão idealizada do amar, deixando de lado o concreto de uma proximidade com a realidade ao não desenvolver boas temáticas que aparecem na primeira parte da trama – como a pressão do trabalho e a maneira como lidamos com os desafios no lado profissional.

Na indefinição sobre se quer ser uma obra madura, que fala com propriedade sobre o luto e as experiências que ganham outros sentidos após a perda, ou uma história romântica cheia de contornos nos contos de fadas, vence a segunda opção. O flash mob forçado no seu ‘the end’ fecha com chave de bronze um filme que tinha muito mais a explorar.

Notícias

Oliver Tree: Corpo do cantor finalmente chega aos Estados Unidos

O corpo do cantor e compositor norte-americano Oliver Tree...

‘Nightsleeper’: Suspense de sucesso da BBC é renovado para a 2ª temporada

O suspense de alto risco 'Nightsleeper' foi oficialmente renovado...

‘A Bailarina 2’: Good Hero confirma sequência da animação de sucesso

A aclamada animação 'A Bailarina', sucesso lançado em 2016,...

Cinebiografia da Madonna foi CANCELADA e motivo surpreende

Em entrevista ao Interview Magazine, a cantora Madonna revelou...

‘Sing 3’: Illumination confirma desenvolvimento de nova sequência

A Illumination Entertainment anunciou oficialmente que duas de suas...
Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.