O garimpo ilegal é algo, infelizmente, muito comum em muitas regiões de nosso país, um ato criminoso que ajuda a manter um ciclo nocivo de contaminação e destruição, afetando, inclusive, muitas comunidades indígenas.
Trazendo esse importante tema para debate, através de um personagem ganancioso e desesperado que, na solidão das marcas do seu passado de inconsequências, é seduzido e corrompido pela ilusão do que ouro pode lhe entregar, o curta-metragem mato-grossense Belo Ouro apresenta seu recorte sobre um problema social importante por meio do marasmo de um sofrimento sem respiro.
José (Genival Soares) é um senhor de idade, ex-trabalhador de uma mineradora, que frequentemente é caçoado pela cidade onde mora. Um dia, percorrendo as águas cristalinas de um território indígena, percebe que seu corpo começa a se transformar em ouro. Sem pensar duas vezes, mesmo sendo avisado por uma entidade protetora daquelas terras (Igor Pedroso), busca lucrar com o próprio corpo, até enfrentar as consequências desse ato.
Buscando paralelos também na mitologia grega, em uma história que conversa com as inconsequências do Rei Midas, percorremos uma espécie de conto brasileiro, cujo conflito se abre em reflexões dentro de um universo imaginado que encontra certezas em muitas realidades.
Muito bem filmado, com poucas, mas eficientes, ações inventivas avançando pelas infinidades da linguagem, a narrativa acerta ao desfilar sua mensagem de forma direta. A obra não perde tempo e avança sobre a ilusão das mudanças ao se corromper a qualquer custo, sem esquecer de pelas entrelinhas, expor um grave problema social. Belo Ouro, escrito e dirigido por Pither Lopes, foi um dos ótimos curtas exibidos no Festival Cinemato 2026.


