Crítica | Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água

Nunca fui um grande fã do desenho do Bob Esponja, exibido na Nickelodeon. Em uma breve tentativa de assistir a alguns episódios, achei o personagem demasiadamente caricato e um tanto quanto chato. Sendo assim, fui assistir ao filme com a expectativa lá embaixo. E confesso: há anos não me surpreendia com um longa-metragem de maneira positiva como nesse.

A direção de Paul Tibbitt transforma a animação em um longa-metragem frenético, louco e insano. Uma aventura que vai deixar muito adulto pirado com tantas cores e bizarrices que parecem simular uma viagem de ácido.

Por falar em viagem de ácido, os desenhistas e os roteiristas parecem ter usado algum entorpecente muito forte enquanto produziam a animação, totalmente diferente do convencional – e com direito a tiradas sarcásticas que fazem a plateia rir o tempo todo.

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O mais interessante é que existem piadas adultas que as crianças não irão entender, transformando-o em dois filmes extremamente distintos: um para os pequenos e um para o grandões.

A vida corria tranquila para o otimista Bob Esponja e sua turma: o leal estrela-do-mar Patrick, o sarcástico Lula Molusco, a esquilo cientista Sandy e seu chefe, o crustáceo capitalista Sr. Sirigueijo. Quando a ultrassecreta receita do Hambúrguer de Siri é roubada, o caos se instaura no fundo do mar. Para salvar a pátria, Bob Esponja e o vilão Plankton precisam unir suas forças em uma viagem através do tempo e do espaço.

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Nesta sinopse aparentemente simples, existem diversas ramificações, como a necessidade atual de Hollywood em adicionar uma cena de ação a cada minuto de projeção (isso é satirizado de maneira brilhante aqui), as reviravoltas na trama e um herói que possui falhas – mas ainda assim é um bom moço.

A diferença entre o longa e o desenho de Stephen Hillenburg é a inteligente transição do 2D para a computação gráfica no momento em que os protagonistas saem do mar para a vida real, mais especificamente em Miami Beach. Recriados em CGI super moderno, o filme se sobressai a qualquer episódio do desenho e se transforma em algo grandioso: um longa-metragem completo. A cena em que conhecemos o Golfinho, controlador de todo o Universo, é uma das mais brilhantes e divertidas do ano.

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Irônico, divertido, ácido… a nova animação do calça quadrada é uma viagem muito louca, com direito a explosões de cores e efeitos em 3D brilhantemente criados. Vale a pena levar a criançada no cinema, e ainda curtir a sessão junto!

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.