Se você acreditava que a nova temporada de American Horror Story seria apenas uma homenagem aos slashers dos anos 1980, sinto lhe informar que estava completamente enganado.

O quarto episódio de ‘1984’, como ficou intitulado o novo ciclo da antologia, não apenas manteve o interessante e aplaudível nível estético-narrativo da produção, como também abriu espaço para o teor sobrenatural tão característico das primeiras temporadas. De fato, com o desenrolar da trama principal e as múltiplas revelações feitas nos capítulos anteriores, era de se esperar que a história arquitetada originalmente por Ryan Murphy e Brad Falchuk se voltasse para uma perspectiva mística. Entretanto, faz-se necessário dizer que, seguindo os passos das iterações predecessoras, o roteiro de Jay Beattie se ata com força nas reviravoltas do gênero e talvez falhe em alguns momentos no tocante à credibilidade.

Logo de cara, somos apresentados à “história de origem” da relação entre Richard Ramirez (Zach Villa) e Montana (Billie Lourd), que já revelaram para o público suas reais intenções: fazer com que a jovem Brooke (Emma Roberts) sofra e pague o preço por ser a causa do assassinato do irmão de Montana – aquele que levou um tiro na cabeça no meio de um casamento. Percebemos, dessa forma, a declaração de amor dos showrunners e de sua extensa equipe por personagens conturbados, nutridos pela força do ódio e que buscam, eventualmente, encontrar redenção nos atos mais cruéis e mais inexplicáveis possíveis.

Do outro lado, Mr. Jingles (John Carroll Lynch) continua em seu psicótico estado de terminar o trabalho que começo catorze anos atrás. É estranho analisar como a temporada inteira se move em retrocesso quando pensamos na cronologia, visto que a breve noite do Acampamento Redwood é transformada em um espectro intimista, psíquico demais para que realmente seja algo crível; entretanto, a trágica jornada dos protagonistas é bombardeada constantemente por eventos drenados de um pesadelo, trazidos para um realidade caótica e reflexa da conturbada sociedade em que vivem. De fato, alguns elementos narrativos são forçados demais, mas, dentro do panteão de horror de AHS, fazem completo sentido – ora, quais são as chances de, num mesmo lugar, termos a presença de dois serial killers, uma fanática religiosa e uma psicóloga decadente e controversa?

Buscando uma contingente referências a ciclos anteriores – principalmente às subtramas em excesso de Hotel, Freak Show e Cult -, o novo capítulo cede brevemente a esses artifícios para tentar criar um vínculo emocional com o público. Desconstruindo a sólida estrutura sanguinolenta dos clássicos filmes de terror de época, Xavier (Cody Fern) cruza caminho com a presença pontual de Bertie (Tara Karsian), a cozinheira do acampamento que parece, de alguma forma, alheia a tudo que está acontecendo nos arredores do refeitório.

O problema é que Bertie é introduzida em um patamar de deus ex machina cujas consequências para o ritmo da série são gritantes e quase imediatas. Diferente dos descartáveis figurantes que apareceram nas semanas passadas – como o trio de meninos que resolve fazer uma pegadinha para os monitores de Redwood ou a verdadeira enfermeira Rita -, a personagem de Karsian é presenteada com um arco com profundidade enganadora, tangenciando um melodrama novelesco que não arranca nenhuma informação nova da narrativa. Na verdade, Bertie troca algumas palavras com Xavier e depois senta-se à mesa com Jingles, tentando mantê-lo calmo e impedir que ele continue seu reino de matança desenfreada. Mas não há qualquer indício de exploração, e sim uma aceitação conivente de que não há muito mais para onde a série prosseguir.

10 filmes de terror no Amazon Prime Video para fugir dos problemas…

Aproveite para assistir:

10 Séries de Comédia para Maratonar nas Próximas Semanas

Os momentos finais, apesar de construídos dentro de um arco de ação e reação envolvente e firme, também não servem como uma epifania tão majestosa – na verdade, o twist promovido pelo roteiro já havia sido apresentado com dúbia interpretação no segundo capítulo. A verdade é que Jingles admitiu para si mesmo após passar por uma série de torturas (incluindo tratamento de choque) que era o verdadeiro assassino, quando Margareth (Leslie Grossman) havia massacrado o grupo de colegas todo aquele tempo atrás. Ela, em um súbito desejo de voltar aos primórdios de sua existência, até mesmo mata impiedosamente o heroico Trevor (Matthew Morrison) e nos dá a entender que não vai parar por aí.

Enquanto Grossman e Lourd entregam performances surpreendentemente originais, afastando-se do escopo cômico no qual estavam presas, é certo dizer que o quarto capítulo da mais nova saga de AHS parece ter perdido a mão – talvez um deslize único, talvez um premeditado choque de realidade que preza por uma mister readequação da história principal.

15 Séries da Netflix Para Maratonar

15 Séries da Globoplay Para Você Maratonar

15 Séries da Amazon Prime Para Maratonar neste mês

10 reality shows insanos pra você que amou The Circle e Casamento às Cegas

Não deixe de assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE