Michael Jackson é um dos nomes mais conhecidos de todos os tempos – e um dos mais importantes da história da música. Alcunhado merecidamente como o rei do pop, o artista multifacetado começou sua carreira como membro do grupo Jackson Five ao lado dos irmãos, fazendo sua estreia solo em 1972. Porém, não foi até 1979 que ele dominaria o mundo por completo com o lançamento de ‘Off the Wall’, encontrando ainda mais sucesso com a sequência ‘Thriller’ (que se tornou o álbum mais vendido de todos os tempos). Dono de um legado que continua a colher frutos mesmo anos depois de sua morte, o performer agora recebe uma singela homenagem de Antoine Fuqua com a cinebiografia ‘MICHAEL’, que chega aos cinemas nacionais no próximo dia 23 de abril.
Seguindo os passos de incontáveis produções similares, Fuqua nos apresenta aos primórdios da carreira de Michael Jackson ao trazer o jovem Juliano Krue Valdi na versão infantil e pré-adolescente do artista. Aspirando a uma grandeza inenarrável, o garoto sempre teve um talento nato para a dança e para a música, tornando-se vocalista do Jackson Five – mas à sombra opressora do pai, Joe (Colman Domingo), se sentia pisando em ovos e alvo de punições desnecessárias e severas que cultivaram um crescente desprezo pelo patriarca.

À medida que cresce, ele é movido por pulsões de liberdade criativa e, pouco a pouco, transforma-se em uma força incontrolável movida à arte e ao sucesso incomparável que rompe barreiras para artistas negros nos Estados Unidos e que o transforma em um emblemático zeitgeist capaz de parar multidões ao redor do planeta. Com o lançamento de seu quinto álbum de estúdio e com o expressivo impacto causado com ‘Thriller’, Michael se tornou dono da própria trajetória, assumindo as rédeas de uma turbulenta carruagem para colocá-la de volta nos eixos, nem que isso implicasse sacrifícios dolorosos.
Fuqua sempre construiu cada um de seus projetos com personalidade, como pudemos ver em incursões como ‘Dia de Treinamento’, ‘Sete Homens e um Destino’ e a trilogia ‘O Protetor’, estrelada pelo vencedor do Oscar Denzel Washington. Aqui, isso não seria diferente – mas é notável como o realizador soa um pouco limitado ao construir essa carta de amor ao rei do pop: ele parece constrito dentro de restrições que já existem no gênero, seguindo mais uma cartilha do que trazendo algo de novo. Isso não quer dizer que o longa seja ruim, e sim que ele se mostra apaixonado demais pelo objeto que traz às telonas e caminha com cautela em demasia para ousar onde deveria.

‘MICHAEL’ parte dos mesmos produtores de ‘Bohemian Rhapsody’, cuja trama foi centrada na banda de rock Queen e no processo por trás de uma das músicas mais famosas da história – e isso já é indicativo de uma narrativa pragmática e que não foge muito do óbvio, ainda que conte com explorações superficiais sobre momentos-chave da vida do artista. Seja com o roteiro de John Logan ou com a picotada e cansativa montagem de John Ottman e Harry Yoon, a ideia aqui não é fornecer uma análise detalhada da complexa psique de Jackson, mas sim encantar a legião de fãs do artista com um arauto celebratório e memorialístico que se contenta com o básico (e que, eventualmente, funciona).
Enquanto os aspectos técnicos não vão muito além do que o imaginado, o elenco faz um trabalho fabuloso. Jaafar, que inclusive é sobrinho de Michael, encarna cada um dos trejeitos do tio e, levando em conta seu background como dançarino profissional, não tem quaisquer dificuldades em pegar os complexos movimentos que o rei do pop eternizou – oferecendo uma aproximação mais humanizada. Domingo, por sua vez, rouba os holofotes em uma rendição ao mesmo tempo odiosa e incrível de Joe, o impetuoso e frustrado patriarca da família. Com esse papel, o astro reitera sua inegável versatilidade e tem grandes chances de aparecer na categoria de Melhor Ator Coadjuvante na próxima temporada de premiações.

Contando ainda com a presença ilustre de nomes como Nia Long como Katherine Jackson, mãe de Michael, Miles Teller como John Branca, que se torna empresário do performer no auge de sua carreira, e a criminosamente breve participação de Kendrick Sampson como o lendário produtor Quincy Jones, ‘MICHAEL’ pode até ser um amontoado de convencionalismos, mas cumpre com a ideia de nos entreter e de reiterar, mais uma vez, o legado infindável do rei do pop.
Lembrando que o filme chega aos cinemas nacionais em 23 de abril.


