A 79ª edição do Festival de Cannes coroou Fjord, de Cristian Mungiu, com a Palma de Ouro, confirmando o longa como um dos títulos mais fortes da corrida internacional ao Oscar. O histórico recente reforça essa percepção: nas seis últimas edições do festival, cinco vencedores da Palma acabaram indicados ao Oscar — a única exceção foi Titane — e dois deles, Parasita e Anora, converteram a consagração na Croisette em vitória máxima na Academia.
Mas este ranking não é uma reprodução do palmarés oficial. Ao longo de 30 títulos assistidos durante o festival, alguns filmes deixaram impressões mais duradouras do que o vencedor da Palma, seja pela ousadia formal, pela força emocional, pela originalidade narrativa ou pela maneira como expandem as possibilidades do cinema contemporâneo.

Assim, embora Fjord tenha saído de Cannes com o principal prêmio do júri e credenciais sólidas para a temporada de premiações, o primeiro lugar aqui pertence a outro título. Uma escolha moldada pela experiência de quem passou onze dias imerso em sessões, descobertas e decepções no maior festival de cinema do mundo.
Os piores filmes do festival
30. The Dreamed Adventure, de Valeska Grisebach ★½

Vencedor do Prêmio do Júri, The Dreamed Adventure (na tradução livre A Aventura Sonhada) foi uma das experiências mais cansativas do festival. Ambientado entre a fronteira da Turquia e da Bulgária, o longa acompanha uma mulher envolvida em esquemas de contrabando de gasolina e petróleo.
Apesar do contexto histórico interessante — especialmente as referências ao período pós-União Soviética e às transformações culturais da Bulgária —, o filme nunca consegue transformar esse material em algo dramaticamente envolvente. São quase três horas acompanhando uma protagonista que vaga de um lugar a outro sem que a narrativa realmente avance. Existe um comentário social ali, mas ele se perde numa encenação extremamente letárgica. Em vez de imersão, o filme provoca exaustão.
29. Histoires de la nuit, de Léa Mysius ★★

Uma tentativa frustrada de suspense psicológico à la Funny Games (1997), de Michael Haneke. Após estreias em seções paralelas de Cannes, com Ava (2017) e Os Cinco Diabos (2022), Léa Mysius pode chegar à seção principal com a adaptação literária Histoires de la Nuit, de Laurent Mauvignier, centrada na vida de uma mulher (Hafsia Herzi) cujo passado retorna violentamente durante sua festa de aniversário.
O problema é que o filme nunca constrói suspense de verdade. Desde o início sabemos exatamente qual é o conflito e para onde tudo está caminhando. Não há revelações impactantes, nem tensão psicológica consistente. A violência existe, mas sem peso dramático. O roteiro parece acreditar que manter personagens presos numa casa já basta para gerar tensão. Não basta.
28. Notre Salut, de Emmanuel Marre ★★

Premiado por roteiro em Cannes — o autor é bisneto dos personagens da vida real —, esse drama francês patriótico acompanha a chegada de Henri Marre (Swann Arlaud) sozinho a Vichy, enquanto o regime autoritário alemão se consolida em 1940. Sem dinheiro, afastado da família e carregando exemplares de seu manifesto auto editado Notre Salut (Nossa Salvação), ele está determinado a garantir o que acredita ser seu lugar de direito na nova administração.
É um filme inteiramente centrado em burocracias administrativas, reuniões políticas e conflitos internos de gabinete. O drama pessoal do protagonista — dividir-se entre trabalho e família — nunca ganha força. Os críticos franceses adoraram, mas é um roteiro extremamente morno e burocrático, preso às próprias formalidades.
Filmes frustrantes
27. Cinzas na Boca, de Diego Luna ★★½

Diego Luna leva ao cinema o romance homônimo de Brenda Navarro sobre uma jovem mexicana tentando sobreviver na Espanha. De forma pouco imersiva, a narrativa acompanha uma vida marcada por subempregos, dificuldades financeiras e deslocamento cultural, mas nunca consegue criar uma protagonista verdadeiramente interessante.
Tudo parece banal demais e o grande conflito dramático é deixado em segundo plano no roteiro. A montagem é desconexa e, portanto, o enredo não constrói progressão emocional. O resultado é um filme apático, distante e sem impacto, incapaz de extrair a força do material original.
26. Gentle Monster, de Marie Kreutzer ★★½

Um dos filmes em competição pela Palma de Ouro, Gentle Monster (Monstro Gentil) acompanha uma mulher cujo marido é acusado de crimes envolvendo pornografia infantil. A proposta tinha potencial; entretanto, o longa escolhe acompanhar apenas o esgotamento emocional da protagonista sem nunca aprofundar os dilemas morais ou psicológicos da situação.
Não há confronto verdadeiro, investigação dramática ou tensão crescente. A produção se resume a uma personagem emocionalmente anestesiada atravessando cenas igualmente anestesiadas e uma acusação superficial dos coadjuvantes masculinos como predadores sexuais, a crítica é tão indiscriminada que alcança até o pai da detetive, já acometido por Alzheimer.
25. Moulin, de László Nemes ★★½

Drama francês sobre Jean Moulin, figura histórica da resistência francesa durante a ocupação nazista. O problema é que o longa se limita quase exclusivamente ao processo de tortura sofrido pelo personagem. A encenação é repetitiva e claustrofóbica, sem explorar verdadeiramente os efeitos psicológicos da violência.
Em vez de mergulhar na mente do torturado ou do torturador, o filme apenas repete cenas de brutalidade sem evolução dramática. Os atores Gilles Lellouche e Lars Eidinger, como Jean Moulin e Klaus Barbie, respectivamente, estão ótimos, mas essa guerra de manipulação entre os dois não segura o interesse do público durante duas horas
24. La Perra, de Dominga Sotomayor ★★½

Adaptação do livro A Cachorra, de Pilar Quintana, pelas mãos da chilena Dominga Sotomayor. O romance original funciona justamente pela brutalidade emocional e pela agressividade psicológica da protagonista.
A versão cinematográfica, porém, suaviza tudo em busca de uma poesia visual que esvazia completamente o impacto da história. Com Selton Mello cantando José Augusto no enredo, ele consegue momentos simpáticos, contudo perde a essência por se acovardar da crueza do material original.
23. The Man I Love, de Ira Sachs ★★½

Drama ambientado durante a crise da AIDS nos anos 1980. Apesar de um elenco forte, incluindo Rami Malek e Tom Sturridge, o triângulo amoroso central nunca se torna interessante.
O filme já começa anunciando sua tragédia inevitável, mas não encontra intensidade emocional suficiente para transformar isso em algo realmente devastador. Tudo soa excessivamente melancólico, mas sem profundidade.
22. Titanic Ocean, de Konstantina Kotzamani ★★½

Uma das premissas mais curiosas do festival: uma escola japonesa que treina meninas para se tornarem “sereias profissionais” em aquários. Como a diretora e roteirista é grega, o filme parece dialogar com o universo criativo de Yórgos Lánthimos (Pobres Criaturas) e Efthýmis Filíppou (Rosebush Pruning), mestres em temáticas originais e bizarras.
A metáfora sobre amadurecimento, identidade e liberdade é interessante, mas o filme se perde na execução e se repete entre a paixonite platônica de Deep Sea (Arisa Sasaki) sobre o seu instrutor de mergulho, sendo o ponto de virada para transformação da protagonista. A narrativa se dedica à estética surreal; entretanto, não desenvolve emocionalmente suas personagens.
Filmes medianos
21. Vênus Elétrica, de Pierre Salvadori ★★★
Filme de abertura do festival. Bonito visualmente, uma comédia romântica sobre a farsa do amor ambientada na Paris boêmia dos pintores e artistas circenses dos anos 1920. Com elenco de estrelas francesas — Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche —, este é um filme aprazível, que não promete grandes rompantes, mas entrega momentos de descontração.
20. Nagi Notes, de Koji Fukada ★★★
Drama japonês centrado na escultura e no processo artístico como sublimação de perdas, frustrações e desilusões. Interessante em alguns momentos, principalmente pelas falas da protagonista e a dinâmica da descoberta da sexualidade tanto pelos personagens adolescentes, quanto pelas duas ex-cunhadas. A trama, no entanto, não possui força suficiente para permanecer na memória.
19. A Vida de Uma Mulher, de Charline Bourgeois-Tacquet ★★★
Estruturado em episódios, La vie d’une Femme, no original, acompanha diferentes momentos da vida de uma cirurgiã plástica de alta performance, entre a vida em casa com o marido e o enteado, sua equipe de trabalho, as amizades e uma amante escritora. Como sempre, a atriz Léa Drucker está excelente em cena, como suas duas últimas vezes no Festival de Cannes, com Caso 137 (2025) e Culpa e Desejo (2023). É um filme correto, mas com cenas maçantes e resoluções pouco criativas.
18. Sheep in The Box, de Hirokazu Kore-eda ★★★
Com o título em alusão a uma passagem do livro do Pequeno Príncipe, o longa é uma das maiores decepções pessoais do festival. Ambientado em um futuro próximo, Otone e Kensuke Komoto decidem acolher uma réplica do seu filho morto em formato robô humanóide em sua casa e passam a tratá-lo como se fosse seu verdadeiro filho.
Depois da beleza de Monster, era esperado muito mais do novo filme de Hirokazu Kore-eda. Ainda existe sensibilidade, mas o longa parece excessivamente contido e menos emocionalmente devastador do que seus melhores trabalhos.
17. Natal Amargo, de Pedro Almodóvar ★★★

Pedro Almodóvar retorna à autoficção para refletir sobre envelhecimento, bloqueio criativo e a relação cada vez mais desgastada entre artista e obra. Embora existam momentos de sinceridade emocional e observações interessantes sobre o peso da carreira, o longa raramente encontra a intensidade dramática de Dor e Glória (2019). O grande destaque está na discussão final entre o cineasta protagonista e sua agente, sequência em que Almodóvar canaliza para a tela toda a frustração, a insegurança e o desgaste acumulados por décadas de criação artística.
16. Coward, de Lukas Dhont ★★★

Drama ambientado na Segunda Guerra Mundial que acompanha o romance entre dois jovens soldados. Visualmente belíssimo e interpretado com enorme delicadeza, o filme opta por retratar o amor queer sem violência explícita ou perseguição constante. Paradoxalmente, essa escolha faz o filme parecer excessivamente inocente dentro de um contexto histórico tão brutal.
Os atores protagonistas Valentin Campagne e Emmanuel Macchia compartilharam a Palma de Ouro de interpretação masculina. Os sorrisos e os olhares entre os dois em cena são realmente apaixonantes e contagiantes. Terceira vez de Lukas Dhont no Festival de Cannes e terceira vez premiado, as outras duas foram: Câmera de Ouro, FIPRESCI e Queer Palm para Girl (2018), e Grande Prêmio do Júri para Close (2022).
Bons filmes
15. A Terra do Meu Pai, de Paweł Pawlikowski ★★★½

Premiado pela direção de Paweł Pawlikowski, Fatherland, no original, acompanha o escritor alemão Thomas Mann retornando à sua terra natal após anos de exílio nos Estados Unidos, ao lado da filha vivida por Sandra Hüller. Um filme visualmente sofisticado, elegante e intelectualmente interessante, porém sem impacto emocional.
14. El Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen ★★★½

O aclamado diretor de cinema Esteban Martínez (Javier Bardem) é uma lenda tanto por seus filmes quanto por um passado marcado pela violência e pelos excessos. Para seu novo projeto, ele oferece à filha Emília (Victoria Luengo) um papel, sob o pretexto de ajudá-la com sua carreira de atriz, que está estagnada.
A convivência no set, no entanto, ao invés de unir ambos, promove uma cratera na relação entre eles e toda equipe do filme. Um retrato de assédio moral na indústria executado de forma contundente pelo diretor espanhol e ator Javier Bardem. Um drama sensível e intimista, ainda que irregular em alguns momentos.
13. Garance, de Jeanne Herry★★★½

Um dos filmes mais honestos sobre alcoolismo vistos recentemente. Acompanhamos uma atriz que lentamente percebe a gravidade da própria dependência alcoólica. O filme é doloroso justamente porque mostra como o alcoolismo costuma ser socialmente normalizado. Adèle Exarchopoulos entrega uma atuação cativante em um filme surpreendentemente otimista.
12. Low Expectations, de Eivind Landsvik ★★★½

Drama norueguês sobre uma ex-promessa musical que trabalha supervisionando exames escolares. A premissa nasceu da pergunta do diretor Eivind Landsvik: como alguém que sonhava viver de algo especial pode terminar num trabalho tão distante dos próprios desejos? O filme trata de depressão e frustração criativa com enorme sensibilidade, com a provocação sobre a inércia da geração Z diante dos obstáculos da vida.
Grandes destaques do festival
11. Paper Tiger, de James Gray ★★★★

Drama criminal sobre um pai de família que por inocência acaba se envolvendo com a máfia russa e coloca em risco a esposa e os filhos. James Gray entrega um suspense moral elegante, centrado em culpa, sobrevivência e responsabilidade familiar. Talvez não seja um filme “de Oscar”, mas é extremamente sólido, além de um elenco de peso com Miles Teller, Adam Driver e Scarlett Johansson.
10. Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte, de Jane Schoenbrun ★★★★

Terceiro longa de Jane Schoenbrun, conhecida por Eu Vi o Brilho da TV (2024), é uma sátira metalinguística sobre franquias de terror slasher. O filme brinca constantemente com referências a Sexta-Feira 13, Halloween e Jogos Mortais, questionando por que os estúdios continuam reciclando fórmulas infinitamente. Com Hannah Einbinder e Gillian Anderson, o filme é divertido, inteligente e assumidamente caótico
9. Histórias Paralelas, de Asghar Farhadi ★★★★

Farhadi continua sendo um mestre dos dilemas morais. O filme trabalha a ideia de como discursos, narrativas e observações externas moldam nossas relações e nossas percepções da verdade. É um longa profundamente interessado na manipulação das palavras e na forma como histórias alteram vidas, com um ótimo elenco composto por Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney e participação especial de Catherine Deneuve.
8. Hope, de Na Hong-jin ★★★★

Uma mistura delirante de ficção científica, horror, filme de monstro, ação e crítica social. Dirigido por Na Hong-jin, a obra representa como o cinema sul-coreano continua impressionando pela capacidade de combinar gêneros sem perder ritmo. Hope é divertido, caótico e extremamente energético.
7. La Bola Negra, de Javier Ambrossi, Javier Calvo ★★★★

Em empate com Fatherland, os diretores “Javis” ganharam o prêmio de direção por essa produção espanhola inspirada numa peça perdida de García Lorca. O filme atravessa diferentes períodos históricos para discutir repressão sexual, memória familiar e herança cultural.
Ao final, a narrativa consegue converter todos os sentimentos acumulados em um ápice poético de luta pela sobrevivência, durante a guerra e também no processo de assumir uma orientação sexual ainda demonizada por discursos religiosos e conservadores. As participações especiais de Penélope Cruz e Glenn Close são excelentes.
6. Everytime, de Sandra Wollner ★★★★

Vencedor da mostra Um Certo Olhar, o filme sobre luto utiliza a linguagem de videogame e fantasia surreal para representar a morte de uma jovem. Um ano após a morte de Jessie, sua mãe e sua irmã mais nova acolhem seu ex-namorado — o rapaz a quem todo mundo culpa secretamente pela morte dela.
Quando o trio improvável parte para Tenerife, para umas férias em família que nunca aconteceram, o passado e o presente começam silenciosamente a se entrelaçar. A maneira como o longa transforma o processo de negação até a aceitação da partida em estrutura narrativa é brilhante.
Top 5 do Festival de Cannes 2026
5. Minotaur, de Andrey Zvyagintsev ★★★★

Um dos filmes mais perturbadores do festival. Partindo da estrutura clássica da adaptação do suspense erótico Infidelidade (2002), de Adrian Lyne, o longa desmonta completamente qualquer noção de culpa moral ao ambientar a narrativa na Rússia contemporânea.
O protagonista é um empresário que envia trabalhadores desempregados para a guerra sem qualquer remorso. A corrupção moral daquela sociedade torna o filme profundamente desconfortável.
4. Elefantes na Neve, de Abinash Bikram Shah ★★★★½

Uma das maiores surpresas do festival, ambientado num vilarejo do Nepal, o filme acompanha uma comunidade de mulheres trans que vivem dedicadas a funções espirituais e religiosas. Quando uma delas quebra as regras e inicia um relacionamento amoroso com um homem do vilarejo, toda a estrutura social daquele espaço entra em colapso.
O longa é fascinante na forma como revela, camada por camada, a complexidade daquela cultura, dos personagens envolvidos e como as falsas aparências de aceitação rompem-se ao menor desconforto. Visualmente hipnótico e emocionalmente devastador, o longa é uma coprodução brasileira e ganhou o prêmio do Júri, o segundo lugar, da mostra Um Certo Olhar.
3. Aventura nas Alturas, de John Travolta ★★★★½

Uma pequena joia melancólica vinda da paixão do ator John Travolta pela aviação. Adaptação de seu próprio livro infantil, aos 72 anos, Travolta narra sua emoção de viajar em uma aeronave durante os anos 1960 acompanhando sua mãe a caminho de Los Angeles para gravar um filme.
Com pouco mais de uma hora de duração, o filme mistura delicadeza emocional e narração extremamente envolvente. Uma das experiências mais apaixonantes do festival e já disponível na Apple TV+.
2. Fjord, de Cristian Mungiu ★★★★½

O ganhador da Palma de Ouro 2026 é uma das obras mais complexas politicamente da competição. Protagonizada por Sebastian Stan e Renate Reinsve, a narrativa acompanha uma família imigrante romena vivendo na Noruega e discute o choque entre progressismo estatal e conservadorismo religioso.
O filme questiona até que ponto a sociedade consegue tolerar tradições culturais que entram em conflito com valores modernos. É desconfortável justamente porque recusa respostas simples e inverte nosso olhar sobre a questão de proteger minorias e estabelecer diálogo entre visões opostas da sociedade.
O melhor de Cannes 2026
1. De repente, de Ryusuke Hamaguchi ★★★★★

O favorito de toda a edição. Com mais de três horas de duração, o longa acompanha a amizade construída entre duas mulheres: uma diretora de um instituto humanista para idosos com demência e uma diretora de teatro.
De repente (All of a Sudden/Soudain) discute cuidado, envelhecimento, comunidade, afeto e transformação social através das relações humanas. É raro encontrar filmes sobre amizade feminina construídos com tanta delicadeza, inteligência e humanidade. As conversas entre as protagonistas sobre política, sociedade, trabalho e emoções são extraordinárias. Virginie Efira e Tao Okamoto receberam o prêmio de interpretação feminina por sua simbiose em cena. Foi o único filme do festival capaz de nos hipnotizar durante mais de três horas.
A 79ª edição do Festival de Cannes foi marcada pelo cinema francês em ano bastante irregular e obras extraordinárias vindas da Coreia do Sul, Nepal, Noruega, Espanha e Japão — filmes interessados em desafiar estruturas narrativas tradicionais e discutir questões contemporâneas complexas. Entre decepções, experimentações e grandes revelações, o evento continua a ser a bússola a nos indicar para onde o cinema está caminhando.



